Justiça proíbe gestão Nunes de pressionar servidores a fazer campanha para Flávio
A Justiça do Trabalho determinou nesta sexta-feira (23) que a Prefeitura de São Paulo se abstenha de pressionar ou induzir a participação de servidores em atos de campanha eleitoral e garanta a todos o livre exercício do voto e da orientação política.
A decisão cita denúncias e reportagens segundo as quais, em 17 de outubro, o prefeito teria convocado servidores para um ato de campanha na avenida Paulista em favor da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A decisão, em caráter liminar, é da juíza substituta Yara Campos Souto, da 9ª Vara do Trabalho, em ação ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Caso a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) descumpra a ordem, haverá multa diária de R$ 50 mil.
A juíza mandou a prefeitura divulgar a decisão e os canais de denúncia do MPT a todos os servidores em 10 horas, a partir da intimação. Determinou também que a gestão Nunes comprove a manutenção de um canal sigiloso de denúncias.
Durante o encontro no sábado (17), Nunes pediu aos funcionários que adesivassem carros e fizessem campanha pelo presidenciável nas redes sociais, como mostra vídeo obtido pela Folha.
"Precisamos colocar adesivo nos nossos carros, colocar 22 no peito, ir para as redes sociais, participar dos atos, falar com as pessoas. A gente vai ter, sem dúvida nenhuma, uma grande vitória do Flávio Bolsonaro", disse Nunes.
Segundo o MPT, novas denúncias relatam o recolhimento de celulares em reuniões de comissionados em subprefeituras e a exigência de fotos para comprovar presença, sob ameaça de perda de cargo. Funcionários de creches conveniadas também teriam sido mobilizados, com promessa de compensação de dias e folgas.
Procurada pela Folha na noite desta sexta, a gestão Nunes não respondeu até a publicação deste texto.
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