Quem é o catarinense que lucra até R$ 100 mil por mês com o mercado de opções?
RESUMO +
O empresário e investidor catarinense Cleber Flores completa, em 2026, 20 anos de operações na bolsa de valores e obtém cerca de R$ 100 mil por mês apenas com opções. Após perder metade do patrimônio em 2008, ele alcançou o primeiro milhão em menos de dez anos e conquistou a liberdade financeira em 2015. Hoje, defende investimentos de médio e longo prazo.
A paixão pela matemática e finanças começou na juventude: logo no Ensino Médio, fez um curso técnico de contabilidade. Em 2026, o empresário e investidor catarinense, Cleber Flores, completa 20 anos operando bolsa de valores. O valor que consegue tirar por mês? Cerca de R$ 100 mil só com opções, fora a valorização da própria carteira.
“Faço cálculos muito rápido”, brinca Cleber em entrevista à EXAME. “É engraçado, porque às vezes a gente vai a uma loja, a um café, e a pessoa vai fechar a conta. Antes de ela terminar de calcular, ele já sabe quanto vai dar”, relembra Marilia Flores, empresária, content creator e filha de Cleber.
Formado em administração de empresas e com pós-graduação em finanças pela FGV, o investidor construiu sua trajetória toda em mercado financeiro, passando por nomes como a financeira Icatu, o Banco Garantia e o Unibanco (hoje, Itaú Unibanco). Naquela época, em 2006, foi quando ele começou a investir.
“Eu era gerente no Unibanco, e comecei a fazer algumas operações na bolsa, mas de maneira muito incipiente, sem muita experiência. Comprava e vendia ações, e até dava muito certo”, relembra. Mas a jornada não foi fácil. Na crise do subprime, em 2008, Cleber viu seu patrimônio cair pela metade.
Entretanto, ele enfrentou, não se desfez dos ativos e continuou operando. Em pouco menos de 10 anos, atingiu o primeiro milhão. Após o banco, ele foi para uma cooperativa de crédito e, posteriormente, montou uma empresa na área de meios de pagamento — que existe até hoje. Porém, o negócio dele é a bolsa de valores. “Não atuo na empresa no dia a dia, meus sócios tocam a operação”.
Em 2016, veio a tão esperada liberdade financeira. “Então eu vim morar na praia, em Jurerê, em Santa Catarina. Fiquei num ano sabático, só curtindo a vida, sem ter muitos compromisso. Mas continuei operando ações, comprando e vendendo”, brinca. Até que há cerca de quatro anos ele começou a operar derivativos. “Isso mudou bastante o jogo em termos de rentabilidade”.
O que aconteceu foi que ele fez um cálculo de quanto gastava por mês e de quanto precisava para que os rendimentos de dividendos, juros sobre capital próprio e do próprio patrimônio pagassem essa conta. “Quando atingi esse valor, percebi que, se deixasse o dinheiro no CDI, já conseguiria viver disso". Ele prometeu alcançar essa estabilidade quando fizesse 50 anos, em fevereiro de 2016. Mas em outubro de 2015 ele conquistou o feito.
Dezenas milhares de seguidores
A filha o incentivou a compartilhar na internet seus conhecimentos sobre renda variável. Foi a partir de um vídeo gravado por ela sem que ele soubesse, porém, que ele viralizou. “Ela deixou com o celular escondido e comecei a explicar para ela como eu fazia as operações. Ela gravou tudo e colocou na internet”, relembra.
Um dos primeiros vídeos, alcançou 200 mil visualizações. Depois, começaram a produzir vídeos com consistência. Em uma mesa em seu apartamento, Cleber mostra as opções de put e call que realiza ao longo do dia. Em um dos seus últimos vídeos, a filha brinca: “Ninguém aproveita mais a liquidação da bolsa de valores do que meu pai”.
Em quatro meses, saíram de 200 seguidores para 60 mil. São cerca de 500 seguidores por dia. O conteúdo também engloba educação financeira. En um país com mais de 80% das famílias endividadas, ele diz que o assunto é essencial.
“Comecei a falar sobre o tema, também sobre como fazer um bom orçamento, controlar as entradas e as saídas para fazer sobrar alguma coisa no final do mês. Sabemos que o brasileiro não tem esse costume de fazer esse controle”.
Ele conta à reportagem que fez isso a vida inteira: o valor da conta de água há 15 anos? Ele sabe. Quanto foi a escola dos filhos? Também sabe. “Tenho de receitas, despesas o que sobrou e o aumento do patrimônio, tudo registrado. Esse é o primeiro ponto para as pessoas começarem a se organizar: fazer um orçamento”.
Ao avançar no trabalho de educação financeira, ele percebeu que muitas pessoas ainda mantinham suas economias na poupança, cuja rentabilidade é inferior à do CDI. Viu, então, uma oportunidade de ensinar seu público a investir melhor o próprio dinheiro.
Vale a pena entrar na bolsa agora?
Para Cleber, o recuo recente da bolsa de valores abriu uma oportunidade interessante para quem busca investir com foco no médio e longo prazo.
O Ibovespa, que havia alcançado os 209 mil pontos após o primeiro turno das eleições presidenciais, recuou para 167 mil pontos, uma queda de quase 20%. Na avaliação do investidor, o movimento deixou ações de algumas empresas negociadas a preços descontados em relação ao seu valor patrimonial.
“Quando falo descontadas, não estou falando apenas em relação ao preço de tela. Estou falando em relação ao valor da empresa”, afirma. Como exemplo, ele cita companhias com indicador de preço sobre patrimônio de R$ 0,50, o que significa que o investidor paga R$ 0,50 por cada R$ 1 de patrimônio da empresa. “Acho que ficou um momento muito interessante para entrar.”
O investidor compara o movimento da bolsa a uma liquidação no varejo. Enquanto consumidores costumam correr para aproveitar preços mais baixos durante a Black Friday, no mercado financeiro o cenário é inverso: a queda das cotações provoca receio entre os investidores. “Tem ações que caíram 30%, 40% nesse período. Então, se você conhece o mercado, é um momento ótimo para se posicionar com visão de médio e longo prazo”, diz.
A recomendação, porém, é direcionada a quem tem recursos que não serão necessários nos próximos 12 meses. Para Cleber, o investidor precisa ter uma estratégia definida e não tomar decisões precipitadas diante das oscilações do mercado.
A escolha dos ativos também exige análise criteriosa. O empresário afirma que não compra ações por indicação de terceiros e avalia os fundamentos das empresas, o histórico de atuação no mercado e a governança, incluindo os gestores responsáveis pelo negócio. “Gosto de saber quem está por trás da empresa. Às vezes, você vê só um código, mas existe toda uma estrutura de gestores e pessoas por trás”, explica.
Entre os indicadores que acompanha estão o valuation, especialmente a relação entre preço e patrimônio, os dividendos, os resultados, as margens e o nível de endividamento. Nesse último caso, ele considera importante entender se as dívidas são de curto, médio ou longo prazo e qual é a finalidade da alavancagem. “Alavancar-se não é um problema, desde que exista um objetivo claro para isso”, afirma.
A partir dessa análise, o investidor identifica empresas com potencial de valorização e margem de segurança. Depois, espera uma oportunidade de preço para entrar na carteira. Segundo ele, o horizonte de investimento também é importante, já que oscilações de curto prazo podem ser corrigidas ao longo do tempo, desde que os fundamentos da companhia permaneçam sólidos.
Os setores queridinhos
Em sua carteira, Cleber dá preferência a empresas de setores que conhece. O financeiro é o principal deles, especialmente os bancos, por sua experiência profissional no mercado. Ele afirma que seu conhecimento sobre o funcionamento das instituições, suas operações, spreads e eficiência ajuda na avaliação dos negócios.
O setor de energia também está entre os favoritos, por considerar que apresenta níveis mais baixos de inadimplência. O investidor ainda mantém posições em algumas empresas industriais e tem uma exposição menor ao varejo, concentrada em companhias cujas operações acompanha de perto.
Além das operações com ações e opções, Cleber mantém ativos há mais de três anos na carteira, com foco no recebimento de dividendos. De acordo com ele, a estratégia é voltada à seleção de empresas com bons fundamentos e capacidade de gerar retornos no longo prazo. “É um processo criterioso. Não compro simplesmente a qualquer valor”, diz.
Não precisa começar com muito
Para quem deseja entrar na bolsa de valores, Cleber enfatiza que não é necessário ter um grande patrimônio, mas é fundamental organizar as finanças antes de investir. O primeiro passo, segundo ele, é fazer um controle do orçamento e separar uma quantia que não será utilizada no curto prazo. A reserva financeira também é importante para evitar que o investidor precise vender ações em momentos de queda.
“Às vezes, a pessoa não controla bem o orçamento e quer investir com um dinheiro de que vai precisar lá na frente”, destaca. Ele ressalta que o investidor precisa compreender as oscilações da renda variável para não tomar decisões precipitadas diante de uma desvalorização. “Quando meu saldo financeiro cai, minhas ações não necessariamente caíram. Eu tenho uma quantidade de ações. Simplesmente, é o mercado se movimentando para cima e para baixo.”
O empresário também recomenda que o investidor compare o retorno potencial da bolsa com o da renda fixa, usando o CDI como referência. Para ele, assumir riscos no mercado acionário só faz sentido quando existe a perspectiva de uma rentabilidade superior à dos investimentos mais conservadores.
Além de estudar os ativos e definir uma estratégia de médio e longo prazo, o investidor pontua que é possível começar com valores menores. Como exemplo, cita uma operação com opções em que comprometeu R$ 15 mil e encerrou a posição no dia seguinte, com um ganho de R$ 750, equivalente a 5% do valor investido.
Para ele, a falta de grandes quantias não deve ser um impeditivo para quem deseja investir. “Não precisa ter muito dinheiro, mas o importante é começar”.
'Perguntas frequentes'
Quanto Cleber Flores ganha por mês com opções? +
Cleber Flores obtém cerca de R$ 100 mil por mês apenas com operações de opções. O valor não inclui a valorização dos ativos mantidos em sua carteira.
Como Cleber Flores alcançou a liberdade financeira? +
Cleber Flores calculou quanto gastava por mês e acumulou patrimônio suficiente para que dividendos, juros sobre capital próprio e rendimentos pagassem suas despesas. Ele alcançou essa meta em outubro de 2015, antes de completar 50 anos, em fevereiro de 2016.
Vale a pena entrar na bolsa de valores agora? +
Na avaliação de Cleber Flores, o recuo do Ibovespa de 209 mil para 167 mil pontos criou oportunidades para investidores com foco no médio e longo prazo. A recomendação dele vale para quem dispõe de recursos que não serão necessários nos próximos 12 meses.
Quais critérios Cleber Flores usa para escolher ações? +
Cleber Flores analisa os fundamentos, o histórico, a governança e os gestores das empresas. Ele também acompanha valuation, relação entre preço e patrimônio, dividendos, resultados, margens e nível de endividamento.
Quais setores Cleber Flores prefere na bolsa? +
Cleber Flores prioriza o setor financeiro, especialmente bancos, devido à sua experiência profissional no mercado. Ele também investe em energia, empresas industriais e, em menor proporção, varejistas cujas operações acompanha de perto.
É preciso ter muito dinheiro para começar a investir na bolsa? +
Não, segundo Cleber Flores, mas o investidor deve organizar o orçamento, formar uma reserva financeira e separar recursos que não serão usados no curto prazo. Como exemplo, ele cita uma operação com opções de R$ 15 mil que gerou ganho de R$ 750, equivalente a 5%, no dia seguinte.
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