Flávio Bolsonaro trata Supremo e Moraes como cabos eleitorais

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Flávio Bolsonaro ainda não se deu conta. Mas a pior vingança de um político é permanecer fiel ao erro. Neste sábado, num comício em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, o candidato falou como se estivesse eleito. E atribuiu ao seu êxito presumido um caráter de revanche contra os que fizeram do seu pai um presidiário.
Discursando do alto de um carro de som, o filho de Bolsonaro vociferou: "Vocês verão aqueles que tentaram calar Jair Messias Bolsonaro, aqueles que tiraram o poder dele na mão grande são os mesmos que estão colocando Flávio Bolsonaro na cadeira de presidente". Nessa versão, Bolsonaro é convertido de líder do complô do golpe em vítima de perseguição.
Em condições normais, as declarações de Flávio Bolsonaro seriam apenas palavras ocas de um filho magoado. O problema é que as falas foram acompanhadas da reiteração de uma dissonância cognitiva. Ele reafirmou que será entronizado no cargo de presidente pelo pai: "Vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa de presidente."
De duas, uma: ou Flávio Bolsonaro supõe que conseguirá arrancar do Congresso uma anistia entre sua eventual vitória e a posse ou conta com um empurrãozinho de Nunes Marques. O ministro é relator do pedido de revisão criminal formulado pela defesa do condenado. Já declarou que levará o tema à pauta após a proclamação do resultado do segundo turno.
Brasília treme com a hipótese de Nunes Marques conceder uma liminar que liberte Bolsonaro. Na política brasileira, como nas novelas, a vingança é um desfecho tão antigo quanto usual. Mas a transformação do Supremo e de Alexandre de Moraes em cabos eleitorais e de Bolsonaro em ex-presidiário por liminar seria um epílogo inusitado para o projeto de revanche.
Opinião
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