Brasil está prestes a passar os EUA como maior superpotência agrícola

"E isso se intensificou nos últimos anos. Os EUA ocupavam a posição de principal exportador agrícola para a China até 2017, quando foi lançada a primeira guerra comercial de Trump." Houve quebra de confiança na relação sino-americana, fazendo crescer a demanda junto ao Brasil. "É fato também que a gente conseguiu atender a essa demanda, o que não era algo óbvio."
Em visita a Pequim, Silvia Massruhá, presidente da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), vinculada ao Ministério da Agricultura, comentou por quê. Citou, por exemplo, como a soja foi adaptada ao Centro-Oeste, alcançando produção em massa.
"Em 53 anos, nós passamos de importador para o grande produtor e exportador de alimentos graças à ciência e tecnologia", diz ela. "O segredo da Embrapa é que ela gera tecnologia, que é um dos três pilares, junto com capacitação e políticas públicas associadas. Esse tripé fez chegar onde a gente chegou."
Meio século atrás, o Brasil não pensava em exportar, mas em garantir segurança alimentar. "Só que, com a diversidade de solo e clima que a gente tem e a adaptação que a gente fez, o país começou a exportar", diz Massruhá. E então surgiu a China, "a grande demandante".
Olhando para a frente, esta mesma China não quer ser tão dependente do Brasil. O que pode ser bom também para o Brasil, argumenta Wachholz. "Ninguém quer depender de um só fornecedor, nem depender de um só comprador."
Os agricultores chineses querem agora, por exemplo, elevar a produtividade da soja. Como não têm condições de aumentar a área plantada ou água em quantidade suficiente, estão dispostos a usar sementes geneticamente modificadas. "Faz sentido, EUA e Brasil têm produtividade bastante acima da chinesa justamente por fazerem uso dessas sementes", diz a especialista.
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