Sócio-torcedor rendeu R$ 877 milhões a clubes da Série A em 2025
Os programas de sócio-torcedor de Atlético-MG, Grêmio, Palmeiras e Vasco reúnem mais de 630 mil associados, segundo dados divulgados pela agência de marketing esportivo End to End, responsável por ações de relacionamento e fidelização dos quatro clubes.
O número equivale a mais de um terço dos 1,5 milhão de sócios-torcedores ativos nas Séries A e B do Campeonato Brasileiro, conforme levantamento do ge.globo citado pela agência.
Os quatro clubes, semifinalistas da Copa do Brasil, adotam estratégias que combinam benefícios para torcedores, experiências nos estádios e ferramentas digitais para estimular novas adesões e reduzir cancelamentos.
O crescimento dos programas acompanha a expansão dessa fonte de receita no futebol brasileiro. Segundo dados de balanços dos clubes reunidos no material da End to End, os 20 times da Série A arrecadaram R$ 877 milhões com sócios-torcedores em 2025, acima dos R$ 800 milhões registrados em 2024.
Em 2023, a arrecadação havia sido de R$ 705 milhões, enquanto em 2022 o valor chegou a R$ 409 milhões.
Como os clubes ampliaram seus programas de sócio-torcedor?
O Atlético-MG superou a marca de 300 mil integrantes no Galo na Veia, impulsionado pela criação de uma modalidade gratuita, o Galo na Veia Da Massa, e pela reformulação de planos pagos, como o GNV Black e o GNV Arena MRV.
O clube também criou uma categoria destinada a pessoas em situação de vulnerabilidade social e ampliou a oferta de experiências exclusivas na Arena MRV.
No Palmeiras, o programa Avanti mantém cerca de 200 mil inscritos. Entre as iniciativas estão um sistema de pontuação baseado na frequência aos jogos e campanhas de premiação para associados.
O clube também passou a integrar o programa de sócios ao Palmeiras Pay, plataforma financeira que ultrapassou 1 milhão de usuários cadastrados e movimentou mais de R$ 2 bilhões em transações.
Segundo os dados apresentados, a iniciativa gerou mais de R$ 50 milhões em receitas diretas ao Palmeiras, por meio de royalties e da conversão de clientes da plataforma em associados.
O Grêmio, por sua vez, chegou a 100 mil sócios em 2023, durante a campanha de contratação do atacante Luis Suárez. Com ações de marketing ligadas à chegada do jogador, o quadro social passou de 61 mil para 100 mil integrantes em poucos meses.
De acordo com a End to End, a campanha também dobrou o faturamento mensal do programa de associados do clube gaúcho.
Já o Vasco reúne cerca de 71 mil sócios-torcedores. O clube reformulou o Sócio Gigante com novos planos, ampliação de benefícios e um sistema de classificação que considera o tempo de associação e a frequência aos estádios.
Entre as ações de divulgação, o Vasco utilizou QR Codes na camisa oficial durante a comemoração dos dez anos do programa, direcionando torcedores à plataforma de inscrições.
Como a tecnologia ajuda a fidelizar torcedores?
Além das campanhas de adesão, a End to End utiliza ferramentas de inteligência artificial e análise de dados para identificar hábitos de consumo, segmentar ofertas e estimar o risco de cancelamento de assinaturas.
As informações são usadas para personalizar a comunicação com diferentes perfis de torcedores, incluindo ofertas de ingressos, produtos e experiências nos estádios.
Segundo Reginaldo Diniz, CEO da End to End, as estratégias precisam considerar as características de cada clube e de sua torcida.
“Cada clube tem uma realidade, uma identidade e uma torcida com características próprias. Nosso papel é entender esses aspectos e desenvolver estratégias que façam sentido para cada contexto, conectando comunicação, tecnologia e experiência”, afirma.
O modelo também amplia a oferta de vantagens para além da prioridade na compra de ingressos. Alguns programas incluem acesso aos bastidores dos estádios, acompanhamento de partidas próximo ao gramado e encontros com jogadores.
Para Luiz Guilherme, diretor de Clubes da End to End, o avanço dos programas está relacionado tanto à geração de receita recorrente quanto à manutenção do relacionamento com os associados.
“O sócio-torcedor ocupa um papel cada vez mais relevante na estrutura dos clubes, tanto pelo potencial de geração de receita recorrente quanto pela construção de vínculos de longo prazo com a torcida”, afirma.
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