Ian McKellen se despede de Patrick Stewart e recorda amizade de décadas: 'Estou apaixonado por ele'
Ian McKellen publicou no Instagram uma homenagem a Patrick Stewart, com quem dividiu trabalhos no cinema e no teatro e manteve uma amizade de décadas. O ator morreu aos 86 anos, após conviver com Alzheimer e demência com corpos de Lewy. A morte ocorreu na quarta-feira, 28, e foi anunciada na quinta-feira, 29.
Na mensagem, McKellen recordou as origens do amigo em Yorkshire, no norte da Inglaterra, e o vínculo que ele manteve com a região ao longo da vida.
“Antes de tudo, Patrick se definia por ter nascido e crescido em Yorkshire, o orgulhoso condado no norte da Inglaterra que ele amou até o fim. Era possível perceber isso em seu sotaque e na honestidade austera com que ele dizia o que pensava e sentia. Os habitantes de Yorkshire não toleram meias-verdades nem evitam assuntos importantes. Ele era muito transparente, o que o tornava um homem em quem se podia confiar, admirar e, no meu caso, amar”, escreveu McKellen no Instagram.
O ator também voltou ao início da relação entre os dois, quando integravam a Royal Shakespeare Company, companhia britânica de teatro. Entre as lembranças, citou a conversa em que tentou dissuadir Stewart de aceitar um papel em Star Trek.
“Nos conhecemos como jovens atores ambiciosos da Royal Shakespeare Company, há meio século, mas não estávamos nas mesmas produções. Minha primeira lembrança marcante foi alguns anos depois, quando o encontrei na rua, no centro de Londres, e ele me contou sobre uma proposta para assumir um papel principal em 'Star Trek'. “Mas Patrick, pense na sua carreira no teatro no Reino Unido. Você realmente quer arriscar — se perder em Hollywood por anos e anos?” Bem, ele assumiu o risco, e ainda bem que o fez, não só pelos seus devotos fãs de Star Trek, mas também pelo público do cinema e do teatro, que se maravilhou com a sua capacidade de usar a fama internacional para estrelar uma série de sucessos cinematográficos (' X-Men ', é claro) e grandes peças clássicas de Shakespeare, Ibsen, Arthur Miller, Peter Shaffer, Pinter e Beckett em Stratford-upon-Avon, no West End de Londres e na Broadway.”
Na homenagem, McKellen mencionou ainda a vida de Stewart nos Estados Unidos, seu casamento com Sunny Ozell e a nomeação para o cargo de chanceler da Universidade de Huddersfield.
“A América foi seu lar adotivo, onde conheceu sua adorada Sunny, que cuidou dele na saúde e na doença, nos bons e nos maus momentos. Mas ele nunca abandonou suas origens: e a maior conquista do ator mais respeitado e amado de sua geração, em ambos os lados do Atlântico, foi sua nomeação como Chanceler da Universidade de Huddersfield, em Yorkshire.”
“Sua atuação de despedida em 'Vingadores: O Dia do Juízo Final' ainda está por vir”, concluiu McKellen.
Amizade se fortaleceu nos bastidores de X-Men
Embora se conhecessem desde os tempos de teatro, Stewart e McKellen se aproximaram durante as filmagens de "X-Men", lançado em 2000. Na produção, interpretaram o Professor X e Magneto, respectivamente.
Em entrevista à Wired, em 2020, Stewart contou como a rotina no set abriu espaço para a amizade: "Nossos trailers eram contíguos. Nesse tipo de filme, você passa mais tempo no trailer do que em frente às câmeras. Então, Ian e eu ficávamos juntos, tomando chá — e talvez, à tarde, algo um pouco mais forte — e nos conhecemos melhor. O mais interessante era que descobrimos que tínhamos muita coisa em comum."
A relação também marcou a vida pessoal dos atores. Em 2013, McKellen celebrou o casamento de Stewart com Sunny Ozell.
"Serei franco com você — estou apaixonado por ele", brincou Stewart na mesma entrevista. "Mas minha esposa também está apaixonada por ele, então está tudo bem."
Ao longo dos anos, os dois demonstraram afeto em aparições públicas, com beijos na boca em eventos de tapete vermelho.
Parcerias no cinema e no teatro
Depois de "X-Men", os atores voltaram a contracenar em "X2" (2003) e "X-Men: O Confronto Final" (2006). Também participaram de "Wolverine: Imortal" (2013) e retomaram seus personagens em "X-Men: Dias de um Futuro Esquecido" (2014).
Stewart voltou ao papel do Professor X em "Logan" (2017). Os dois integram ainda o elenco de "Vingadores: O Juízo Final", previsto para chegar aos cinemas em dezembro.
A parceria se estendeu aos palcos. Em 2013, dividiram uma temporada na Broadway com "Esperando Godot", de Samuel Beckett, e "Terra de Ninguém", de Harold Pinter. Em 2016, voltaram a apresentar "Terra de Ninguém" no West End, circuito teatral de Londres.
Conheça a trajetória de Patrick Stewart
Patrick Stewart construiu uma carreira que uniu o teatro clássico britânico a duas das franquias mais populares da cultura pop. Conhecido como o capitão Jean-Luc Picard, de Star Trek, e o professor Charles Xavier, de X-Men, o ator morreu em 28 de outubro de 2026, aos 86 anos, em Los Angeles, segundo sua representante.
Nascido em 13 de julho de 1940, em Mirfield, no condado inglês de Yorkshire, Stewart cresceu em uma família de trabalhadores. A infância foi marcada por dificuldades financeiras e pela violência do pai contra a mãe, experiências que ele relataria publicamente e que motivaram seu envolvimento no combate à violência doméstica.
O interesse pela interpretação surgiu ainda na escola. Stewart estudou na Bristol Old Vic Theatre School e passou por companhias regionais antes de ingressar, em 1966, na Royal Shakespeare Company. Nos palcos, consolidou sua formação em obras de William Shakespeare e desenvolveu a presença cênica e a voz que se tornariam marcas de seu trabalho.
A projeção internacional veio em 1987, quando assumiu o comando da nave Enterprise como Picard em Star Trek: A Nova Geração. A série permaneceu no ar até 1994, e Stewart retomou o personagem em quatro filmes e, décadas depois, na série Star Trek: Picard, exibida entre 2020 e 2023.
Em 2000, o ator estreou como Charles Xavier no primeiro filme de X-Men. O líder dos mutantes se tornou outro papel central de sua trajetória, com participações em diferentes produções da franquia, incluindo Logan, de 2017. Paralelamente ao cinema e à televisão, Stewart manteve sua ligação com o teatro, onde também dividiu o palco com o amigo Ian McKellen.
Condecorado cavaleiro pela rainha Elizabeth II em 2010 por seus serviços às artes dramáticas, passou a ser chamado de Sir Patrick Stewart. Em 2023, publicou a autobiografia Making It So, na qual revisitou a infância, a formação teatral e a transformação em um rosto conhecido por gerações de espectadores.
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