Vorcaro transforma MPF e STF de institui??es em corpora??es

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Daniel Vorcaro fez um strike no STF e na PGR. Dos dez ministros do Supremo, pelo menos cinco são mencionados direta ou indiretamente no celular do dono do falecido Banco Master. Caberia a Paulo Gonet requisitar a abertura de inquéritos. Mas o procurador-geral não se interessa por transgressões supremas. Chegou-se a um paralisante ponto crítico: o procurador não procura e os magistrados não se dão por achados.
Por nove votos a zero, o Conselho Superior do Ministério Público decidiu manter Gonet à frente do inquérito sobre o Master. Por cinco a quatro, o colegiado mandou para o arquivo morto pedido de investigação contra o procurador-geral. Foram enterradas evidências vivas. Entre elas, uma foto de Gonet degustando uísque e fumando charuto ao lado de Vorcaro, em Londres.
No Supremo, um pedido de vista-bloqueio de Flávio Dino jogou para depois das eleições a análise da abertura de investigação sobre os vínculos de Alexandre de Moraes com Vorcaro. A facção de Moraes cobra a inclusão de outras togas na pauta: Dias Toffoli, André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux.
A Constituição atribui ao Supremo o julgamento, nas infrações penais, de seus próprios ministros. O procurador-geral, por sua vez, tem atribuição de requerer a abertura de inquéritos envolvendo autoridades com foro no STF. Daniel Vorcaro obteve uma façanha: transformou o Ministério Público Federal e o Supremo de instituições em corporações. As autoridades se protegem umas às outras. E o interesse público, desguarnecido, fica na várzea.
Opinião
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