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Friday, October 30, 2026

Focado em música de câmara, Cultura Artística preza pela acústica em detalhes

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São Paulo Tudo no Cultura Artística foi pensado para música não amplificada, motivo pelo qual o edifício de 1950 projetado pelo arquiteto Rino Levi levou a melhor na categoria acústica.

Conhecido por lançar tendências nas artes cênicas, apresentando peças do Grupo Experimental e do Grupo Universitário, o teatro mudou o foco da programação para a música de câmara —composta para um pequeno grupo de instrumentos ou vozes— após um período fechado.

Auditório vazio com fileiras de poltronas vermelhas voltadas para palco de madeira. No centro do palco, um piano de cauda preto. Paredes laterais e teto decorados com relevo artístico em tons amarelos, com iluminação quente. Balcões laterais com assentos adicionais.
Sala chamada de grande auditório do Teatro Cultura Artística - Nelson Kon/Divulgação

Era 2008 quando um incêndio sem causa identificada tomou conta do espaço e destruiu cerca de 90% das instalações internas. Ficaram como testemunhas apenas o mural de Di Cavalcanti na fachada, "Alegoria das Artes" (1950), e o foyer do espaço.

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Dezesseis anos depois, tudo se tornou novo. Na restauração, conduzida pelo arquiteto Paulo Bruna, conservou-se a estética preconizada no projeto do espaço, mas novas tecnologias foram incorporadas. O desenho da acústica, feito do zero, ficou a cargo da Acústica & Sônica, de José Augusto Nepomuceno, responsável também pela Sala São Paulo.

A principal mudança foi a de escala: a maior sala de espetáculo, chamada de grande auditório, tinha cerca de 1.500 lugares e foi reduzida para 760 poltronas.

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A alteração aconteceu por uma decisão acústica. O foco em música de câmara demanda uma configuração mais compacta, que aproxima artistas e público e melhora a percepção sonora.

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A preocupação com o som está até em detalhes nas paredes. Na sala principal, os muros amarelos ganharam esculturas acústicas desenhadas pela artista plástica Sandra Cinto. São relevos em formato semelhante a ondas ou, quem sabe, asas, que refletem a música pelo auditório.

Além disso, todos os acessos à sala são feitos por antecâmaras, a fim de minimizar a transmissão de som dos espaços externos.

Como resultado, chega-se a um som limpo e próximo dos ouvintes, a exemplo do que aconteceu nos shows de fado de Carminho e no recital de András Schiff, apresentados neste ano no espaço.

A especialização em música não impede que a programação inclua peças de teatro ou filmes. O espaço recebeu neste ano o espetáculo "Sete Minutos", dirigido por Antonio Fagundes, e sessões da 50ª Mostra de Cinema.

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Teatro Cultura Artística
R. Nestor Pestana, 196, Consolação, região central. Mais informações em culturaartistica.org

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