Estrela de 'A Ciumenta', Renata Brás abre o jogo: 'Já sofri, fui traída e tive dores de amor'

Aos 50 anos, Renata Brás vive um momento de realização profissional ao ver o público prestigiá-la às segundas e terças, no teatro. Em cartaz com o solo A Ciumenta, em São Paulo, a atriz leva aos palcos a personagem lançada no humorístico A Praça é Nossa, do SBT, de maneira mais aprofundada, com dilemas aprofundados.
"Na TV, sempre pessoas veem um recorte daquela mulher ciumenta e enlouquecida. Para a peça, quis trazer questionamentos", afirma a atriz, contando que a personagem foi criada por Carlos Alberto de Nóbrega, que a presenteou com autonomia para alçar novos voos com o papel. "A personagem é minha. O Carlos Alberto me deu de presente.. Ele falou: "Faz o que você quiser". Quero levar para o teatro? Quero fazer filme? Posso!", afirma.
Com uma trajetória no teatro musical e prestes a estrear On your feet - O Musical de Gloria Estefan, a atriz se tornou amiga de nomes consagrados como Miguel Falabella e da Cláudia Raia, que participam de A Ciumenta por meio de áudios previamente gravados. Ao falar sobre as semelhanças com a personagem que encena no palco do Teatro UOL, no Shopping Pátio Higienópolis até o dia 10 de novembro, Renata afirma que a personagem não é necessariamente autobiográfica. "Misturei um pouco. A personagem é exageradamente ciumenta, passional. Eu, Renata, a pessoa física, já sofri, fui traída, tive dores de amor, já tive minha fase de ciumenta."
Quem: Você está em cartaz com uma temporada de A Ciumenta, em São Paulo. A personagem que surgiu em A Praça é Nossa. Como surgiu esse voo solo?
Renata Brás: A personagem foi idealizada e criada pelo Carlos Alberto de Nóbrega para A Praça é Nossa. Quando eu comecei a fazer o quadro da Ciumenta lá, recebia uma enxurrada de directs às quintas, quando o programa ia ao ar. Os homens escreviam: "minha mulher é igual", "minha ex é igual"... Já as mulheres começara a me mandar mensagens dando dicas para controlar a ciumeira. Percebi que tinha a personagem tinha um apelo popular muito forte. Pensei: "Por que não do limão, fazer uma limonada suíça?".
No sentido de levar a personagem para além da Praça?
Isso. A personagem é minha. O Carlos Alberto me deu de presente.. Ele falou: "Faz o que você quiser". Quero levar para o teatro? Quero fazer filme? Posso. A personagem deu certo na Praça por seis anos. Quando decidi fazer a peça, eu pedi, claro, a autorização do Carlos Alberto e do (Fernando) Pelegio, que era que era diretor geral do SBT na época. Eles me falaram: "Renata, voa, seja livre". Na TV, sempre pessoas veem um recorte daquela mulher ciumenta e enlouquecida. Para a peça, quis trazer questionamentos. O que a fez virar aquela mulher? Será que ela tem traumas? Será que ela tem inseguranças? Será que ela foi traída?
E você é autora do texto?
Sempre tive vontade de ter um monólogo, um solo, mas achava que ia fazer drama, Nelson Rodrigues, como Valsa número 6... Mas decidi encarar um solo com essa personagem que é minha. Primeiro, chamei o Davi Novaes para escrever, mas ele estava com outros compromissos. Fui escrevendo e, embora todas as ideias estivessem na minha cabeça, eu nunca fiz um curso de roteiro. Aí, liguei para Suzana Pires, que atriz e autora, mas ela também estava com uma demanda grande e falou: "Nesse momento eu não consigo te ajudar para a gente escrever junto, mas posso te indicar uma roteirista". Ela me apresentou a Samira Ramalho. Ela veio para me ajudar a colocar no papel todas as minhas ideias.
LEIA TAMBÉM
A personagem tem características suas?
Misturei um pouco. A personagem é exageradamente ciumenta, passional. Eu, Renata, a pessoa física, já sofri, fui traída, tive dores de amor, já tive minha fase de ciumenta. Como não queria fazer só um besteirol, quis entender qual é a profundidade dessa personagem, as dores dela.
A Ciumenta já é encenada desde a pandemia. O espetáculo mudou de lá pra cá?
O primeiro lugar em que encenei A Ciumenta era no espaço da Priscila Prade, fotógrafa, com capacidade para umas 50 pessoas. Como ainda era pandemia, todo mundo ia mascarado, com cadeiras espaçadas. Eventualmente, eu mexo no texto porque tenho essa autonomia. A Ciumenta é um produto, mas é como se fosse meu filho. Vou cuidar, ele vai crescer. Da mesma maneira que a Mônica Martelli tem Os Homens são de Marte..., A Ciumenta é o meu produto e quero viajar com ele. Hoje, consigo viajar com essa peça com dois técnicos -- um operador de som e um operador de luz. A peça tem áudios do Miguel Falabella e da Cláudia Raia. O texto teve ainda a supervisão da psicanalista Fabiana Guntovich, que trouxe um embasamento das questões abordadas. Muita gente se surpreende porque imagina que veria esquetes de A Praça é Nossa, mas a peça tem uma reflexão. Já vi gente saindo chorando da minha peça, que é uma comédia. Fiquei assustada e fui perrguntar o que aconteceu. Ela me falou: "Eu me vi no palco e não quero ser essa mulher". Por isso que a arte é incrível. É possível mudar vidas.
Sente-se realizada?
É muito bom fazer o outro rir. E faço rir com as minhas histórias, as minhas inseguranças, os meus chifres.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.