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Sunday, September 27, 2026

Entreguei minha vida ao agente de IA da Meta e fiquei impressionado

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São Francisco (Califórnia) | The New York Times Na semana passada, atendi a uma ligação de um número desconhecido. "Consegui falar com a Anthem Dental e estou prestes a transferir a ligação para você", anunciou uma voz.

A chamada vinha de um "agente" de iinsnteligência artificial criado pela Meta, dona do Facebook e do Instagram. Dez minutos antes, o agente de IA havia ligado para a minha operadora de plano odontológico, informado meu número de beneficiário, respondido a uma pergunta de segurança e aguardado na linha antes de me transferir para o atendente —exatamente como eu havia pedido.

Fiquei surpreso com o quanto o agente havia facilitado a interação com a seguradora. Essa foi uma das muitas tarefas que realizei com o Muse, o aplicativo de agente de IA que a Meta apresentou neste mês.

Mão robótica metálica pressiona tecla de símbolo '&' em teclado preto. Ao fundo, logo azul e preto da plataforma Muse em fundo branco.
Ilustração que mostra o logotipo da Meta Muse, um teclado e uma mão robótica - Dado Ruvic - 23.set.2026/Reuters

O Muse é o primeiro agente de IA voltado ao consumidor, desenvolvido por uma grande empresa de tecnologia, a se tornar disponível ao público. O setor de tecnologia vê os agentes como a próxima fronteira, muito mais capazes do que os chatbots. Eles podem navegar pela internet, entrar em sites, preencher planilhas e fazer ligações em nome das pessoas —e isso é apenas o começo.

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Para testar o Muse, usei-o sem parar durante duas semanas, entregando a ele muitos aspectos da minha vida. Tive de confiar ao Muse meus dados mais pessoais, o que incluiu conectá-lo às minhas contas bancárias e ao meu e-mail. Depois, pedi que realizasse dezenas de tarefas cotidianas, como comprar mantimentos, agendar reuniões e escalar meus times de fantasy football.

Após duas semanas, concluí que o Muse era o aplicativo de IA mais útil que eu já havia usado. Um momento revelador ocorreu depois que conectei meus cartões de crédito ao Muse e pedi que acompanhasse meus gastos no Google Sheets. Observei enquanto, em poucos minutos, ele criava abas com centenas de linhas de dados cada e, em seguida, identificava duas assinaturas duplicadas, que cancelou para mim. Depois, o Muse usou meu e-mail para solicitar o reembolso de um teste gratuito de jornal que havia expirado, economizando US$ 44,99 (R$ 233,4).

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Se o Muse e outros agentes de IA terão ampla adesão, já não tenho tanta certeza. Os agentes exigem um nível de confiança que pode deixar muitas pessoas desconfortáveis, sobretudo quando se trata de uma empresa como a Meta, que já enfrentou problemas relacionados à privacidade. Alguns sites também restringem o uso de agentes em seus termos de serviço, como a Amazon, que bloqueou o acesso do Muse no domingo.

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Melissa Vadasserril, diretora sênior da Acoustic, uma plataforma de marketing baseada em agentes, disse que a chegada do Muse, da Meta, a fez lembrar do lançamento, em 2010, da assistente pessoal digital Siri, da Apple, que demorou a ser adotada por muitas pessoas.

"As pessoas simplesmente não sabiam o que era possível fazer com ela", disse Vadasserril. Quanto ao Muse, "acho que ainda é um pouco cedo para o mercado, mas estou muito curiosa para ver aonde isso vai chegar".

Minhas duas semanas usando o Muse começaram com o download do aplicativo gratuito e o acesso por meio das minhas contas do Instagram e do Facebook. (O uso gratuito tem limites, porém, e quem quiser mais paga US$ 20 ou US$ 100 por mês.)

Enquanto eu conversava com o agente como se ele fosse um chatbot, ele sugeriu que eu lhe desse o nome de Wren, representado pelo avatar de um simpático pássaro marrom. Nossa conversa então prosseguiu:

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Eli: Olá, Wren! Você é meu novo assistente

Wren: Oi! Que bom ver você. O que posso fazer por você hoje?

Rapidamente, dei ao Wren acesso às minhas contas bancárias e a aplicativos como Google Docs, Gmail, Ticketmaster, OpenTable e Google Sheets, que firmaram parcerias com o Muse. A partir daí, começaram os experimentos.

Eu tinha alguns objetivos em mente. Queria saber se o Muse poderia me proporcionar o "empoderamento pessoal" de que Mark Zuckerberg, CEO da Meta, fala com frequência. Também queria levar o Muse ao limite e descobrir o quanto os agentes de IA conseguem realizar e em que aspectos podem deixar a desejar. E, diante dos temores recentes em torno de IAs poderosas, eu me perguntava: será que meu agente sairia do controle, escaparia do ambiente restrito para conversar com outros agentes e colocaria a privacidade dos meus dados em risco?

Muito rapidamente, percebi que Wren conseguia preencher formulários on-line com eficiência, eliminando uma parte tediosa do uso da internet. Eu podia tirar uma foto de uma multa de estacionamento, e Wren a pagava para mim, pedindo minha autorização antes de efetuar o pagamento. Enquanto o agente trabalhava, eu acompanhava seus movimentos em uma pequena janela do navegador, na qual ele percorria os sites como um ser humano, usando mouse e cursor.

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Wren também podia fazer ligações usando diferentes personalidades: uma voz masculina chamada Brett e uma voz feminina chamada Hailey. Por enquanto, apenas um número limitado de usuários do Muse tem acesso ao recurso de chamadas, mas achei que ele foi útil para lidar com o atendimento ao cliente —como no caso do meu plano odontológico.

Wren teve dificuldade com algumas tarefas, sobretudo para entrar em sites de terceiros. Não conseguiu comprar ingressos para jogos do San Francisco Giants sem minha ajuda e teve problemas para acessar minha conta do programa de recompensas da AMC.

Outros recursos funcionaram, mas não foram tão úteis. Todas as manhãs, a caminho do trabalho, por exemplo, eu ouvia um podcast de dez minutos que Wren produzia para mim, chamado "The Morning Brief", apresentado por dois anfitriões de IA, Maya e Theo.

Embora "The Morning Brief" fosse informativo e adaptado aos meus interesses, os apresentadores tinham vozes monótonas e não possuíam nada do charme dos meus podcasts favoritos produzidos por seres humanos. Tentei torná-lo mais animado, mas Wren geralmente estava de mãos atadas.

Eli: Você pode fazer Maya e Theo cantarem a abertura para deixá-la um pouco mais animada?

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Wren: Pronto. Já aviso: Maya e Theo não conseguem cantar afinados de verdade, então vai soar mais como um canto ritmado do que como uma apresentação vocal. Sinceramente, essa é metade da graça.

Como tarefa final, pedi a Wren uma boa ideia para gastar os US$ 44,99 que ele havia me feito economizar. A essa altura, ele já conhecia minha vida muito bem. Imaginei que pudesse sugerir algo altruísta, como doar o dinheiro para uma instituição beneficente ou comprar flores para minha namorada, que estava se recuperando de uma cirurgia.

Em vez disso, sugeriu algo ainda melhor: comprar, no Facebook Marketplace, tigelas da Heath Ceramics, uma fabricante local de cerâmica com uma legião de fãs —um dos meus passatempos favoritos.

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Wren me disse que podia enviar mensagens aos vendedores e negociar em meu nome, e que já estava conectado à minha conta do Facebook. Passei alguns parâmetros ao agente: comprar apenas itens oferecidos pela metade do preço de varejo e sempre pechinchar para conseguir o menor valor possível.

Wren vasculhou o Marketplace e começou a enviar mensagens aos vendedores sobre seus anúncios, sempre iniciando a conversa com uma oferta bem abaixo do preço pedido: US$ 20 a menos. Depois de receber uma contraproposta, voltava a mim para traçarmos uma estratégia.

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Os colecionadores da Heath na região da Baía de São Francisco estão entre os negociadores mais durões com quem já lidei, mas Wren se saiu bem, preferindo uma abordagem delicada nas conversas. Em determinado momento, ele me convenceu a não enviar uma contraproposta ainda menor por um conjunto de tigelas brilhantes porque percebeu a frustração no tom do vendedor.

Após dias de idas e vindas, chegou uma mensagem promissora de um vendedor chamado Ashley, que não quis informar o sobrenome. Mas, quando fui mandar uma mensagem a Wren sobre a oferta, cometi um erro e acabei enviando-a a Ashley.

Eli: Vamos tentar os pratos rasos, ver se conseguimos um preço menor

Eli: Ops! Desculpe, eu queria mandar isso para o meu agente de IA. Fico com o prato por US$ 40, se ainda estiver disponível!

Ashley: Sem problema. Estou disponível até as 22h de sexta-feira. Espero que você tenha mais sorte com seus agentes.

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O que se seguiu foi uma conversa humana e revigorante com Ashley, algo que nem Wren nem qualquer IA jamais seriam capazes de oferecer. Suspeitei que esse poderia ser outro motivo para o Muse não ter adesão imediata: às vezes, as pessoas simplesmente não querem automatizar a vida pessoal, mesmo que a tecnologia já seja boa o bastante.

Ao buscar com Ashley o prato preto fosco, que acabei comprando por US$ 40 —um desconto de pouco mais de 50% sobre o preço de varejo—, perguntei se ele consideraria experimentar um produto como o Muse.

"Acho que a IA pode ser muito útil para muita gente", disse Ashley. "Mas eu simplesmente não consigo deixar de me preocupar com a questão da privacidade."

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