Netanyahu não expulsou delegação do Brasil da Assembleia-Geral da ONU

É falso que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tenha convidado a delegação do Brasil a se retirar do plenário da Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York.
Em discurso proferido no evento, o israelense reagiu a um protesto de dezenas de nações e pediu que "covardes morais" deixassem o local, mas no momento da fala a comitiva brasileira não estava no plenário.
O que está circulando

Vídeo mostra o primeiro-ministro israelense na tribuna da Assembleia-Geral da ONU. No trecho do discurso que é exibido, ele diz: "Um rápido anúncio: se houver mais covardes morais que ainda não tenham deixado este salão, por favor, façam isso agora".
As imagens de Netanyahu são sobrepostas pelo seguinte letreiro: "Delegação comunista que Lula levou, é convidado a se retirar do plenário da ONU durante discurso de Netanyahu Presidente de Israel".
Por que é falso
Netanyahu reagiu a delegações que saíram em protesto. Ao ter o nome anunciado no plenário da Assembleia-Geral, o primeiro-ministro israelense foi alvo de vaias, e dezenas de delegações deixaram o local. O episódio foi registrado pela imprensa (aqui, em inglês, e abaixo) e pode ser visto nos minutos iniciais da transmissão oficial do discurso, disponível na íntegra no site da entidade (aqui). O presidente da sessão, Khalilur Rahman, pediu "ordem no salão" e, em seguida, Netanyahu proferiu a fala sobre "covardes morais" que é reproduzida nos posts desinformativos.

Delegação brasileira não estava no plenário. A delegação do Brasil foi uma das que abandonaram o plenário quando o discurso de Netanyahu foi anunciado e, portanto, não foi alvo de um pedido de expulsão ou convite para se retirar do local por parte do israelense. A imprensa registrou que a atitude foi pensada como um protesto contra as ações militares de Israel nos territórios palestinos (aqui).
Lula acusou israelense de "genocídio" em seu discurso. No discurso de abertura da Assembleia-Geral, na terça-feira (22), dois dias antes de Netanyahu subir à tribuna, o presidente brasileiro acusou o israelense de praticar "genocídio" na Faixa de Gaza. "Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas. Perseguir o Tribunal Penal Internacional e seus integrantes é um estímulo para que esses crimes fiquem impunes", afirmou.
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O conteúdo também foi checado por Boatos.org e Reuters.
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