Instituto Mauá pesquisa uso de etanol hidratado em motores a diesel
O Instituto Mauá de Tecnologia está pesquisando o uso de etanol hidratado em motores originalmente projetados para funcionar com diesel, com foco em veículos pesados, máquinas agrícolas e equipamentos fora de estrada.
A intenção é avaliar a viabilidade de utilizar um combustível renovável em plataformas já existentes, com alterações estruturais mínimas.
Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e empresas como a Tupy, o estudo retoma pesquisas iniciadas na década de 1980 e utiliza sistemas de controle eletrônico mais avançados para investigar o desempenho do etanol em motores de ignição por compressão.
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A iniciativa busca ampliar as alternativas energéticas para operações que dependem do diesel, aproveitando a infraestrutura industrial e de abastecimento já disponível no país. A pesquisa também considera os efeitos da variação dos preços dos combustíveis sobre a competitividade e a segurança de suprimento.
O trabalho consiste em verificar se uma mesma plataforma originalmente concebida para diesel pode operar também com etanol hidratado, sem mudanças estruturais relevantes.
De acordo com Mario Eduardo Santos Martins, coordenador do Grupo de Pesquisa em Motores, Combustíveis e Emissões da UFSM, o que se observa em bancada é que o motor mantém os níveis de torque e potência ao migrar do diesel para o etanol hidratado, o que valida o conceito de um motor a etanol para o transporte pesado.
Segundo o pesquisador, a proposta é demonstrar a flexibilidade de uma plataforma de ignição por compressão para utilizar combustíveis diferentes, mantendo características de desempenho próximas às obtidas com diesel.
Testes avaliam desempenho e emissões
Os ensaios realizados até agora indicam que o motor consegue operar com diesel ou etanol hidratado, alcançando níveis equivalentes de torque e potência sem alterações estruturais significativas. Os resultados são preliminares e ainda dependem de novas etapas de calibração e testes para aprofundar a avaliação da tecnologia.
A investigação combina modelagem computacional tridimensional, testes em bancada dinamométrica e análises de desempenho e emissões. A expectativa é avaliar possíveis ganhos de eficiência e redução de emissões nas próximas fases do projeto.
Etanol pode ampliar alternativas para o transporte pesado
A pesquisa busca adaptar uma tecnologia à realidade brasileira, levando em conta a infraestrutura existente, o parque de motores em operação e a disponibilidade de combustíveis renováveis.
Segundo Clayton Zabeu, professor de Engenharia Mecânica do Instituto Mauá de Tecnologia, o objetivo é avaliar a viabilidade técnica e operacional da solução, e não desenvolver um novo motor.
O etanol é uma alternativa de interesse no Brasil por contar com uma cadeia produtiva consolidada e ampla experiência de uso em veículos leves. A aplicação em motores de maior porte poderia ampliar o mercado para o combustível e criar novas possibilidades para a descarbonização de atividades agrícolas e industriais.
O estudo também menciona o metanol como uma possibilidade futura, desde que produzido de forma sustentável.
As próximas etapas incluem o refinamento da calibração do motor com apoio de simulações computacionais e a ampliação dos testes em condições reais de operação.
Segundo o cronograma apresentado pelos pesquisadores, o trabalho de calibração está previsto para o segundo semestre de 2026, enquanto os ensaios em condições reais devem avançar ao longo de 2027.
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