Flávio Bolsonaro cai no feitiço religioso difundido por seu pai

- É preciso estar atento. A partir de hoje, mais do que nunca, os que amam o vermelho passarão a usar verde e a amarelo, os que perseguiram e defenderam fechar igrejas se julgarão grandes cristãos, os que apoiam e louvam ditaduras socialistas se dirão defensores da democracia.
-- Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) August 16, 2022
Na esteira da campanha religiosa de Bolsonaro, a mentira de que Lula fecharia igrejas passou a ser disseminada por bolsonaristas nas redes sociais. Em 4 de outubro de 2022, o TSE mandou apagar 31 postagens. Ente elas, havia postagens de Flávio Bolsonaro, do deputado Mario Frias e de Filipe Martins, então assessor de Assuntos Internacionais da Presidência.
Nessa época, o bolsonarismo confundia a difusão de inverdades com liberdade de expressão. Os devotos do "mito" tacharam a decisão do TSE de censura. Neste sábado, suprema ironia, a campanha de Flávio Bolsonaro pediu ao Ministério Público Eleitoral a prisão preventiva de George Marques, funcionário da Secretaria e Comunicação do Planalto. Acusa-o de propagar desinformação sobre o caso de Nossa Senhora Aparecida.
O candidato do PL começou a se enroscar com a religião no mês passado. Em 23 de agosto, ao justificar sua ausência no debate promovido pela Band, Flávio Bolsonaro fustigou Lula. Numa alusão ao fato de que o rival também faltaria ao debate, disse que gostaria de debater "com quem não acredita em Deus". Acrescentou que, chegando ao Planalto, um dos seus primeiros atos seria "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo".
No feriado de 7 de Setembro, o arcebispo dom Orlando Brandes defendeu durante a missa no Santuário Nacional de Aparecida a soberania nacional. A certa altura, declarou: "Nossa Senhora, padroeira do Brasil, neste ano eleitoral, que elejamos aquelas pessoas segundo o nosso coração, segundo a nossa consciência, segundo o nosso conhecimento."
Dias atrás, bispos católicos da região amazônica publicaram nas redes sociais um vídeo orientando os fiéis a não votar em "candidatos com ficha suja" ou que "utilizam o nome de Deus".
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