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Monday, September 21, 2026

BC pode mudar direção de juros em dezembro, diz economista

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O Banco Central do Brasil poderá acelerar os cortes da taxa Selic a partir de dezembro, a depender do resultado das eleições. Essa é a avaliação da Quantitas, que identificou um tom mais ameno no comunicado divulgado pelo Copom (Comitê de Política Monetária) nesta semana, apesar de o documento ter trazido poucas alterações em relação aos anteriores.

Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas, avaliou que o Banco Central adotou uma postura especialmente cautelosa em sua comunicação mais recente. Segundo ele, havia dois eventos relevantes que justificavam essa cautela: o processo eleitoral brasileiro e a perspectiva de alta de juros pelo banco central americano. "Era natural que o Banco Central tentasse ser bem cauteloso e aguardar o desdobramento dos dados", afirmou Chermont.

Apesar das poucas mudanças textuais, Chermont destacou que todas as alterações observadas no comunicado apontaram na mesma direção, a de um tom mais suave. Entre os elementos analisados, ele citou a menção mais clara à desaceleração da economia, com o documento reconhecendo que todos os setores caminham nessa direção, ainda que em velocidades distintas.

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Além disso, nuances relacionadas ao processo inflacionário indicaram que a inflação estaria convergindo para um patamar mais baixo. "Foram pequenas mudanças de palavras, mas todas elas na mesma direção", ressaltou o economista.

Por que dezembro pode ser um ponto de inflexão

Chermont explicou por que a reunião de dezembro, e não a de novembro, seria o momento mais propício para uma eventual aceleração nos cortes. Segundo ele, a reunião de novembro ocorrerá logo após as eleições, marcadas para 25 de outubro, deixando tempo insuficiente para que os efeitos do resultado eleitoral se reflitam nos indicadores econômicos.

"Para a reunião de dezembro já é bastante tempo. A gente já vai ter muito mais informação do que o novo presidente pretende fazer", disse ele, destacando a política fiscal como o principal fator de atenção do Banco Central atualmente.

Na avaliação da Quantitas, sinalizações positivas do presidente eleito em relação à política fiscal poderiam promover uma descompressão do prêmio de risco do Brasil, do câmbio e das expectativas de inflação, abrindo espaço para o Banco Central acelerar o ritmo de cortes.

Quando questionado sobre a magnitude dessa aceleração, Chermont indicou que cortes de 50 pontos-base seriam o cenário mais provável. "Acho que 50 pontos-base é bastante suficiente para acelerar e não colocar em risco eventuais ganhos que a gente está tendo de inflação", afirmou.

Inflação prevalece sobre atividade em cenário adverso

Diante de um possível cenário de desaceleração da atividade econômica combinada com inflação persistente acima da meta, Chermont foi categórico: a inflação tende a predominar na tomada de decisão do Banco Central.

Ele citou o exemplo de 2015, quando o PIB brasileiro recuou 3,5% enquanto a inflação acelerava, como ilustração de que o combate à inflação impede cortes de juros mesmo em períodos de fraqueza econômica.

O economista frisou, no entanto, que não está prevendo uma repetição daquele cenário. "A inflação acaba predominando e o Banco Central vai ter que ser bem mais cauteloso, seja cortando menos ou seja parando os juros num patamar mais alto", concluiu Chermont, reforçando que a política fiscal também desempenha papel fundamental no controle inflacionário.

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