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Tuesday, September 15, 2026

Patricio Guzmán, um dos maiores nomes do documentário chileno, morre aos 85 anos

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Cineasta da trilogia A Batalha do Chile e Nostalgia da Luz morreu em Paris após uma parada cardiorrespiratória

Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)

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Patricio Guzmán, um dos maiores nomes do documentário chileno, morre aos 85 anos (Andreas Rentz Getty Images)

Patricio Guzmán, diretor de obras fundamentais do documentário latino-americano como A Batalha do Chile, Nostalgia da Luz e O Botão de Pérola, morreu nesta terça-feira, 15 de setembro, aos 85 anos em um hospital de Paris, na França. Segundo fontes próximas ouvidas pelo jornal chileno La Tercera, o cineasta sofreu uma parada cardiorrespiratória.

Nascido em Santiago, em 1941, Guzmán construiu uma carreira marcada pela investigação da memória histórica do Chile. Seu cinema passou especialmente pela ditadura de Augusto Pinochet, pelo governo de Salvador Allende e pelas marcas deixadas pela violência política no país. Em 2023, sua trajetória foi reconhecida com o Prêmio Nacional de Artes da Representação e Audiovisuais do Chile, tornando-o, ao lado de Raúl Ruiz, um dos únicos cineastas a receber a honraria.

O primeiro longa de Guzmán foi O Primeiro Ano, de 1972, documentário sobre o início do governo de Allende. O filme chamou a atenção do francês Chris Marker, que adquiriu seus direitos de exibição na França. Foi também Marker quem forneceu o material cinematográfico usado pelo diretor para realizar sua obra mais conhecida.

Filmada durante o período que antecedeu e sucedeu o golpe de Estado de 1973, A Batalha do Chile registrou o processo de ascensão e queda do governo da Unidade Popular. Dividida em três partes e concluída durante o exílio, a obra se tornou um dos mais importantes registros cinematográficos daquele período e projetou Guzmán internacionalmente.

O cineasta passou boa parte da vida no exílio, entre Espanha e França, e continuou investigando a história recente do Chile em trabalhos como Em Nome de Deus (1987), sobre a atuação da Igreja Católica durante a ditadura; Chile, Memória Obstinada (1997); O Caso Pinochet (2001); e Salvador Allende (2004).

Em 1997, Guzmán também criou o Festival Internacional de Documentários de Santiago (Fidocs), dedicado ao cinema de não ficção, ao experimental e ao videoarte. Mesmo depois de deixar a direção do festival, em 2007, continuou ligado à iniciativa.

A partir de Nostalgia da Luz, de 2010, o diretor passou a explorar de maneira ainda mais poética a relação entre território e memória. O filme aproxima os astrônomos que pesquisam o céu no Deserto do Atacama das famílias que procuram restos mortais de vítimas da ditadura no mesmo território. A produção foi escolhida pela revista Sight & Sound entre os 25 melhores filmes da história.

A investigação continuou em O Botão de Pérola (2015), vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim, e A Cordilheira dos Sonhos (2019), premiado com o Goya de Melhor Filme Ibero-Americano e o Olho de Ouro no Festival de Cannes. Os três filmes formam uma espécie de trilogia dedicada à memória e à paisagem chilena.

Seu último longa foi Meu País Imaginário (2022), no qual voltou ao Chile para acompanhar o chamado estalido social de 2019 e os debates políticos que culminaram no processo constituinte. O filme acabou funcionando como uma despedida do cinema.

Guzmán recebeu o Prêmio Nacional de Artes da Representação e Audiovisuais em agosto de 2023, mas não viajou ao Chile para receber a homenagem. Na época, seu estado de saúde já era delicado. Em entrevista ao La Tercera em 2024, durante o relançamento restaurado de O Primeiro Ano, o diretor revelou ter sofrido um ataque cardíaco e outro problema grave na coluna, além de ter passado por duas cirurgias.

Mesmo debilitado, Guzmán ainda planejava voltar ao Chile para filmar um novo projeto. Em 2024, chegou a dizer que tinha uma ideia que considerava muito boa, mas preferiu não revelar detalhes. O projeto, porém, não chegou a ser realizado.

Vale citar que Patricio Guzmán terá quatro de seus filmes apresentados na 50ª Mostra com restauros inéditos no Brasil.

Fonte: La Tercera

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Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)

Angelo Cordeiro é repórter do núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo. Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas, escreve sobre filmes desde 2014. São-paulino, pisciano, paulistano do bairro de Interlagos e fanático por Fórmula 1, listas e rankings.

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