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Sunday, October 18, 2026

17h. Lisboa e Porto. Protestos continuam com tendas montadas

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Dar a informação. Jornal das cinco, com o José Rafael Lopes e começamos com os protestos em Lisboa e no Porto. Há ainda centenas de tendas montadas na Praça do Rossio e na Praça Dom João I.

Um protesto pelo direito à habitação que começou ontem e dura desde então, com promessas de mais uma noite ao relento por parte dos manifestantes. Vamos fazer uma ronda pelos repórteres da Rádio Observador em ambas as cidades. Começamos por Lisboa com o relato do Carlos Pedro. Carlos, decorre agora uma de três assembleias populares. Os manifestantes apelam a que apareçam mais pessoas no Rossio com tendas e querem também o chumbo do Orçamento do Estado.

É exatamente isso, José. Esta primeira assembleia popular é organizada pelo movimento Casa para Viver. É uma assembleia aberta a quem quiser participar, sem hora para terminar. Os discursos têm sido direcionados contra as políticas deste governo e dos governos anteriores, sobretudo no setor da habitação e contra o aumento do custo de vida que se vive nesta altura. Esses manifestantes vão contando algumas histórias pessoais, ao mesmo tempo que apelam, como dizias, ao chumbo do Orçamento do Estado e à retirada também da nova lei do arrendamento. Já ouvimos também apelos a que os manifestantes comecem também a protestar à frente dos edifícios das respectivas câmaras municipais. Outra nota de registo vai para os acontecimentos da última semana do Porto, com a carga policial sobre os manifestantes em foco. Pede-se aqui, nesta assembleia popular, que o governo e a Câmara Municipal do Porto peçam desculpa pela carga policial da PSP. Depois desta primeira assembleia popular, haverá outra, mais dedicada às causas estudantis, e depois, às 19h, aqui ao lado da Praça do Rossio, vai decorrer um plenário que vai juntar estes manifestantes e é nesse momento que será discutida a permanência ou não destes manifestantes aqui na acampada, sendo que, pelo que vamos percebendo, pelos discursos, pelos cartazes, pelos próprios gritos de ordem, é o objetivo da organização que continue aqui o maior número de pessoas durante a próxima noite. Quanto à polícia, de manhã esteve praticamente invisível aqui na Praça do Rossio, mas por volta da hora de almoço e desde então, têm vindo sempre aqui quatro, cinco agentes da PSP. Junto, não diria das tendas, mas junto da praça, vão fazendo uma ronda para ver se está tudo a decorrer de forma normal. E, de facto, está, sem qualquer incidente. Não falaram com nenhum manifestante, limitaram-se a olhar para a acampada e depois abandonaram a praça. De resto, há também aqui algumas viaturas da polícia, mas não foram obrigados, de todo, a intervir nesta manifestação, que vai decorrendo de forma bastante pacífica, que junta centenas de pessoas na Praça do Rossio que vão ouvindo, lá está, os primeiros discursos desta primeira assembleia popular.

A reportagem do Carlos Pedro, a partir do Rossio, já no Porto. Há também dezenas de tendas montadas com um olhar atento também ao que vai acontecendo em Lisboa. Vamos ao encontro do Miguel Pinheiro Correia. Miguel, depois de algum tempo em silêncio, a Praça Dom João I volta também a encher-se de manifestantes.

Cada vez mais pessoas aqui, José Rafael. Neste momento, não sei se é audível, uma atuação musical hip-hop, rap de improviso, com dezenas de pessoas a assistir. É um dos poucos momentos de animação nesta praça, sendo que o único outro, esta tarde de pouco movimento, foi quando passou aqui uma marcha de apoio a Lula da Silva e notou-se aí uma comunhão com cânticos conjuntos entre essas centenas de pessoas participantes nessa marcha e também as poucas pessoas que ainda estavam aqui na Praça Dom João I, que se tem voltado a encher. Vemos também cada vez mais tarjas. Há pouco estava a ser afixada uma tarja que dizia: "Rendas de luxo, ordenados de lixo." Há pouco espaço para afixar mais tarjas no varandim da Praça Dom João I, mas os protestos não se cingem às tarjas. Há também quem distribua panfletos e há aqui um, que o João, que está aqui comigo, estava a distribuir há pouco, com frases de portuenses também, aqui a dizer: "O portuense não gosta da autoridade, da autoridade vinga-se desprezando." É uma frase de Ramalho Ortigão, que, aliás, nasceu aqui perto. E este panfleto termina com uma frase clara: "Pedro Duarte, demita-se." João, boa tarde. É o único caminho possível para o presidente da Câmara. Por que é que exige esta demissão?

Ora bem, antes de mais, não há portuense que não ame a sua cidade. E aquilo que nos define como portuense, antes de mais, é esta capacidade de trabalhar, de lutar, de nos sacrificarmos. E estamos, inclusive, habituados a ser excluídos das políticas públicas e, portanto, somos bastante resilientes, como gostam de dizer agora. Agora, o povo do Porto não é burro, ou seja, o povo do Porto que nasceu cá ou aqueles que entretanto engrossaram as nossas fileiras, todos nós sabemos que quando nos sacrificamos e fazemos tudo aquilo que podemos e mesmo assim não conseguimos pagar a nossa vida, alguma coisa está errada aqui. E quando o primeiro instinto do senhor presidente da Câmara é tentar reprimir aquilo que faz parte da própria democracia com violência, algo está obviamente mal e este indivíduo, portanto, não cumpre o seu papel e, portanto, não está a fazer nada na Câmara, porque se ele não entende que o diálogo faz parte do seu papel, então não pode servir os portuenses.

E acredita também, muito rapidamente, que há aqui uma contradição, porque o Pedro Duarte disse que a única resposta possível à manifestação era a atuação da polícia. Ontem não houve essa atuação policial. Nota aqui uma contradição?

Há claro uma contradição, mas que explica claramente como é que gerem estas questões. O primeiro instinto, como eu disse, foi reprimir com a violência e depois, como qualquer portuense não gosta de ver isso, a minha falecida mãe dizia: "Bater, bate o relógio horas." E ninguém gosta de ver a violência. Até pessoas que não se envolvem normalmente politicamente Sentiram-se ofendidas com isso e juntaram-se, e só engrossou mais e mais pessoas a juntar-se a este protesto. Portanto, a partir daí, qual é a resposta? É fazer o backtracking, é dizer: "Não, não dissemos isso", como o primeiro-ministro disse. "Não, nós até queremos dialogar com as pessoas, mas nos nossos termos". E isto não é assim. O Pedro Duarte governa porque as pessoas votaram nele. O primeiro-ministro está no governo porque o apoiaram para estar lá para resolver problemas. E o presidente da República, inclusive, também está lá porque foi votado. E se nenhuma destas pessoas nos serve, então temos que partir para novas eleições.

Obrigado, João. Estas críticas a Pedro Duarte, que se têm estendido a muitos manifestantes, também nas tarjas que vamos vendo. Sobre a polícia, há pouco, aqui na Praça Dom João I, não se tem visto ao longo do dia. Os manifestantes, esses continuam e por cá devem continuar nas próximas horas e também nos próximos dias.

A reportagem do Miguel Pinheiro Correia, no Porto, onde anda há dezenas de tendas montadas no protesto pelo direito à habitação.

A Provedora de Justiça pediu à Direção Nacional da PSP informações com urgência sobre a carga policial, sobre manifestantes que acamparam na Praça Dom João I, na madrugada de 15 de outubro.

A instituição adianta que a Provedora de Justiça, Luísa Neto, pediu um conjunto de informações e documentos sobre a operação desencadeada por volta das 3h da manhã. A nota data de 16 de outubro, um dia depois dos acontecimentos, o que é explicado com o facto da carga policial ter sido feita às 3h da manhã. Luísa Neto vai avaliar se a intervenção da PSP foi ou não compatível com o direito de reunião e de manifestações, sendo que nessa nota a empresa provedora de Justiça sublinha ser um direito fundamental.

No Brasil, realiza-se hoje o primeiro debate entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, numa altura em que se aproxima a segunda volta das eleições no país, marcada para dia 25 deste mês.

O frente a frente está marcado para a meia-noite, hora de Lisboa. Vai ser o primeiro confronto entre os dois candidatos à Presidência do Brasil nesta campanha eleitoral. O jornalista brasileiro João Gabriel de Lima diz que podemos esperar um confronto claro entre os dois candidatos. Destaca a importância deste frente a frente. Sobre o debate, acredita João Gabriel de Lima, que Lula da Silva vai assumir uma postura mais estadista.

A estratégia de Lula tem sido até agora, e a gente viu isso pelas entrevistas que ele deu na televisão, tem sido uma estratégia de aparecer como estadista, de falar de realizações do governo dele e, principalmente, falar da presença dele em fóruns internacionais, falar das relações com o Brasil, com os Estados Unidos, com a União Europeia, com a China, e como essas relações foram tocadas no governo dele e, de certa maneira, teriam melhorado.

Já Flávio Bolsonaro deve mostrar-se mais moderado e menos radical. É o que prevê João Gabriel de Lima para o debate.

A estratégia de Flávio Bolsonaro tem sido uma estratégia de se mostrar menos radical que o pai dele, porque os brasileiros se lembram que o pai dele está preso por uma tentativa de golpe de Estado. Então a estratégia de Flávio tem sido, nas entrevistas, aparecer como alguém mais moderado do que o pai, como alguém que vai fazer um governo mais ou menos normal.

A leitura de João Gabriel de Lima na Rádio Observador. O jornalista brasileiro defende que depois do debate, ambos os candidatos vão dizer que venceram este frente a frente. A segunda volta das eleições presidenciais brasileiras está marcada para dia 25.

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