A nova dança das cadeiras da moda internacional
A temporada de desfiles de primavera-verão 2027 em Milão começou acompanhada de uma sequência de anúncios que mexe no comando criativo de algumas das principais marcas do luxo. No dia 16 de setembro, a Armani nomeou Dario Vitale diretor criativo da Emporio Armani. Na segunda-feira, 21, Donatella Versace apresentou um negócio próprio com a varejista americana Revolve, enquanto em Paris circulam rumores, ainda não confirmados, de que Pierpaolo Piccioli deixaria a Balenciaga pouco mais de um ano depois da estreia.
A mudança mais visível aconteceu na passarela da Diesel, onde Glenn Martens apresentou na terça-feira, 22, sua última coleção para a marca, quatro dias depois de o grupo OTB confirmar sua saída. Sob uma luz vermelha que tomava todo o espaço, modelos espalhados pela plateia começaram a gemer em seus assentos, sozinhos, em duplas e em trios, ao som de Love to Love You Baby, de Donna Summer. O designer belga terminou aplaudido de pé.
Seis anos de Diesel
Martens chegou à Diesel em outubro de 2020, dois anos depois de assinar uma cápsula da linha experimental Red Tag a convite do fundador, Renzo Rosso. Na marca de jeans criada em 1978, ele fez do denim objeto de pesquisa, com peças torcidas, desfiadas e superdimensionadas. Segundo a OTB, a Diesel teve em 2025 seu melhor desempenho em uma década.
Na coleção final, tricôs pareciam se desmanchar em jeans e couro, efeitos de trompe l'oeil imitavam pele de carneiro e camisetas cortadas a laser davam a impressão de estar se desfazendo no corpo. "A cada temporada tentamos fazer algo inesperado. Esta foi um pouco mais... experimental", disse o designer à agência AP. Martens segue no grupo como diretor criativo da Maison Margiela, e o sucessor na Diesel ainda será anunciado.
Fora da família Armani

Dario Vitale, novo diretor criativo da Emporio Armani e dos acessórios da Giorgio Armani, primeiro designer de fora da família no posto (Divulgação)
Vitale assume a Emporio Armani e os acessórios da Giorgio Armani e se torna o primeiro designer de fora da família no posto, um ano depois da morte do fundador, aos 91 anos. Nascido perto de Nápoles, ele passou 15 anos na Miu Miu e, em 2025, sucedeu Donatella na Versace, de onde saiu em dezembro, após uma única coleção e dias depois de o grupo Prada concluir a compra da marca.
Donatella, que deixou a direção criativa da Versace em março de 2025, será chief creative officer da joint venture com a Revolve. O nome segue em segredo e o primeiro lançamento, previsto para os próximos meses, será de beleza, com estreia nos Estados Unidos, na América Latina, na Ásia-Pacífico e no Oriente Médio.
Rumores em Paris
A informação sobre Piccioli tem circulado na imprensa internacional, com base em fontes do setor. Segundo reportagens, o estilo ligado à alta-costura do italiano não teria gerado as vendas esperadas pelo CEO da Kering, Luca de Meo, e a saída poderia ser anunciada após o desfile de 1º de outubro. Kering e Balenciaga não confirmaram, e Piccioli segue no cargo.
Na gestão de seu antecessor, Demna, a receita anual da marca passou de cerca de US$ 350 milhões (R$ 1,8 bilhão) para mais de US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões).
O ciclo de 2025

Matthieu Blazy, anunciado como diretor criativo da Chanel em dezembro de 2024 (Victor VIRGILE/Gamma-Rapho /Getty Images)
As trocas recentes remetem ao movimento anunciado entre o fim de 2024 e 2025, que levou mais de dez diretores criativos a estrear nas semanas de moda de setembro e outubro do ano passado. Em dezembro de 2024, a Chanel confirmou Matthieu Blazy, até então na Bottega Veneta, que passou a ser comandada por Louise Trotter, vinda da Carven. A Celine trocou Hedi Slimane por Michael Rider, e John Galliano deixou a Margiela, abrindo espaço para Martens.
Ao longo de 2025, Jonathan Anderson saiu da Loewe para assumir as linhas feminina, masculina e de alta-costura da Dior, algo que ninguém fazia desde o próprio Christian Dior, e a Loewe passou para Jack McCollough e Lazaro Hernandez, da Proenza Schouler. Demna deixou a Balenciaga após dez anos para substituir Sabato De Sarno na Gucci, e Piccioli ocupou seu lugar. Simone Bellotti assumiu a Jil Sander, Meryll Rogge a Marni e Duran Lantink a Jean Paul Gaultier.
As estreias se concentraram entre o fim de setembro e o início de outubro de 2025. Demna mostrou sua primeira coleção para a Gucci em uma apresentação em Milão no dia 23, Trotter desfilou pela Bottega Veneta no dia 27 e Blazy estreou na Chanel em 6 de outubro, em Paris. Em outubro, a Fendi anunciou Maria Grazia Chiuri, que havia deixado a Dior, como chief creative officer.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.