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Sunday, September 13, 2026

Uma pistola disparou Kimi para mais um dia histórico

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Foi um trajeto longo, muito longo, mas acabou por chegar ao destino final. Sem acelerações, sem arranques de rompante, a meter mudança atrás de mudança com a certeza de que era seguro acelerar. No final, depois de uma espera de mais de quatro décadas, Madrid voltou a ficar com o Grande Prémio de Espanha que desde o início dos anos 90 estava na Catalunha (que não saiu totalmente do circuito mas está numa posição agora mais modesta a rodar com a Bélgica no calendário). Queria isso dizer que havia razões para festa? À partida sim, mas não para todos. E depois das críticas que foram sendo feitas à aposta da cidade nesta prova, neste caso mais pela questão do ruído e do caos que seria originado sem comparação com uma última etapa da Vuelta, Fernando Alonso elogiava a qualidade da pista mas visava os carros à luz das novas regras da FIA.

Poeira, ruído e “sacrifício”. Madrid prepara-se para receber o Grande Prémio perante queixas de moradores

“É triste que com esta geração de carros cheguemos a um circuito que está muito bom, como este, com desafios como a curva Monumental, e a influência do piloto seja nenhuma. O Michael [o assessor de imprensa da Aston Martin] pode pilotar o carro na curva 12 porque vais com prego a fundo sem utilização do MGU-K. Depois, de repente, o MGU-K volta e vais rápido à saída da curva. A Fórmula 1 e o automobilismo deveriam ser, numa curva como a Monumental, para que o piloto mais corajoso seja o mais rápido. E se tiver mais habilidade, irei mais rápido. Era assim que devia ser”, lamentou o espanhol ex-bicampeão mundial.

New track, but the same goals ????????

Community and sustainability remains at the heart of this new event ❤️????#F1 #SpanishGP pic.twitter.com/tL2VwSvHFp

— Formula 1 (@F1) September 13, 2026

“Falei com o presidente da FIA [Mohammed Ben Sulayem] e falo com o Stefano (Domenicali) regularmente, porque a Fórmula 1 não pode continuar neste caminho. Não podemos esperar até 2031 para ter um desporto ao nível adequado. É minha responsabilidade ajudá-los a fazer tudo o que for possível para que, numa curva como a Monumental, o Michael não consiga ser mais rápido do que o [Max] Verstappen só porque tem mais bateria. Porque é uma curva incrível e o Verstappen deve fazer a diferença em relação ao Michael. Agora isso não é possível”, acrescentou, voltando a dar o exemplo da curva Monumental, neste caso com o segundo piloto no ativo com mais títulos no currículo apenas atrás do recordista Lewis Hamilton. Ato contínuo, começaram a surgir informações este fim de semana que colocam Ben Sulayem a fazer um trabalho ativo com concessões à Aston Martin para fazer o motor Honda evoluir para “segurar” Alonso na Fórmula 1.

???? Fernando Alonso says F1 can’t wait until 2030 to fix the sport:

“Formula 1 cannot continue like this. We can’t wait until 2030 to have a decent sport. It’s also my responsibility to use my experience to help Stefano Domenicali and Mohammed Ben Sulayem.”

(via. @JPEIR0) #F1 |… pic.twitter.com/dclngmqOt2

— Everything Formula (@evrythngformu1a) September 12, 2026

???? BOMBAZO | Ben Sulayem TEME una retirada de Fernando Alonso y se reunirá con él para EVITARLO

???? "Me reuní ayer con Lawrence y hablaré hoy con el para hacerle cambiar de opinión"

❌ "No nos podemos permitir que se retire por las circunstancias, tiene que quedarse, ganar, y… pic.twitter.com/SXoYjCad2j

— Nachez (@Nachez98) September 11, 2026

Abria-se uma corrida paralela à corrida que todos queriam seguir. E, aí, a qualificação acabou por trazer mais uma surpresa – não tanto como em Monza, quando Pierre Gasly ficou com a pole position, mas a ser capaz de colocar Lando Norris pela terceira vez a sair do primeiro lugar da grelha em 2026, após os tempos modestos que fizera na sexta-feira incluindo a “ausência” nos treinos livres da tarde (fez apenas duas voltas). “Estou em choque, até um pouco surpreendido por estar aqui agora. Meu Deus, esta foi provavelmente uma das melhores voltas que fiz na minha carreira. Estou muito, muito feliz, muito orgulhoso e muito feliz pela equipa. Foi uma daquelas voltas em que tudo se conjugou”, referiu o piloto britânico, que bateu por apenas 11 milésimas de segundo Kimi Antonelli, atual líder do Mundial que venceu em Monza saindo da 19.ª posição.

Das lágrimas pela Ferrari à festa por novo feito histórico 60 anos depois: Kimi Antonelli sai de 19.º para a vitória em Itália

Norris, que sofreu um problema na caixa de velocidades na sexta-feira mas conseguiu trabalhar para chegar a uma pole position no sábado, tinha mais uma oportunidade de consolidar a recuperação no Mundial depois das duas vitórias nas últimas três provas (Hungria e Países Baixos, sendo quarto em Itália) mas sabia que as diferenças na qualificação eram mínimas e deixavam tudo em aberto não apenas pelo triunfo mas pelo pódio, com Max Verstappen e Lewis Hamilton na segunda linha, Charles Leclerc (apostado em corrigir a frustração de Monza com uma saída de pista na segunda volta) e George Russell na terceira e Oscar Piastri e Liam Lawson a fecharem as habituais oito posições repartidas por McLaren, Mercedes, Ferrari e Red Bull.

A little redemption! ????‍????

After not turning a wheel in FP2, Lando Norris didn't let that disadvantage get in the way in Qualifying ????#F1 #SpanishGP pic.twitter.com/SbFcdYwDVo

— Formula 1 (@F1) September 12, 2026

The grid is set for Round 14 at the MADRING ????????

And we have four different teams in the first four positions! ????#F1 #SpanishGP pic.twitter.com/KV9je1IxDq

— Formula 1 (@F1) September 12, 2026

A estratégia de corrida iria ter um peso determinante, o arranque tanto ou mais tendo em conta esses tempos mínimos de diferença entre os principais favoritos. E foi aí que começaram as mexidas: Kimi Antonelli e Max Verstappen tiveram de alargar linhas de trajetória tendo de ceder depois posições, Lando Norris segurou a liderança, o neerlandês saltou para o segundo lugar (com Hamilton a dizer que devia ceder-lhe posição), Oscar Piastri acabou por ser o maior perdedor ao cair para o décimo posto. Havia quatro marcas diferentes nas quatro primeiras posições com lugares trocados mas a partir daqui estava lançada a corrida, com Kimi a descer para terceiro com Hamilton em quarto, Leclerc em quinto e George Russell, que ia reclamando via rádio com um toque na volta inicial, em sexto, à frente do maior “vencedor”, Franco Colapinto (sétimo).

Hamilton ainda se queixou da situação com Max Verstappen mas tinha sobretudo problemas próprios, com o pedal a ir a fundo como não devia e o piloto a avisar a equipa que estava com algo nos travões. A queda foi a pique, com o britânico a descer inúmeras posições até 18.º no final da sexta volta, com a equipa a pedir para que levasse o carro até às boxes para se perceber o problema. Mais na frente, Kimi Antonelli passava para segundo e lançava-se na procura de um Lando Norris que continuava a voar, com quatro segundos na frente em relação ao italiano. O tempo confirmou mesmo a desistência de Hamilton, que pela primeira vez não terminou uma corrida este ano com a décima volta a chegar com Norris a ter 5,5 segundos de avanço. O fosso entre o top 5 e os restantes pilotos também aumentava, com Lawson a liderar o segundo “comboio”.

Mais atrás, havia um duelo aceso entre Fernando Alonso e Carlos Sainz, com o piloto da Aston Martin a ficar com a parte da frente danificada depois de um duelo com o piloto da Williams. “Já mandou dois para fora, agora empurrou-se contra a parede…”, lamentava o antigo bicampeão mundial, numa luta pelo 17.º lugar. Ainda assim, e quando saiu uma bandeira amarela para um piloto da Aston Martin, a mesma voltou a ser para Lance Stroll, com uma saída de pista que levou a safety car virtual. Todos começaram a ir rápido para as boxes, com Antonelli e Verstappen à cabeça, com Norris a ir mais tarde mas a ficar com toda a estratégia condicionada devido a uma pistola que encravou na troca de pneus. Leclerc era o novo líder por não ter parado, Russell subira a quarto, o campeão em título passava do primeiro para o quinto lugar…

O andamento de Kimi Antonelli era demasiado forte para um Ferrari de Leclerc que ainda não tinha parado, com a 20.ª volta a chegar com o italiano a menos de um segundo do monegasco e com Lando Norris, ainda em quinto, a ser o mais rápido em pista. Apesar disso, o único piloto do conjunto transalpino continuava a dar luta, mantendo o primeiro posto até meio da corrida com Max Verstappen mais próximo de Antonelli e Lando Norris muito mais perto de George Russell, que parou uma segunda vez na 28.ª volta e colocou o outro britânico da McLaren em quarto. Pouco depois, mais uma desistência, agora com o Cadillac de Sergio Pérez. As posições e as próprias distâncias não mudavam muito, estava tudo quase “à espera” à exceção de Russell, que aproveitou os pneus novos para arriscar (e conseguir) passar Liam Lawson.

Leclerc pedia ao engenheiro da Ferrari um filme geral do que se passava na corrida, com aquela esperança de haver um qualquer cenário que lhe permitisse manter um lugar de pódio quando já tinha feito 39 das 57 voltas da corrida. Pelas boxes entre os primeiros só mesmo Oscar Piastri, que seguia em sétimo e desceu para o 11.º posto, atrás de Colapinto e Arvid Lindblad. Melhor cenário tinha Lando Norris, a rodar cada vez mais perto de Max Verstappen quando Kimi Antonelli já tinha também baixado para pouco mais de um segundo a diferença para Leclerc. A dez voltas do final, estava quase tudo por decidir, com Leclerc, Kimi Antonelli, Max Verstappen e Lando Norris na luta pela vitória e pelo pódio – até que o monegasco teve de ser chamado também para a troca de pneus pela Ferrari, para reentrar em quarto à frente de George Russell.

Kimi Antonelli passava a liderar a corrida e tinha mais uma vitória na mão, com Lando Norris a atacar Max Verstappen com tudo para espreitar ainda uma oportunidade de discutir o triunfo com o italiano. O piloto britânico teve um primeiro erro, o neerlandês também e Kimi Antonelli aproveitou para disparar na frente após aquele erro com a pistola da McLaren (além da decisão de não parar quando havia situação de safety car virtual pela saída de pista de Lance Stroll), somando a oitava vitória neste Mundial e tornando-se o primeiro italiano a ganhar num Grande Prémio de Espanha (contando com Barcelona, Madrid e Valência) desde 1934, quando Luigi Fagioli venceu a corrida. Já Verstappen segurou a segunda posição até ao final, com Norris a fechar o pódio a menos de um segundo tendo Leclerc e George Russell no top 5 da corrida.

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