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Sunday, October 18, 2026

Endometriose. Portugueses tentam acelerar diagnóstico

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“Sempre me foi dito que era normal”. A dor tornou-se “um grande entrave” quando Susana fez 12 anos e, à medida que o tempo foi passando e tanto entre médicos como familiares, a desvalorização da sua condição foi constante. Mas persistia. “O quadro foi progredindo ao ponto de vomitar com dores, ter febre, faltar às aulas e não me conseguir pôr de pé”, conta ao Observador. Quase 12 anos se passaram até receber a confirmação daquilo que sentia. As dores, o mal-estar generalizado e as inúmeras idas às urgências hospitalares eram um sinal claro de endometriose. Só aos 23 anos é que o diagnóstico chegou.

Estima-se que existam milhares de mulheres em Portugal que passaram ou atravessam algo semelhante a Susana Fonseca. “Houve sempre uma desvalorização constante da sintomatologia. Continuei a ouvir que [a dor] era normal e os exames eram sempre inconclusivos. As ecografias davam resultados normais”, relata. Para desvendar o porquê de sofrer todos os dias, Susana informou-se na internet e reconheceu os seus sintomas sob uma descrição: endometriose. A partir daí, seguiu-se a validação clínica a fundo.

“Fiz vários exames: ressonância magnética, ecografia, colonoscopia e Uro TAC, exatamente para avaliar todos os sistemas (urinário, gástrico, etc.). Já tinha endometriose em todo o lado, a doença estava bastante avançada. Tive de fazer uma cirurgia de cerca de seis horas, com raspagem do intestino”, descreve. “Habituada” a viver com uma “dor permanente”, passou por dois anos “estáveis” depois da operação. As consultas continuaram com alguma regularidade, para acompanhar o seu estado de saúde, mas conseguiu recuperar “alguma qualidade de vida”.

Foi através de testemunhos como o de Susana que nasceu o SENSOPAD. O grande objetivo deste projeto europeu — com focos de investigação em Portugal — é passar dos oito anos que demora, em média, a ser diagnosticada uma pessoa com endometriose, para apenas um par de meses. Em Atenas, procuram desenvolver um sistema baseado num penso higiénico para detetar inflamação de forma precoce através do sangue menstrual. Em Braga, desenha-se um sistema de diagnóstico com toda a precisão para detetar a doença a partir de uma alteração genética existente nas células das pessoas com endometriose.

Com as duas partes do projeto em ação, divididas entre uma dezena de parceiros na Europa, a ideia é “desenvolver uma tecnologia que nos permita, primeiro, detetar de forma precoce e, depois, diagnosticar de forma precisa a endometriose”, descreve Carlos Honrado, um dos investigadores que lidera o projeto em Portugal.

O penso, que tem sensores integrados, serve para o “screening“, e é uma espécie de aviso atempado, uma vez que deteta inflamação que, por sua vez, pode (ou não) estar associada à doença. Identificada alguma irregularidade, faz-se a recolha de sangue menstrual para ser inserido no tal sistema de análise desenvolvido em Portugal, para detetar uma mutação específica ligada à endometriose. “Passaríamos de um diagnóstico que demora oito anos para talvez um ou dois meses”, reforça.

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