É um erro o atual PSD tratar Passos como se fosse um inimigo

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Está no ar mais um episódio do "O Bom, o Mau e o Vilão", que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Bom dia, Miguel. O teu bom é a PSP.
Sim, porque a PSP ontem desmantelou o acampamento que tinha sido montado em pleno centro do Porto, na Praça D. João I, depois de uma manifestação contra a crise da habitação no fim de semana. Os próprios manifestantes afirmam que se estão a inspirar no que se passa em Espanha e em França. Ora, em Espanha, uma das principais praças de Madrid foi ocupada durante dias e dias de forma ilegal e em França houve inúmeros confrontos violentos com a polícia, houve pessoas atacadas com lança-chamas e houve destruição de edifícios. Parece-me que é precisamente isto que se deve evitar. Portanto, ainda bem que as autoridades atuaram de forma rápida e decisiva antes que isto pudesse eventualmente tomar outras proporções. Sendo que as pessoas que estavam no acampamento, convém notar, acabaram por colaborar com a polícia e tudo decorreu de forma pacífica. Agora, o direito à manifestação não dá o direito a desrespeitar a lei. Não se pode ocupar o espaço público sem autorização camarária, não se pode pôr em causa as condições de segurança, de circulação e de usufruto pelos cidadãos de espaços que são de todos, não são só daqueles que de forma ruidosa os decidem ocupar. Por isso, termos agora, de repente, um acampamento permanente numa das principais praças do Porto, convenhamos que não faz grande sentido.
Era o que nos faltava agora, não é?
Sim, eu percebo. Eu vi dirigentes do Bloco de Esquerda muito animados com isto. Devem achar que o seu regresso à relevância política está nisto, está no poder popular a tomar conta das ruas, mas não me parece.
Sim, o exemplo espanhol inspirou algumas pessoas, de facto.
Espanha, França, tudo isto é maravilhoso. Que bom que é, que maravilha que é destruição nas ruas, deve pensar o Bloco.
Miguel, o teu mau acusou o toque.
Foi, o mau é Luís Montenegro, o líder do PSD, que convém notar, também é primeiro-ministro, não resistiu. Ele não resistiu e decidiu responder publicamente e diretamente à entrevista de Pedro Passos Coelho ontem à noite. Luís Montenegro disse isto: "Por estes dias, se alguns estão a ansiar pelo nosso insucesso político, é caso para dizer: têm que esperar sentados." E depois ainda insistiu: "Nós não governamos o país na base das birras, das chismas e dos complexos de ninguém." E depois, claro, olhando para o líder, outros dirigentes do partido fizeram o mesmo. Pedro Duarte, por exemplo, afirmou que o PSD não tem contas a acertar com o passado, não quer preocupar-se com a carreira individual de ninguém. Ora, isto obviamente é um erro. A mim fez-me lembrar aquela história em que Winston Churchill está a mostrar a Câmara dos Comuns a um deputado conservador que tinha acabado de ser eleito. A história é muito conhecida e quando o jovem apontou para a bancada do Partido Trabalhista e perguntou se era ali que se sentavam os inimigos, Churchill corrigiu e disse: "Não, ali sentam-se os nossos adversários. Os nossos inimigos sentam-se aqui ao nosso lado." E eu repito, é um erro. O atual PSD é o atual, pode não ser o futuro, mas enfim, o atual PSD é um erro estar a tratar Passos Coelho como se fosse um inimigo.
E ignorar aquilo que ele está a dizer sobre as reformas, também.
Certo. Mas aí, ó Paulo, eu até admito que, obviamente, como é óbvio, que Luís Montenegro discorde totalmente de Passos Coelho. Luís Montenegro admito que se veja a si próprio como um grande reformista e que esteja contra a avaliação de Passos Coelho. Certo, está tudo muito bem. Agora, estas respostas em público, estas expressões, esperar sentado, birras, chismas, complexos, eu suspeito que os laranjinhas olham para isto e não gostam. Mas quer dizer, Luís Montenegro conhece bem o partido, ele é que manda lá na chafarica, portanto, ele lá saberá o que os militantes do PSD querem ouvir.
Então e quem é o teu vilão?
São as juventudes partidárias de Coimbra. Ontem, a RUC, Rádio Universidade de Coimbra, organizou um debate com elementos das juventudes do PSD, do PS, do Chega, do Livre e da Iniciativa Liberal. Mas havia um detalhe: é que todos podiam estar no estúdio, menos o representante do Chega, que teria de entrar à distância, porque a RUC faz parte da Associação Académica de Coimbra e em fevereiro foi aprovada pelos seus membros a proibição de participação do Chega em eventos da associação e foi também decretada a proibição de entrada nas instalações da associação. E perante isto, um grupo de militantes do Chega, liderado pela deputada Rita Matias, entrou nas instalações da rádio e só saiu quando chegou a PSP. Obviamente, a forma de resolver divergências políticas não é invadindo propriedade privada, isso é claríssimo. E o Chega não deveria ter feito aquilo, acho que isso é evidente. Eu gostava só de acrescentar um ponto: é que não compreendo como é que PSD, PS, Livre e Iniciativa Liberal aceitam participar num debate em que está proibida a participação física de um partido com representação parlamentar. Não é que tenha existido uma decisão editorial de, por qualquer motivo, ter alguns partidos, não ter outros. Nós hoje em dia temos muitos partidos no Parlamento, até pode não ser possível ter um debate compreensível, como é óbvio, não têm que estar sempre todos os partidos representados em debates. Nós aqui na Rádio Observador não temos sempre todos os partidos em debates. Não é esse o ponto, não foi isso que aconteceu ali. O que aconteceu ali é a decisão de ter um partido, mas de dizer-lhes: "Vocês não podem entrar aqui. Se quiserem, estão à distância, porque nós não vos queremos fisicamente aqui." E haver outros partidos que aceitam isto, quer dizer, se amanhã a Associação Académica de Coimbra decidir que é o Livre ou que é a Iniciativa Liberal, que não podem entrar nas instalações porque há uma qualquer maioria conjuntural que decide isso, também vão todos aceitar? Enfim, parece-me um bocadinho complicado isto.
Pois, por essas e por outras é que depois estes cancelamentos vão existindo, mas enfim.
É, dá sempre mau resultado.
Mau resultado.
Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira é a PSP, o mau é Luís Montenegro e o vilão são as juventudes partidárias de Coimbra. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.