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Monday, October 19, 2026

Flávio Bolsonaro e Lula trocam acusações de corrupção e envolvem familiares em debate

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O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT), adversários no segundo turno das eleições, trocaram acusações de corrupção, fizeram perguntas que deixaram o outro sem resposta, fizeram provocações e envolveram familiares no primeiro debate entre os dois, na Band, na noite deste domingo (18).

No primeiro bloco do encontro, Flávio explorou o caso que envolve a lobista Roberta Luchsinger, investigada em conjunto com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente, em três inquéritos sob suspeita de corrupção e tráfico de influência.

No sábado (17), em entrevista à CNN Brasil, ela disse que pretende firmar um acordo de delação premiada e que não poupará Lula, sem apresentar detalhes ou evidências sobre o que teria a revelar.

Flávio perguntou a Lula se ele conhecia Roberta. O presidente respondeu que a Polícia Federal cuidará dela e voltou a afirmar que qualquer um, mesmo seu filho, será investigado em seu governo.

"Não sou um pai que protege o filho, como você foi protegido pelo seu pai [...] Não escondo nem mando ministro embora porque não quis trocar diretor da Polícia Federal", afirmou Lula, lembrando da saída do ex-juiz Sergio Moro do governo de Jair Bolsonaro.

Moro, que condenou Lula na Operação Lava Jato, foi levado ao debate por Flávio. Quando anunciou sua demissão do governo Bolsonaro, em abril de 2020, o ex-ministro criticou a insistência do ex-presidente para trocar o comando da PF.

Flávio também perguntou ao petista por que seu filho vive na Espanha —Lula não respondeu e rebateu afirmando que o irmão do senador, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, vive nos Estados Unidos "tramando contra o Brasil".

O presidente, por sua vez, foi ao ataque com o caso Master, questionando diversas vezes sobre o destino de R$ 134 milhões que Daniel Vorcaro teria pago ao filme "Dark Horse", uma ode à história de Jair Bolsonaro. "O que fez com o dinheiro? Foi para ajudar seu irmãozinho a trair o Brasil?", perguntou Lula.

Flávio voltou a se esquivar, como vem fazendo ao longo da campanha, e não esclareceu o destino do dinheiro, enviado para um fundo controlado pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo. "Você vai aplaudir o filme do presidente Bolsonaro, que você vai amar", disse o senador.

Em meio a essa troca de provocações, Flávio pediu que Lula ficasse mais perto, reeditando uma cena do debate da Globo que o petista travou com Jair Bolsonaro, em 2022. O petista respondeu que não queria ficar perto do senador. "Quero distância de miliciano", disse.

Em outro momento do primeiro bloco, o senador afirmou que a criminalidade explodiu no Brasil e perguntou por que 73% dos presidiários votaram no petista. Lula respondeu: "Eu quero 100%, até do seu pai".

Jair Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por ter liderado um plano de golpe de Estado para impedir que Lula assumisse a Presidência da República. O ex-presidente se encontra em prisão domiciliar.

No final do primeiro bloco, a Band concedeu um direito de resposta de um minuto a Flávio, sem indicar o motivo. Antes, Lula chamou o rival de "malandro carioca". O senador usou o tempo para tratar de violência e segurança pública e acenar a eleitores mais pobres e a mulheres.

Lula derrapou no começo do debate, quando caminhou em direção à câmera errada e não controlou bem seu tempo. Nos minutos seguintes, porém, conseguiu se recuperar e encurralar Flávio em alguns momentos.

Ele perguntou duas vezes se o senador apresentará alguma proposta para alterar a lei que promulgou o fim da escala 6x1. Como noticiou a coluna Painel, Flávio garantiu a aliados que irá rever pontos da proposta.

Da primeira, o candidato do PL tergiversou. Da segunda, negou. "Ele só faz 'fake news' o tempo inteiro. […] Eu vou fazer com que você prospere de verdade. A gente vai falar no próximo bloco sobre prosperidade e não sobre o legado que ele está deixando, que é só de miséria, de endividamento, um monte de recorde negativo", disse Flávio.

Lula afirmou que o filho de Bolsonaro treinou e "melhorou muito para mentir". "Toda vez que ele falar, olhe nos olhos desse homem, porque qualquer pessoa aprende desde pequeno que a mentira está nos olhos e não na palavra."

Esse foi o primeiro debate televisivo do qual participaram Flávio e Lula nestas eleições. O esvaziamento dos encontros pelos dois principais adversários neste pleito levou ao cancelamento de dois dos quatro debates previstos para o primeiro turno.

Para o senador, a ausência do presidente inviabilizava confrontos diretos, enquanto para o mandatário, a ida aos programas com a presença de outros candidatos configuraria disputa desleal por possíveis ataques de vários lados.

O filho de Jair Bolsonaro chegou a dizer na terça-feira (13) que não compareceria ao debate. No dia seguinte, depois que a emissora confirmou, via assessoria de imprensa, que o programa estaria mantido e que o púlpito de Flávio ficaria vazio, ele voltou atrás e afirmou que participaria.

Oficialmente, o senador disse nas redes que sua declaração foi uma "armadilha" para fazer Lula confirmar presença. "Bastou falar que não ia no debate da Band para você no minuto seguinte falar que vai no debate. É claro que eu vou no debate, eu só queria que você confirmasse."

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