'Tática Janones' inspira esquerda fora do país e vira lição a marqueteiros

Quem aceitou o convite de Janones ao longo das últimas semanas recebeu dicas para uma atuação mais profissional nas redes sociais — o que explica parte do sucesso, segundo especialistas. O deputado sempre insistiu no método:
Primeiro curta, comente, compartilhe no terceiro botão. Depois envie no direct para todos seus contatos, poste nos stories, me marque e depois encaminhe o vídeo no Whatsapp. Por último, assista até o final. André Janones (Rede-MG), deputado federal

Saber usar canais como WhatsApp, Instagram e X se tornou obrigatório nessa eleição, segundo a série de pesquisas Genial/Quaest sobre a forma como o brasileiro se informa sobre política. Apesar da alta crescente nos últimos anos, as redes sociais só se tornaram fonte principal de informação no levantamento de janeiro deste ano. Em outubro, durante o segundo turno, a diferença para a TV aberta cresceu.
Para o publicitário Elsinho Mouco, o didatismo de Janones ao ensinar como funcionava o algoritmo das redes sociais, dando destaque a conteúdos positivos de Lula e ignorando os do adversário, fez toda a diferença. "Nasceu nas redes a maior desconstrução que já foi vista na comunicação política no Brasil", afirmou.

De acordo com o marqueteiro, outro mérito foi levar o trabalho feito nas redes para o último debate, na TV Globo. Foi ali que a morte da menina Ana Clara, por exemplo, foi escancarada para todo o país, assim como o papel de defensor do assassino assumido por Flávio Bolsonaro (PL). "Foi uma comoção só. E, para finalizar a desconstrução, vieram ainda os cortes dos debates com a fala dos '9 dedos', por exemplo, e o etarismo contra um 'velho surdo'. Enfim, uma série de munição digital nunca antes vista."
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