Lula e Flávio vencem o debate sem nem aparecer

O problema foram os que estiveram presentes. Poucas propostas de fato. E algumas delas atropelavam a Constituição e ignoravam a necessidade de aval do Congresso Nacional, como as que tratavam de segurança pública. Outras mostravam profundo desconhecimento sobre relações internacionais, com platitudes e bravatas.
A impressão é que o debate serviu como plataforma para a produção de vídeos para a campanha e não para atender aos eleitores. Renan Santos xingou candidatos de "cadelas", tentou farmar aura e animou red pills e a extrema direita. Augusto Cury, conhecido escritor, parecia perdido, parecia estar dando uma palestra de auto-ajuda. Ronaldo Caiado, apesar de governador experiente, perdia-se no tempo e parecia mais preocupado em ajudar Flávio atacando Lula do que em se apresentar ao Brasil.
Tendo em vista como foi este debate, dificilmente os dois primeiros colocados irão a outro no primeiro turno. Talvez ao da TV Globo, o último antes da votação e com maior número de espectadores. E, ainda assim, se a emissora convidar apenas os quatro adversários que possuem direito, por lei, a estarem presentes por contarem com ao menos cinco parlamentares no Congresso.
Diante do debate ruim, Lula e Flávio, que estão bem à frente dos demais, passaram a imagem de que jogam a série A, enquanto os três deste domingo estão na B, mas com chutões e caneladas típicas de uma pelada de casados e solteiros. Por mais que queiram valorizar o evento de hoje, a ausência deles não muda em nada o quadro eleitoral.
Aliás, Lula aproveitou e deu entrevista à Record no mesmo horário, falando das investigações contra seu filho, Fábio Luís, pela Polícia Federal. O presidente e a emissora foram atacados pelos adversários por isso, mas as críticas tiveram bem menos audiência que a entrevista.
Em síntese, quem saiu lucrando foi quem dormiu. Como Gilberto Kassab, presidente do PSD e vice na chapa de Caiado, flagrado cochilando na plateia do evento.
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