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Sunday, October 11, 2026

Como ataque a aeroporto na Arábia Saudita eleva tensão em um Oriente Médio já explosivo

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    • Author, Frank Gardner
    • Role, Repórter de Segurança da BBC News
    • Author, Jon Donnison
    • Reporting from, Jerusalém
  • Published

  • Tempo de leitura: 4 min

Pelo menos 12 pessoas morreram e 309 ficaram feridas em um ataque no sábado ao aeroporto internacional de Riad, na Arábia Saudita, segundo autoridades locais.

Entre as vítimas fatais, estavam quatro sauditas, duas pessoas de Bangladesh e cidadãos de Estados Unidos, Jordânia, Palestina, Síria, Sudão e Egito, confirmou a autoridade de aviação civil saudita.

As operações no Aeroporto Internacional Rei Khalid foram suspensas após o ataque, o mais mortal no reino desde maio de 2015.

Uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita prometeu responder ao ataque, que classificou como um "crime de guerra" e atribuiu aos houthis do Iêmen.

Os houthis não comentaram o ataque de sábado, mas afirmaram ser os responsáveis pelos ataques ao mesmo aeroporto na quinta-feira, que mataram três pessoas e danificaram um avião.

A Arábia Saudita não estava preparada para isso.

Nas últimas semanas, os houthis do Iêmen intensificaram seus ataques em solo saudita, incluindo a infraestrutura crítica do país — como o principal aeroporto da capital — penetrando com facilidade as defesas aéreas sauditas.

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Os houthis são um grupo político e religioso armado do norte do Iêmen que defende a minoria muçulmana xiita do país, os zaiditas.

Eles se declaram parte do "eixo da resistência" liderado pelo Irã contra Israel, os EUA e o Ocidente em geral, juntamente com grupos armados como o Hamas e o movimento Hezbollah do Líbano.

Os danos físicos dos ataques dos houthis na Arábia Saudita podem ser reparados rapidamente, mas a reputação do país como um refúgio seguro e estável está sendo duramente atingida.

Além de todos os ataques a aeroportos, os houthis têm procurado assumir o controle de posições estrategicamente importantes ao longo da costa do Mar Vermelho e ao redor do Estreito de Bab el-Mandeb. Isso aumenta ainda mais o risco para a segurança da navegação nesse corredor marítimo vital, embora o governo iemenita afirme ter "garantido" a segurança do estreito.

A guerra civil no Iêmen entre o governo do país – reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita – e os houthis, apoiados pelo Irã, já dura mais de uma década. Ela deixou milhares de mortos e mergulhou o Iêmen em uma das piores crises humanitárias do mundo.

Trata-se de um conflito geopolítico complexo e frequentemente confuso, e essa escalada recente precisa ser vista no contexto mais amplo da tensão entre o Irã, os EUA e Israel.

Desde a insurgência da Al-Qaeda em meados dos anos 2000, a Arábia Saudita não enfrentava uma ameaça tão séria.

O governo saudita superou esse desafio por meio de uma eficaz campanha de conquista de corações e mentes na região. Em seguida, resistiu aos levantes da Primavera Árabe em toda a região, que derrubaram líderes na Tunísia, Líbia, Egito e Iêmen.

O país até mesmo ignorou – com certa irritação – um ataque de mísseis balísticos iranianos contra Riad em março.

Mas este caso é diferente. A Arábia Saudita tem uma das forças aéreas mais poderosas do Oriente Médio e vem realizando ataques aéreos devastadores contra posições houthis. Apesar disso, as forças opositoras conseguiram tomar grandes porções do país, principalmente no norte e oeste.

Mas os houthis sabem exatamente onde contra-atacar: na economia saudita.

Como parte do "eixo da resistência", os houthis são um parceiro estratégico vital para o Irã. De Jizan, no Mar Vermelho, ao complexo petroquímico de Khurais, os houthis estão lançando drones explosivos e mísseis com precisão letal.

A rota marítima do Mar Vermelho tornou-se cada vez mais importante, porque o Estreito de Ormuz, do outro lado do Golfo, ainda não foi totalmente reaberto, uma vez que os EUA e o Irã não conseguiram chegar a um acordo para pôr fim à guerra.

Atacar navios no Mar Vermelho é outra forma pela qual os houthis tentam exercer pressão – os ataques causam danos econômicos globais, o que é uma importante moeda de troca para Teerã.

No início de setembro, a Casa Branca declarou que não interviria diretamente no conflito do Iêmen, mas que poderia fornecer apoio de inteligência aos sauditas. Posteriormente, confirmou que estava fornecendo informações de inteligência e que havia enviado especialistas militares à Arábia Saudita.

No entanto, a situação pode ter tomado um novo rumo após o último ataque em Riad, que matou um cidadão americano.

Em declarações à imprensa, o presidente dos EUA, Donald Trump, classificou o ataque de sábado como "terrível" e indicou que poderá intervir militarmente junto aos sauditas.

"Acabamos de tomar conhecimento do ataque recente, então tomaremos uma decisão. Agimos muito rapidamente", disse Trump.

Mas isso agora parece improvável, pelo menos antes das cruciais eleições de meio de mandato nos EUA no próximo mês.

Ao ser reeleito em 2024, Trump prometeu acabar com o envolvimento dos EUA em guerras ao redor do mundo. Apesar disso, os EUA estão atualmente envolvidos em três conflitos não resolvidos no Oriente Médio: em Gaza, no Líbano e no Irã.

Caso Trump se envolva em mais uma polêmica, desta vez no Iêmen, é improvável que isso seja bem recebido pelos eleitores.

Agora tudo indica que esta guerra irá se intensificar antes de terminar em mais uma trégua instável – com ou sem a participação dos EUA.

* Com dados de Abdelbassir Hassan, da BBC Arabic

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