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Monday, September 21, 2026

Partido de Putin vence eleições russas com maioria

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O partido do Kremlin, Rússia Unida (RU), venceu as eleições legislativas realizadas nos últimos três dias na Rússia, segundo os primeiros resultados oficiais divulgados neste domingo (20). A votação ocorreu em meio a denúncias de irregularidades feitas por grupos opositores à guerra na Ucrânia, segundo a EFE.

Além de liderar a votação por listas partidárias, a legenda governista também aparece à frente em 181 das 225 circunscrições eleitorais, segundo a apuração inicial. Caso o resultado seja confirmado, a Rússia Unida se aproximaria da maioria constitucional na Duma, a Câmara dos Deputados russa, que possui 450 cadeiras. Para alcançar esse nível, o partido precisa conquistar mais de 300 assentos.

O resultado também representaria um respaldo político à campanha militar russa na Ucrânia, que foi praticamente o único ponto central do programa eleitoral da Rússia Unida. Segundo o Centro Levada, porém, 59% dos russos defendem um cessar-fogo.

A participação eleitoral superou 56%, acima dos dois pleitos anteriores, e chegou perto de 80% em regiões ucranianas anexadas pela Rússia, como Donetsk e Lugansk.

Rússia Unida amplia resultado em meio à guerra

Segundo a Comissão Eleitoral Central (CEC), com 25,21% dos votos apurados, a Rússia Unida tinha 57,04% dos votos, acima dos 49,82% obtidos em 2021. O resultado parcial representa 125 das 225 cadeiras distribuídas pelo sistema de listas partidárias.

O Partido Comunista da Rússia aparece em segundo lugar, com 13,92% dos votos, seguido pelo Partido Liberal Democrático da Rússia, de perfil ultranacionalista, com 9,31%, e pelo partido liberal Nova Gente, com 8,01%. A legenda Rússia Justa alcançava representação parlamentar com 5,22%.

Entre os outros cinco partidos que participaram da primeira eleição legislativa realizada durante a guerra, apenas o Partido dos Pensionistas superava 2% dos votos, com 2,05%.

O partido pacifista Yábloko não apareceu nas cédulas por listas partidárias após ser excluído pelo Tribunal Supremo. A legenda afirma que teria alcançado cerca de 18% dos votos segundo pesquisas, caso tivesse participado. Ainda há possibilidade de obter cadeiras por disputas em circunscrições individuais.

O Yábloko afirmou que a vitória da Rússia Unida não representa a demanda por paz expressada por parte dos eleitores durante a campanha.

Após os primeiros resultados, o líder da Rússia Unida, Dmitri Medvedev, afirmou que os cidadãos russos mantêm a confiança na principal força política do país, que domina o Parlamento russo desde 2003.

O ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, disse que a Rússia manterá o rumo definido pelo presidente Vladimir Putin e afirmou que o país rejeitou tentativas ocidentais de interferência nas eleições.

Oposição denuncia irregularidades

A CEC afirmou que as irregularidades registradas foram mínimas e não alterariam o resultado da votação. O Yábloko, porém, denunciou problemas como pressão sobre candidatos e dificuldades de acesso de observadores aos locais de votação. O Partido Comunista também relatou problemas semelhantes.

Segundo a oposição, uma das principais questões foi a dificuldade de parte dos eleitores em votar por meio de cédulas físicas e a obrigatoriedade do uso de votação eletrônica em alguns casos, sistema que opositores consideram vulnerável a fraudes.

Alguns eleitores em Moscou disseram à EFE que deixaram de votar por não conseguirem depositar a cédula em uma urna e serem direcionados ao voto eletrônico.

A oposição russa no exílio havia pedido que eleitores contrários à guerra apoiassem candidatos do Yábloko nas disputas por circunscrição e escolhessem partidos capazes de reduzir o número de cadeiras da Rússia Unida pela lista partidária, em uma iniciativa chamada "Meio-dia pela Paz".

Segundo a organização não governamental Vesná, com base em pesquisas realizadas em consulados russos no exterior, o partido mais votado fora do país teria sido o Nova Gente, seguido pelos comunistas.

Ataque com drones marca terceiro dia de votação

No terceiro dia das eleições, Moscou registrou o maior ataque com drones desde o início da guerra, segundo as autoridades russas. Foram relatados 450 drones e ataques com mísseis, incluindo o modelo Flamingo.

O ataque ocorreu um dia depois de o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, aprovar uma nova campanha de bombardeios de longo alcance.

Segundo autoridades russas, três pessoas morreram — um casal e um idoso — e cerca de 20 ficaram feridas na região de Moscou. Quase 500 voos foram adiados ou cancelados.

O prefeito de Moscou e um dos líderes da lista da Rússia Unida, Serguei Sobianin, afirmou que Kiev tentou impedir a realização das eleições, mas que o resultado foi o oposto.

O Ministério da Defesa russo declarou que, em resposta ao "ataque massivo", ampliará os ataques contra alvos militares em Kiev.

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