Sucuri gigante encontrada em Goiás já tinha comido gatos e galinhas, diz bombeiro

A sucuri-amarela de aproximadamente 4,5 metros capturada perto de uma residência no Setor Lagoa Quente, em Caldas Novas, no sul de Goiás, já havia se alimentado de galinhas e gatos que viviam na região. A informação foi confirmada ao g1 pelo tenente Fábio Mesquita, do Corpo de Bombeiros.
No dia da captura, na quarta-feira (4), a serpente estava prestes a devorar um cachorro que pertencia ao morador que acionou a equipe. Segundo o tenente, os moradores encontraram a sucuri com o cachorro e tentaram afastá-la. Com a movimentação, a serpente soltou o animal e se escondeu em um brejo próximo. Quando os bombeiros chegaram, o cachorro já estava morto, após ser asfixiado pela serpente.
A equipe retirou o corpo do cachorro do local e o colocou em uma área mais limpa. Os militares permaneceram nas proximidades e aguardaram. Quando a sucuri saiu do brejo e se aproximou novamente para se alimentar, os bombeiros conseguiram capturá-la.
“Ela pegou o cachorro, mas os moradores mexeram com ela e ela o soltou. Os bombeiros foram ao local e o colocou em uma área mais limpa. Ele já estava morto porque ela o asfixiou”, relatou o tenente.
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O tenente explicou que a serpente foi levada ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), em Caldas Novas. Depois, uma foto publicada pelo secretário municipal de Meio Ambiente, Sérgio Gustavo Silva, mostrou o animal sendo devolvido ao habitat natural.
Captura mobilizou cinco bombeiros
A serpente foi capturada e levada ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres pelo Corpo de Bombeiros — Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros
De acordo com Fábio Mesquita, cinco bombeiros participaram da captura. Ele contou que, em 20 anos de serviço na corporação em Caldas Novas, essa foi a terceira vez que participou de uma ocorrência envolvendo uma serpente desse porte.
“Mas nunca houve maior que essa. Ela é muito grande mesmo. Muito grande”, afirmou.
A sucuri foi encontrada em um ribeirão próximo à residência, no Setor Lagoa Quente. A presença do animal preocupou os moradores, principalmente pela circulação de crianças e de outros animais domésticos nas proximidades.
Sucuri não tem veneno
Ao g1, o biólogo Edson Abrão explicou que a serpente é uma sucuri-amarela adulta. Pelas imagens, não foi possível identificar se o animal é macho ou fêmea. A espécie não possui peçonha, mas tem uma musculatura muito forte e captura suas presas por constrição.
“Então, ela não injeta peçonha quando morde uma pessoa. Mas ela mata animais por constrição, ela é um animal muito forte. Na América do Sul, ela é a serpente que mais tem força no corpo, e se alimenta de qualquer animal”, explicou.
🔍 A constrição é uma forma de predação em que a serpente envolve o corpo da presa e usa a força muscular para imobilizá-la. A alimentação da sucuri pode incluir mamíferos, peixes, jacarés e até outras serpentes.
Segundo Abrão, por ser semiaquática, a sucuri pode ter se aproximado da residência em busca de abrigo ou alimento. Ele também destacou que a presença de um animal adulto e desse porte na região pode indicar equilíbrio ecológico.
O biólogo ressaltou que a espécie ocupa uma posição importante na cadeia alimentar, ajudando a controlar populações de outros animais. Ele reforçou ainda que serpentes não devem ser mortas quando aparecem em áreas residenciais.
O que fazer ao encontrar uma serpente?
O Corpo de Bombeiros orienta que, ao encontrar uma serpente, a população mantenha distância e não tente tocar, capturar ou afugentar o animal. Crianças e animais domésticos devem ser afastados do local.
Se possível, o animal pode ser observado de longe, sem ser cercado ou acuado. Para solicitar atendimento especializado, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.
*Michely Loures é integrante do programa de estágio entre TV Anhanguera e Universidade Federal de Goiás (UFG), sob orientação de Gilmara Roberto.
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