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Monday, November 2, 2026

Bye bye Rui Borges. Bem vindo Paulo Fonseca?

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa agora uma edição extra do "E o Campeão É". Eu sou a Maria João Simões, comigo e com o Bruno Vieira Amaral estão o Augusto Inácio e o João Castro. Olá, bom dia aos dois. Muito obrigada por se juntarem a nós.

Bom dia.

Bom dia. É oficial. Bom dia, João. É oficial, Rui Borges já não é treinador do Sporting. Tiago Fernandes assume o comando técnico de forma interina, mas a direção leonina diz que o anúncio do novo treinador principal será feito ainda esta semana. O nome que se fala é o de Paulo Fonseca, atual treinador do Lyon. Inácio, já vamos falar do sucessor, mas pelo que assistimos nas últimas semanas, podemos dizer que era inevitável esta saída? Rui Borges falhou nos momentos decisivos ou faltou-lhe mais tempo e até apoio da estrutura para implementar as ideias que tinha para o Sporting?

Mais uma vez, bom dia.

Bom dia, Inácio.

Deixa-me dizer que, em primeiro lugar, é preciso destacar a profunda rutura que o Sporting fez, neste caso, o seu presidente da administração. Não foi o treinador que fez aquelas saídas todas, jogadores muito importantes, salvo erro, cinco, seis jogadores daqueles considerados titulares da equipa principal e que muitas alegrias deram aos sportinguistas. Depois, claro, o Rui Borges, eu não percebi essa situação do presidente do Sporting estar com a fobia de fazer mais um ano de contrato com o treinador quando ele tinha mais um ano. Não chego a perceber, cometeu o mesmo erro Rui Costa com o Roger Schmidt, tinha mais um ano e também renovou o contrato, porque estava com medo de perder o treinador. O que é certo é que vieram jogadores novos e nestas situações há que dar tempo também para que as coisas possam ter um volume. Porque o critério da continuidade do Rui Borges, e separarmos isso, de aumentar mais um ano de contrato, é porque tinham enorme confiança naquilo que era o trabalho até então realizado pelo treinador. A partir do momento em que o Rui Borges perde e o Sporting perde com o Tondela, a Taça de Portugal, automaticamente a posição do treinador ficou muito fragilizada. Era só uma questão de os resultados não aparecerem no início da temporada, para as coisas começarem a ficar em causa. Foi o que aconteceu. O Sporting empata com o Estrela, o Sporting a ganhar por 2 x 0 ainda por cima, o Sporting empata com o Arouca em casa, a ganhar por 2 x 0, empatou. E depois, há aquela situação em que parecia que estava ali um balão de oxigênio novo, que estava a entrar ali em Alvalade. Foi a vitória em Braga e a vitória em Londres para a Liga dos Campeões. E parecia que as coisas estavam encaminhadas. Só que o Sporting perde com o Midtjylland para a Liga dos Campeões e perde depois com o Académico de Viseu em casa. A partir daí, já não havia ambiente para o Rui Borges, mas dizer, e só, que a culpa é só do Rui Borges, acho que é muito redutor, porque acho que aquela cúpula foi realmente a mais culpada de toda essa situação, porque só quem não conhece o futebol e só quem não foi treinador, por exemplo, o João Castro se calhar agora que já tem o curso de treinador, já pode ter uma ideia, eu diria que é muito difícil tu teres uma base, uma equipa sólida e que seja consistente e depois saírem mais de metade da equipa e colocar outros, se calhar, sem o mesmo nível de qualidade dos que saíram, e dizer que aqui está uma equipa competitiva, vamos lutar por todos os títulos. As coisas não são assim.

João Castro, quer responder ao Inácio?

Bom dia a todos.

Bom dia, João.

É verdade. Sem a sua base, obviamente, as coisas tornam-se difíceis, não sendo impossível. E basta ver o que o Porto fez, uma renovação total e depois acabou por ser campeão. Mas é a exceção que confirma a regra. E basta ver o nível defensivo do Sporting. Sem Diomande, que eu acho que foi um pecado capital, a saída do Diomande, porque o Sporting não tinha nenhum central com essa dimensão física e com essa liderança da defesa. Veio o Bah, mas veio lesionado. E, portanto, o Sporting defensivamente tem sido um problema. Depois, obviamente, perdeu-se também a liderança no campo. O Hjulmand era um líder lá dentro e o Sporting nesta altura não tem. Não tem nenhum líder dentro de campo, ou seja, não tem uma extensão do treinador dentro do mesmo. Depois perdeu-se, pra mim, um jogador que fazia o tiki-taka do Borges funcionar, que é o Trincão. Para mim são estes os três pontos-chave. Obviamente, também se perdeu o Paulo Gonçalves, perdeu-se o Bragança, mas eu acho que estes três são pontos-chaves por aquilo que eu mencionei. Portanto, a liderança na defesa, a liderança dentro do campo do Hjulmand e a magia do Trincão que fazia o tiki-taka funcionar.

João, o Inácio falava em ambiente. Como é que um balneário reage a uma mudança de treinador a meio do campeonato? E a meio de competições importantes como a Champions?

Às vezes reage bem. Normalmente até costuma reagir bem à escoada psicológica, na maioria dos casos. Depois, a continuidade dessa melhoria é que já é mais difícil, depende muito realmente do novo treinador. Não é um caso único, obviamente, todas as grandes equipas já trocaram de treinador, ainda recentemente Benfica, Porto, também o fizeram. E agora vamos ver como é que o Paulo Fonseca pega na equipa agora, antes do jogo. Temos que dizer que este jogo foi preparado pelo Rui Borges. Atenção, Tiago Fernandes pouco mais vai fazer do que escolher o 11 e dar a palestra, porque a viagem é hoje para Londres.

Estás a falar do jogo de quarta-feira, frente ao Shakhtar Donetsk.

Não, terça. O jogo de amanhã. Toda essa preparação foi feita pelo Rui Borges. Ninguém pense que vai ser o Tiago Fernandes. Isto já aconteceu em 2018. Tiago Fernandes também foi a Londres no célebre Arsenal 0, Sporting 0. Conseguiu o empate num jogo onde o Sporting praticamente nem rematou à baliza, mas conseguiu esse empate em Londres, mas é um jogo de carácter essencial. Deixa-me só dizer aqui uma coisa que o Inácio referiu em termos de resultados do Sporting. Onde a corda quebrou mesmo, da confiança da direção, foi no jogo do Midtjylland. Foi aí que a corda quebrou, porque a direção percebeu que a equipa não estava ligada, não respondeu. O final do jogo também foi penoso, com as declarações do Rui Borges e, portanto, a direção percebeu aí. E foi a partir desse momento que se começou a fazer um plano A, plano B, para se tentar mudar o rumo ao Sporting.

Bruno, Benfica e Sporting ganham vantagem com esta instabilidade em Alvalade ou a mudança de treinador no Sporting pode até ser uma espécie de tônico, o que faltava para reincender o campeonato?

Benfica e Porto

Sim, se ganham vantagem contra.

Ganham vantagem. Tinhas dito Sporting.

Ai, grande chuca.

A instabilidade, em princípio, nunca é boa para o clube que está mergulhado nessa instabilidade. Portanto, o Porto e Benfica podem ter alguma vantagem em relação a isso. Tem mais vantagem já neste momento, pelo momento que o Sporting está a atravessar. E eu acho que a responsabilidade deste momento é total do presidente do clube.

Frei Verandas.

Sim, acho que é uma sucessão de erros e este é mais um, porque eu nunca percebi muito bem porque os presidentes dos clubes despedem um treinador num momento tão precoce da temporada, sobretudo um treinador que se já haveria razões para o despedir, elas estavam lá já desde o ano passado. Depois da final da Taça, o que é que Frederico Verandas optou por fazer nessa altura? Em vez de despedir o treinador, fez aquilo que poucos fazem, poucos presidentes fazem, que é mudar praticamente o plantel ou uma parte substancial do plantel, ou um núcleo de jogadores muito importantes do plantel do Sporting. Mas se o fez, é porque acreditava que Rui Borges era o homem certo para liderar esta nova fase com outros jogadores. Como é que ao fim de 10 jornadas e três ou quatro jornadas da Liga dos Campeões, isso muda completamente? Eu acho sempre estranho, aliás, como disse o mesmo quando o Benfica de Rui Costa despediu Roger Schmidt e Bruno Lage depois de duas ou três jornadas. Claro que aqui não foram duas ou três jornadas, mas vai dar ao mesmo. Como é que o homem que era certo para liderar o projeto, ao fim de 10 jornadas, já não é? Muda-se a equipa, muda-se os jogadores. Jogadores que eram muito importantes para esta época do Sporting.

Como dizia lá o Inácio e o João Castro.

Exatamente. E se mantém o treinador, é porque se acredita nas capacidades do treinador. É um jogo contra o LASK Linz, que faz com que na direção se perceba: "Epá, Rui Borges não é o homem certo." Eu acho isso muito difícil de compreender e acho que Rui Borges acaba por ser o menos responsável por isso tudo. Agora, os resultados não estavam a ser bons, mas fazer depender tudo sempre dos resultados, revela também uma falta de estratégia e falta de pensamento a longo prazo.

Agostinho Nascimento, o sucessor parece então ser Paulo Fonseca, atualmente no Lyon. Consegues compreender esta escolha?

Bem, para sair Rui Borges, tinha que entrar alguém.

Exato.

Agora, quem seria? Falou-se aí de vários nomes. É verdade que o Sporting falou com Abel Ferreira e falou com Leonardo Jardim. Simplesmente, esses dois treinadores portugueses estão na luta direta, os dois, pela luta do Brasileirão a poucas jornadas do fim e estão separados por três pontos. Seria difícil eles virem. De qualquer maneira, mesmo que eles estivessem livres, sinceramente, tenho dúvidas de que eles pudessem vir, porque o salário deles também é muito alto e não sei se eles teriam muito dispostos a voltar a Portugal para trabalhar. Diria que ao Paulo Fonseca, é uma pessoa que eu conheço bem, foi meu jogador no Marítimo, já lá vai uns aninhos, é verdade. Tenho acompanhado a carreira dele, tem tido mais momentos altos do que momentos baixos. É verdade que no Milan as coisas não correram bem, como não corre bem a quase ninguém. Vamos lá ver o que é que o Roberto Mancini vai fazer, porque aquele é um clube mesmo talhado para fazer de cemitério para os treinadores. Diria que o Shakhtar foi realmente o ponto alto do Paulo Fonseca, que agora estava no Lyon e penso que estava a fazer um belo trabalho. Penso que está mais maduro, está mais experiente, depois de ter passado pelo Porto e depois ter feito uma grande época no Paso Querón, onde ficou em terceiro lugar. Diria que é capaz, digo eu, de estar com a experiência necessária para mandar o Sporting. Agora, atenção, que ele vai entrar num clube em que ganhou algumas coisas ou muitas coisas. Ganhou três campeonatos, ganhou taças, é verdade, fez uma grande Champions o ano passado, e que agora os adeptos, costuma-se dizer, estão habituados a comer lagosta e não querem comer carapau.

Exato.

Ou seja, querem ganhar. Só que as condições do clube neste momento não dá para o treinador.

Não são as mesmas de quando comiam lagosta.

Exatamente. Por isso, se não tiverem paciência e se realmente as coisas não começarem a correr bem, se começam a pôr em causa o valor do Paulo Fonseca, então o Sporting vai ter este ano três ou quatro treinadores.

João Castro, do que se conhece o Paulo Fonseca, o que é que vai trazer de novo que Rui Borges não tinha ou que deixou de ter?

Olha, eu acho que é um treinador diferente. Desde já, mandar uma palavra também de apreço ao Rui Borges pelo que fez no Sporting, o momento difícil que entrou, os títulos que conquistou.

É verdade.

Obviamente, a Champions que fez e, portanto, gratidão por tudo que o Rui Borges fez, até porque o lado humano nesta altura também interessa um pouco e não é fácil. Não é um momento fácil para o Rui Borges. Em relação ao Paulo Fonseca, é um bocadinho diferente a filosofia. Nota-se que os jogadores gostam dele, ou seja, agarra muito rapidamente também os grupos de trabalho, os jogadores ontem do Lyon, quase a pedirem para ele ficar.

Não foi uma despedida em grupo, foi um abraço em grupo.

Sim. E, portanto, tem isso, nota-se nas passagens. Um treinador que também ficou duas ou três épocas na Roma, demonstra que realmente é um bom treinador. Porque também não é um clube fácil. Joga no 4-2-3-1, mas a atacar é diferente. Ou seja, na segunda fase, gosta de construir a partir de trás, isso agora quase todos gostam, com o guarda-redes, também essencial. Depois, joga muito já numa segunda fase mais ofensiva num 3-2-5. Portanto, constrói com três, basicamente é o médio que desce e pode ser o lateral, mas é o médio que desce e fica junto dos centrais a construir, depois com duplo pivô. Os extremos jogam por dentro e os laterais por fora, muito abertos. Portanto, é um bocadinho diferente realmente do Rui Borges, embora aí as características do jogador possam ter que fazer mudar, porque o Geni joga mais por fora. E, portanto, vai aqui haver algumas, se calhar, alterações aos dinamismos deles. Funciona muito com os triângulos exteriores. É um treinador que gosta muito de pressionar alto também, sempre a pressionar muito alto. Só na Roma é que ele mudou para jogar em 3-4-3 por três centrais, porque em Itália joga-se muito com esse sistema, com uma linha avançada num 3-2-5. E, portanto, ele para defender em Itália optou por três centrais a partir de um certo momento na Roma. Mas depois é um treinador que gosta da pressão e reage Quando a equipa reage muito bem à perda da bola, tenta ligar logo com o avançado, ou seja, é mais vertical nesse aspecto. Tenta ligar muito rapidamente com os homens da frente. E depois eu acho que é uma equipa que se vai tornar mais ofensiva do que a que estava nesta altura do Sporting. É uma equipa que acho que vai jogar melhor futebol, diga-se de passagem. E acho, essencialmente, Maria João, que aqui é importante salientar esta mudança brusca agora, nesta altura, e forçar nesta altura, eu acho que tem muito a ver com o jogo do Manchester e do Porto que aí vem. Ou seja, era preciso dar ao novo treinador tempo para entrar e já ter as dinâmicas mais ou menos bem definidas para esse jogo do Dragão, que eu acho que é claramente decisivo para o Sporting reentrar nas contas do título. E o jogo do Manchester pode ser fundamental para a caminhada da Champions. Entrar tinha que ser agora e, portanto, se calhar esta mudança brusca. Basta relembrar, as pessoas não estiveram muito atentas ao jogo do Sporting na sexta-feira, mas, por exemplo, o diretor geral do Sporting, Bernardo Palmeiro, que é normalmente quem apoceia os jogadores, não veio com a equipa, ou seja, não chegou no autocarro, chegou com o Frederico Varandas no carro. Isto alertou-me logo e quando estávamos a fazer o jogo no observador, alertou-me porque alguma coisa estava a passar, porque normalmente o diretor vai sempre com a equipa. Eu acho que o Rui Borges, nessa altura, quando presenciou que o diretor não estava no autocarro, eu acho que sentiu que alguma coisa se estava a passar e, portanto, foi assim feito. Mas Paulo Fonseca realmente é um excelente treinador. No Porto, não conseguiu provar, porque era muito cedo, lidar com muitos egos do balneário, era preciso ele construir uma boa equipa técnica e ter mais experiência, mas fez um bom trabalho no Braga, venceu a taça no Braga. Além de tudo que aquilo que o Inácio já referiu. Portanto, eu acho que é uma boa opção dentro dos treinadores portugueses. É uma boa aposta, mas eu acho que tem que ser uma aposta de projeto, não é só para fazer esta época. Portanto, dar uma continuidade.

Bruno, num minuto, o próximo treinador, seja Paulo Fonseca ou outro, entra, como disse o João Castro, num momento exigente para o Sporting. Champions, luta pelo título. O que é que vai ser o maior desafio que ele vai ter?

É um momento exigente, mas não se pode exigir muito do treinador que vier. Não se pode exigir que, de repente, ponha o Sporting lá em cima a disputar o título. Claro, espera-se bons resultados na Champions, onde o Sporting tem boas hipóteses, pelo menos ser apurado via playoff, mas não se pode exigir agora, nesta altura, que o treinador chegue e de repente ponha o Sporting lá em cima. Esse é um dos problemas de se mudar de treinador nesta altura, é que a época ainda é longa e o desgaste pode ser grande. E depois em que condições é que o treinador parte para a época seguinte? É porque pode estar a ser responsabilizado na preparação para a próxima época de maus resultados desta época, que não são da sua responsabilidade. Quanto à escolha, se for Paulo Fonseca ou se fosse qualquer outro dos nomes que estava a ser falado. Leonardo Jardim, Abel Ferreira, o mesmo Sérgio Conceição ou Vítor Pereira, eu acho que são todos treinadores de um nível um pouco acima do Rui Borges. Parece-me que sim. Mas olhando também para o percurso de Paulo Fonseca, podemos ver que onde as coisas normalmente correm bem, por exemplo, no Shakhtar, a ele correram-lhe bem. Noutros sítios, sim, há qualidade de futebol, mas as coisas não correram nada bem na experiência que teve num grande, no Futebol Clube do Porto, e também não foram muito famosas, por exemplo, no Milan, foram assim na Roma e no Lyon também eu acho que se distingue mais até do que pela conquista de títulos, se distingue mais pela qualidade de jogo que se vai vendo, a identidade que ele consegue transmitir e impor nas suas equipas. E será isso que os adeptos do Sporting também esperam que rapidamente ele consiga criar essa identidade. Agora, é uma jogada muito arriscada e neste momento, mais do que Paulo Fonseca, fica em causa o próprio Frederico Varandas.

Augusto Inácio e João Castro, muito obrigada aos dois. Um bom dia para vocês.

Bom dia, obrigado.

E o "Campeões" regressa à hora habitual depois do Jornal da Uma.

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