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Thursday, October 29, 2026

O que acontece após o fim da apuração dos votos em Israel

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Com cerca de 90% dos votos apurados, o Likud, de Binyamin Netanyahu, segue à frente dos partidos de oposição em Israel. O fim da apuração no país, no entanto, definirá a composição do Parlamento, mas não quem comandará o governo. A decisão do próximo primeiro-ministro dependerá de negociações que podem durar semanas.

Após a apuração atingir 90% das cédulas, o Likud e seus aliados somam 53 das 120 cadeiras do Parlamento, contra 48 do bloco de oposição e 19 dos partidos árabes. Os resultados ainda podem variar, e pesquisas indicam que os dois principais blocos estão em disputa acirrada e sem maioria clara.

Os israelenses não elegem diretamente o premiê, porém. Na terça-feira (27), na primeira votação desde os ataques do Hamas em 2023, escolheram entre 36 listas que disputaram as 120 cadeiras do Knesset. A participação chegou a 77,7%, a maior desde 1999. Os assentos são distribuídos proporcionalmente entre as legendas que superam 3,25% dos votos —a chamada cláusula de barreira.

A maioria absoluta é de 61 parlamentares, marca que nunca algum partido conquistou sozinho. Por isso, mesmo a legenda com mais cadeiras depende de alianças. A soma dos assentos de cada possível bloco será decisiva.

O primeiro passo é a publicação oficial dos resultados, prevista em até oito dias após a eleição —neste caso, até quarta-feira (4). Nos sete dias seguintes, o presidente Isaac Herzog consultará os partidos e encarregará um parlamentar de formar governo. Não precisa ser o líder da legenda mais votada, mas alguém capaz de conquistar a confiança do Knesset.

O escolhido terá 28 dias para negociar um gabinete, prorrogáveis em até 14. Se houver acordo, apresentará ao Knesset seu programa e a composição do governo, que precisará de um voto de confiança. Só então o novo premiê assumirá; até lá, Netanyahu permanece no poder.

Se o primeiro fracassar, porém, Herzog poderá indicar outro parlamentar, com 28 dias improrrogáveis. Se não houver acordo, ou ele considerar inviável formar governo, uma maioria de deputados poderá, em até 21 dias, indicar um nome para a última tentativa, de 14 dias. Sem sucesso, novas eleições deverão ocorrer em até 90 dias.

Se um bloco reunir 61 parlamentares, terá um caminho mais simples. Sem essa maioria, pode surgir um governo minoritário, apoiado por partidos de fora da coalizão, ou um gabinete de unidade nacional entre adversários.

Até então, há dois nomes mais cotados para chefiar o governo. Netanyahu, 77, tenta prolongar mais de 19 anos acumulados no cargo. Seu bloco reúne forças religiosas e de extrema direita, como as dos ministros Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich. A dispensa militar dos ultraortodoxos, porém, já provocou rupturas entre aliados e deve pesar nas negociações.

Eisenkot, 66, ex-chefe das Forças Armadas, tenta reunir direita, centro e esquerda para tirar Netanyahu do poder. Ex-integrante do gabinete de guerra do premiê, defende investigar as falhas do ataque terrorista do Hamas no 7 de Outubro, mudar o alistamento militar e preservar a independência do Judiciário.

Em segurança, os rivais mantêm posições próximas. Eisenkot rejeita um Estado palestino e defende desmantelar a capacidade militar do Hamas. A oposição critica também a condução dos conflitos em Gaza, no Líbano e no Irã.

Lá Fora

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Um governo de oposição, porém, não é automático. Naftali Bennett e Yair Lapid, do B'Yachad, Avigdor Lieberman, do Yisrael Beiteinu, e Yair Golan, dos Democratas, cooperam com Eisenkot, mas divergem sobre alianças.

As legendas árabes, com esse contexto, podem ser decisivas. O Ra’am chegou a participar do governo de Bennett e Lapid em 2021. Eisenkot, no entanto, impõe condições para incluí-las no governo, e Lieberman rejeita tanto uma coalizão com elas quanto um governo minoritário. Os adversários de Netanyahu também rejeitam governar sob sua liderança, o que dificulta uma coalizão de unidade nacional.

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