Flávio Bolsonaro foi cadastrado como 'usuário master' em conta bancária de empresa de advogado investigado

Para a PF, o cadastro dava a Flávio "acesso operacional relevante" à conta bancária e "sustenta a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa".
Flávio e Willer Tomaz são amigos, mas negam ter negócios juntos. A PF descobriu indícios de que eles dividiram a conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz, ao encontrar e-mails trocados entre uma secretária do advogado e uma funcionária do banco Santander.
O caso foi revelado no sábado (10) pelo UOL e detalhado nesta quarta (14) pela colunista Malu Gaspar, do jornal "O Globo". O g1 também obteve as informações sobre a investigação policial.
A apuração começou no Rio Grande do Sul, onde a PF investigava supostos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Um dos alvos do inquérito no estado era a casa de apostas Blaze. Com autorização judicial, o sigilo telemático de Willer Tomaz foi quebrado.
Essa investigação subiu para o Supremo Tribunal Federal (STF), para ser distribuída a um dos ministros da corte, porque o nome de Flávio Bolsonaro apareceu em e-mails obtidos com a quebra de sigilo. Como senador, Flávio tem foro especial no STF.
'Usuário master'
Os e-mails obtidos pela PF mostram que uma secretária de Tomaz, Fayla Menezes, escreveu para a agência bancária, em 22 de maio de 2025, pedindo para trocar o "usuário master" da conta da empresa Alcazar Holdings.
"Na oportunidade peço por gentileza no gerenciador do usuário master desassociar as contas abaixo", escreveu a secretária, listando em seguida um número e o nome de Flávio Bolsonaro e uma outra conta de Willer Tomaz.
Pouco depois, o banco respondeu por e-mail: "As contas foram excluídas do contrato, conforme solicitado".
A PF afirmou em relatório, conforme noticiado pelo jornal "O Globo", que, "na documentação relativa à abertura da conta bancária da empresa Alcazar Holdings, verificou-se que Flávio Bolsonaro figurava com perfil de usuário master, condição que, em princípio, lhe conferia nível elevado de acesso e gerenciamento".
Avião de Tomaz e Vorcaro
O avião, um Legacy 650 prefixo PP-NLR, tinha três donos na época do voo: Tomaz, por meio da empresa Alcazar Holdings; Laerte Cosentino, dono da Totvs; e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, por meio da empresa Prime You — que também administrava o uso da aeronave de propriedade compartilhada.
No mês passado, quando a revista "piauí" revelou que Flávio havia voado no avião de Vorcaro, o candidato afirmou que a viagem foi a convite de Willer Tomaz, e não do banqueiro.
O que dizem os citados
Ao "Globo", Flávio Bolsonaro afirmou que "nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas".
"Toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa. O próprio e-mail apresentado comprova justamente que a vinculação era indevida, tanto que solicita a desvinculação. Ou seja, o pedido só reforça que qualquer possibilidade de associação existente estava errada e precisava ser corrigida", disse o candidato.
"Essas insinuações surgem em pleno período eleitoral e exigem responsabilidade. A divulgação de Fake News é crime eleitoral e os responsáveis deverão responder na forma da lei", completou.
O advogado Willer Tomaz, também em nota, afirmou que "repudia as informações falsas apresentadas".
"A conta bancária mencionada nunca lhe pertenceu. Ele jamais criou usuário em nome do senador Flávio Bolsonaro em qualquer plataforma. Entre os dois há apenas amizade, sem relação comercial ou financeira. Atribuir-lhe condutas inexistentes, com base em ilações sem comprovação, é uma grave irresponsabilidade", disse.
"Em plena campanha eleitoral, fabricam-se mentiras com o evidente propósito de interferir no resultado do pleito. O advogado adotará todas as medidas judiciais cabíveis contra aqueles que, deliberadamente, divulgarem acusações falsas ou utilizarem informações obtidas ilicitamente para atingir sua honra e reputação", concluiu.
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