PF aponta que Willer Tomaz pagou para retirar do ar notícias que citavam relação com Flávio Bolsonaro

Mensagens e documentos apreendidos pela Polícia Federal (PF) indicam que o advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez pagamentos para retirar da internet reportagens que o relacionavam ao parlamentar, que é candidato à Presidência.
Segundo relatório da investigação, a PF encontrou no celular de Willer mensagens enviadas por um serviço que oferece a remoção de conteúdos negativos da internet.
O caso foi revelado pelo jornal O Globo e confirmado pela TV Globo.
O número registrado no contato pertence à empresa "Seu Nome Novo de Novo", que afirma atuar na proteção da "reputação digital com estratégias para remoção e desindexação de notícias, processos, imagens, vídeos e links que impactam o seu nome na internet", segundo o site da empresa.
Uma planilha encontrada no material reúne 12 links de reportagens sobre Willer e indica que os conteúdos foram removidos pela empresa. Entre o material removido estão reportagens consideradas "prejudiciais à imagem de Willer Tomaz na internet", algumas das quais mencionavam o advogado e Flávio Bolsonaro.
Planilha e mensagens mostram conteúdo que teria sido removido a pedido de Willer Tomaz — Foto: Reprodução
Segundo a PF, os elementos analisados indicam que o advogado teria contratado e pago um terceiro para retirar ou desindexar esses conteúdos dos resultados de busca do Google.
Entre as notícias listadas na planilha estavam uma reportagem sobre uma disputa envolvendo uma mansão milionária que citava Willer como amigo do filho de Bolsonaro e outra sobre Flávio Bolsonaro, cassinos e operadoras em Las Vegas. O material não está mais disponível.
As mensagens analisadas pela PF foram enviadas em outubro de 2025. Nelas, o perfil da empresa informou que cobraria R$ 1 mil pela remoção de cada link, o que totalizaria R$ 12 mil.
"Entre esse material, foram identificadas imagens relacionadas a investigações pretéritas, reportagens e conteúdos potencialmente prejudiciais à sua imagem pública. Nesse contexto, os elementos analisados indicam, ainda, que o investigado teria contratado e remunerado um terceiro com a finalidade de promover a remoção ou desindexação desses conteúdos dos resultados de busca do Google", aponta o documento.
No entanto, o representante afirmou que seria dado um desconto porque Willer já havia pago R$ 3 mil pela remoção de um link que teria voltado a aparecer, totalizando então em R$ 9 mil o valor a ser pago por Willer.
Advogado afirma que medida se refere a uma ação sobre "conteúdo desatualizado".
Em nota, a defesa de Willer afirmou que a medida se refere a uma ação sobre "conteúdos antigos e desatualizados".
"Willer Tomaz jamais buscou desvincular sua imagem da de Flávio Bolsonaro, de quem é amigo. Que um relatório da PF se ocupe disso, sem qualquer relação com o objeto da investigação, só confirma que se trata de uma pescaria probatória com fins eleitorais".
Inquérito no STF
A investigação começou na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, onde eram apurados crimes como lavagem de dinheiro e evasão de divisas e a utilização de casas de apostas no suposto esquema.
Devido ao foro especial do senador Flávio, o caso subiu do Rio Grande do Sul para o Supremo em 8 de outubro. A Procuradoria-Geral da República analisou os indícios e se manifestou pela abertura da investigação.
Flávio e o advogado Willer Tomaz são amigos e têm afirmado que não têm negócios juntos.
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