Dupla Gre-Nal enfim se encontrou no Z4 e troca de técnicos virou plano de emergência

Não sei se há precedente, mas é difícil lembrar de Inter e Grêmio juntos na zona de rebaixamento do Brasileiro a esta altura do campeonato, faltando cerca de dez rodadas. E deixaram para fazer isso justamente num 20 de Setembro, data magna do Rio Grande do Sul: em enviesada homenagem aos farroupilhas, dois times esfarrapados.
Não é algo que ocorra com frequência, mas está longe de ser gratuito. O fiasco conjunto não surgiu de repente. Inter e Grêmio vêm trabalhando, cada qual a seu modo, para encontrá-lo há bastante tempo. Ambos são clubes defasados, sem centros de treinamento condizentes com seu tamanho e presos a políticas administrativas ultrapassadas, nas quais se sucedem os mesmos grupos de dirigentes. A disputa por títulos é coisa do passado: no presente, a luta é apenas pela dignidade, e nem isso parece possível.
Jovane Cabral e Bernabei em disputa no Gre-Nal pela Copa do Brasil — Foto: Roberto Vinicius/AGIF
Ambos estão confinados no Z4, e lá vão permanecer ao menos até a volta da data FIFA. Diante de um drama que não é novo, mas se agrava a cada rodada, ambos escolheram a mudança. É certamente um atalho — só não se sabe para onde.
É verdade que a troca de comando demorou. No Grêmio, há tempos o trabalho de Luís Castro se mostrava esgotado. Os tricolores decidiram reorientar a bússola mais cedo – e, com isso, anunciaram que, ao menos em intenção, vão brigar até o fim. Sobretudo porque Renato Portaluppi, o nome escolhido para substituir o técnico português, é perfeito para gerar o efeito de mobilização necessário.

Destaque no jogo, Weverton é reverenciado por gremistas e palmeirenses em campo
A tabela gremista é terrível, mas o ambiente tornou-se outro, como o jogo contra o Palmeiras mostrou. Mais de 50 mil pessoas foram à Arena para observar o goleiro Weverton, de atuação monumental, salvar mais um pontinho para os tricolores – o que não é novidade. Esse é outro aspecto que serve de apoio para a esperança gremista: o time tem jogadores capazes de viabilizar uma reação.
Enquanto isso, a impressão que o Inter passava era de conformismo. Mesmo com uma temporada repleta de fracassos diante do rival (perda do Gauchão e eliminação na Copa do Brasil) e com apenas uma vitória no Brasileiro desde maio, a direção colorada insistia no trabalho de Paulo Pezzolano. Essa convicção -- ou teimosia -- durou até a noite de domingo, quando foi anunciada a demissão do técnico uruguaio.
Alan Patrick meia Inter — Foto: Ricardo Duarte/Divulgação, Internacional
Durante muito tempo se defendeu a tese (e eu me incluo nessa) de que a saída de Pezzolano poderia acelerar o rebaixamento. Afinal de contas, em alguns momentos ele encontrou uma estrutura de equipe e conseguiu torná-la competitiva. Mas fazia tempo que suas decisões não geravam resultados, mesmo considerando que o elenco colorado é frágil e desequilibrado.
Ainda não se sabe quem vai substituir Pezzolano. Não são muitos os nomes disponíveis no mercado, especialmente considerando a ingrata empreitada. Mas pelo menos agora a impressão é que o clube escolheu uma derradeira tentativa de resistência, em vez de apenas assistir a uma resignada contagem regressiva rumo à Série B.
No domingo, enquanto a fumaça das churrasqueiras se erguia sobre o Acampamento Farroupilha, a dupla Gre-Nal estava chamuscada na zona de rebaixamento. A situação continua desesperadora para ambos, e ninguém sabe se as mudanças de comando ocorreram em tempo hábil ou se produzirão algum efeito na tabela — agora, a única coisa que importa. Numa bela manhã de setembro, o Grêmio acordou e escolheu reagir. O Inter demorou um pouco mais, mas enfim atendeu ao chamado do despertador.
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