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Sunday, October 4, 2026

O "glamour parisiense" de uma joalharia centenária no Rossio

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A Baixa ainda estava longe de ser a “zona premium do turismo” quando este negócio ali começou, recorda. A localização privilegiada facilita o acesso de clientes do mundo todo, mas não há só estrangeiros a fazer pedidos. Quando a reportagem do Observador visitou a loja, podiam ouvir-se clientes de diferentes faixas etárias a entrar na loja a falar português. E há ainda aqueles que falam as mais variadas línguas e que passam, na maioria dos casos, só para espreitar as montras organizadas por cores e estilos de peças. “Não somos uma loja para o turismo”, sustenta Paula. Com esta afirmação, a gerente explica que o comércio não repele os turistas, mas que aprendeu com a pandemia de Covid-19 a não ser refém do público estrangeiro. Foi este o único período em cem anos em que as portas da Ferreira Marques estiveram fechadas ao público. “Se tivermos o turismo como base, a loja não vai ser para sempre. Temos essa consciência”, afirma.

O tempo do desenho ao desenvolvimento de uma peça nova, por exemplo, pode chegar a três semanas. Na loja, o primeiro rascunho do desenho de uma peça é feito pela equipa. Depois, um dos três ourives parceiros do espaço avalia se é possível colocar em prática aquilo que estava na imaginação do cliente. Em caso positivo, é feito um molde em cera. “Todos os detalhes são alinhados com o joalheiro, que depois faz a fundição e cravação de pedras, por exemplo”, explica Paula. Não há naquele espaço um atelier ou ourivesaria, esclarece a gerente, devido ao facto de não ser permitido o manuseamento de maquinário com fogo naquela morada.

Os meses de maio, abril e todo o verão são os períodos mais prósperos para este nicho, revela Paula. É quando ocorrem as primeiras comunhões e a maioria dos pedidos de noivado. Mas quem deseja levar uma das peças como recordação de viagem e não tem muitos dias em Lisboa também pode fazê-lo. Muitos escolhem pequenos berloques de ouro para a compra que “marca a visita a Portugal”, diz Paula. Se a escolha for por uma peça que necessite de ajuste, como é o caso de anéis, tal pode ser feito de forma mais rápida do que desenvolver uma joia desde o início. As filigranas, expostas numa montra só delas, também estão entre as mais escolhidas. “As pessoas gostam da especificidade da técnica. E quando sabem que é tudo feito à mão, torna-a ainda mais especial”.

Se no início eram as pratas decorativas que faziam sucesso – e que hoje ocupam uma montra repleta de molduras num canto e o balcão central da loja, ao lado dos primeiros catálogos de produtos – hoje o destaque vai para relógios, sendo os discretos os mais desejados. Há variedade de modelos e principalmente de preços: os mais baratos estão na faixa dos 150 euros, e há aqueles que chegam aos 22 mil euros. “Vendemos um bocadinho de tudo para poder atender a todos”, explica. Artistas internacionais da música e atores brasileiros estão entre os clientes das peças mais caras. O nome destes, entretanto, é guardado num cofre, tal como as joias mais preciosas.

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