Eleita senadora, Michelle Bolsonaro atribui eleição a pedido do marido


Senadora eleita com mais votos da história do Distrito Federal, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL) buscou afastar a imagem de ambição política ao atribuir sua eleição a uma convocação do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em discurso de vitória publicado em suas redes sociais, a ex-primeira-dama evitou apresentar o projeto eleitoral como uma iniciativa própria, preferindo justificar a entrada na disputa como um atendimento a uma solicitação direta do marido e à "vontade de Deus".
O discurso de Michelle
Michelle justificou sua estreia nas urnas como uma missão aceita após orientação familiar e religiosa. Ao explicar a decisão de concorrer a um cargo eletivo pela primeira vez, a ex-primeira dama atribuiu o peso da escolha ao marido e ao eleitorado. "E Deus usou duas situações para me entregar essa missão: um pedido do meu marido e a confiança de vocês por meio dos votos", escreveu no Instagram.
Ela agradeceu suas bases evangélicas e os outros membros do clã. "Agradeço a Deus, a cada um de vocês, ao Jair, às minhas filhas, à minha família, aos nossos líderes religiosos, à nossa amada igreja, aos nossos intercessores, aos presidentes dos partidos, aos candidatos e os seus militantes, aos voluntários, a todas as famílias raras.
À minha amada comunidade surda, às famílias atípicas, apoiadores, aos integrantes da minha equipe de campanha e a todas as pessoas de bem que fizeram parte dessa caminhada dedicando o seu tempo e o seu esforço.
Michelle Bolsonaro, senadora eleita
Estreia nas urnas
A vitória marca a estreia de Michelle Bolsonaro nas urnas. A ex-primeira-dama e esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nunca havia disputado um cargo eletivo. Seus suplentes são Diego Torres (PL), irmão de Michelle, e Cristian Viana (Podemos).
Natural de Ceilândia (DF), Michelle nasceu em 1982. Ela conheceu Bolsonaro em 2007, quando trabalhava como secretária na Câmara dos Deputados. Os dois se casaram no mesmo ano.
Michelle ganhou maior projeção política depois de deixar o Palácio do Planalto. Em 2023, assumiu a presidência do PL Mulher, braço do partido dedicado à participação feminina na política, e passou a cumprir agendas pelo país e participar da articulação de alianças regionais.
A campanha ao Senado ocorreu meses depois de uma crise pública com Flávio Bolsonaro. Em junho, viralizou um vídeo de 27 minutos no qual Michelle acusava o enteado de humilhá-la. Flávio pediu desculpas e afirmou que nunca teve a intenção de ofendê-la. Apesar da aparente reconciliação, os dois apareceram juntos em apenas um vídeo durante a campanha.
Michelle deixou posteriormente a presidência do PL Mulher. O partido afirmou na ocasião que ela se afastou para se dedicar aos cuidados com Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. Na disputa pelo Senado, Michelle concentrou sua campanha no Distrito Federal, dividindo palanques com Celina Leão e candidatos a deputado federal e distrital. Seu discurso também deu destaque a pautas de costumes, defesa da família e valores cristãos.
Bia Kicis também vence no DF
Bia Kicis, também do PL deixa a Câmara dos Deputados depois de dois mandatos. Eleita deputada federal pela primeira vez em 2018 e reeleita em 2022, a parlamentar chegou a presidir a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, em 2021. Foi a primeira mulher a comandar a comissão.
As duas fizeram campanha juntas e apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência. No cenário local, também estiveram ao lado de Celina Leão (PP) na campanha pela reeleição ao governo do Distrito Federal. A coligação Propósito e Ação reuniu PL, Republicanos, MDB, Podemos, DC, Mobiliza, Democrata e as federações Renovação Solidária (PRD-Solidariedade) e União-Progressista.
A terceira cadeira do Distrito Federal no Senado permanece com Damares Alves (Republicanos). Eleita em 2022 com 714.562 votos, ela tem mandato até 2031 e é aliada de longa data da família Bolsonaro. Damares apoiou as candidaturas de Michelle e Kicis ao Senado.
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