Especialista, Yanne detalha rotina para pegar pênaltis e brilhar pelo Bahia no Brasileiro Feminino


Goleira Yanne, do Bahia, atravessa o gramado de joelhos após classificação à semifinal
— Na hora que assisti ao vídeo [de Felipe Freitas antes dos pênaltis] eu falei assim: “Caraca. Acho que ele confia mesmo em mim”. Não que eu não soubesse disso, ele me passa confiança todos os dias, mas é importante quando você tem alguém que confia tanto em você — conta Yanne em entrevista ao ge.

Palmeiras 1 (4) x (5) 1 Bahia | Pênaltis | Volta das quartas | Brasileirão Feminino 2026
A fama de pegadora de pênaltis de Yanne é de longa data. Ela defendeu três penalidades na final da Ladies Cup, em 2024, diante do Grêmio, e também nas quartas de final da Copa do Brasil feminina 2025, em partida contra o Bragantino.
Mais que confiança, defender pênaltis significa muito trabalho na rotina de Yanne, que regularmente passa por exercícios de força e potência. Segundo o técnico Felipe Freitas, o clube treinou 2.632 penalidades somente em 2026.
— Nós temos análises dos adversários, filtramos ideias de batedoras, e temos gatilhos do que ela pode fazer com atletas específicas. Nunca é uma ideia muito fechada. Não vou falar para a Yanne o que ela tem que fazer. É muito da leitura dela — inicia André Cainã, preparador de goleiras do Bahia.
— Busco trabalhar de forma mais específica. Volto muito meu olhar para o jogo, fragmento as ações do adversário e construo o treino a partir disso — completa o profissional.
Yanne é destaque do Bahia no Brasileiro Feminino — Foto: Jhony Pinho
A metodologia também muda de acordo com quem está no gol.
— Cada goleira tem uma característica diferente. A forma que eu trato a Yanne não é a mesma que trato a Júlia ou a Mari. Cada uma responde de uma forma — completa André Cainã.
Mas tem algo que vai além do treino e da confiança. E isso Yanne prefere não revelar.
— Eu não vou passar meu ouro, minha tática (risos). Mas é muito estudo meu, assim, de leitura minha. Até como eu falo, eu acho que o pênalti também não é só sobre o meu adversário, é também sobre mim, sobre a goleira Yanne. Então, eu busco tentar pensar como elas, eu busco tentar fazer a melhor leitura possível, eu busco ter a maior tranquilidade possível — comenta a goleira.
Yanne, do Bahia, brilha nas cobranças de pênaltis — Foto: Rebeca Reis/Staff Images Woman/CBF
O início
Yanne ainda criança no interior da Bahia — Foto: Arquivo Pessoal
E olha que Yanne não começou a trajetória no futebol como goleira. Natural de Salvador, ela cresceu no interior do estado, entre as cidades de Conceição do Coité e Olindina, passou por uma série de esportes e foi zagueira até se encontrar no gol.
— Eu passei por muitos esportes. Jogo vôlei, jogo basquete, handebol, natação, judô. Tudo de esporte eu amo e adoro. Nunca tive medo de jogar bola. Vivi muito essa parte de criança de interior, jogar bola na rua, brincar de amarelinha, pega-pega, então eu tenho esse sangue de estar no interior, de ir na roça. Brincar com ovelhas, pastorear gado, sempre gostei muito — relembra Yanne.
O sucesso de Yanne em uma caminhada de idas e vindas passa pela família, que acompanhou de perto cada etapa da trajetória da filha.
— É muito difícil ficar longe, e, às vezes, a gente pensa se vale a pena. A gente liga para a mãe, tenta não passar que está triste, para não deixar ela triste. Então estar perto, ter este suporte, faz com que a gente supere cada desafio — conta a goleira.
Yanne e família — Foto: Arquivo Pessoal
Convocação para Copa do Mundo 2027

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Com a família ao lado, Yanne construiu uma história que não demorou a dar resultado. Em 2022, a goleira esteve presente no grupo que disputou a Copa do Mundo Sub-20 e que conquistou o Sul-Americano em 2022 pela seleção brasileira.
— Não teria palavras para descrever o meu nível de gratidão. Vai ser um sonho. Já disputei a Copa do Mundo pelo Sub-20 e me emocionei bastante. É muito gostoso ouvir o Hino Nacional, você vestindo a camisa da Seleção Brasileira. O olho enche de lágrima porque eu amo futebol, amo o que faço e é um amor que chega a transbordar o peito — sonha a goleira do Tricolor.
O objetivo agora é ter a primeira experiência na seleção brasileira principal e realizar o sonho de disputar uma Copa do Mundo.
"Tenho o sonho de disputar uma Copa do Mundo com a seleção brasileira principal. Tenho o sonho de conquistar um título mundial. É uma coisa que quero muito. Não vai faltar trabalho da minha parte", garante Yanne.
O bom momento pelo Bahia, clube que Yanne defende desde 2024, naturalmente aumenta a expectativa por uma oportunidade na Seleção. A goleira sabe que a concorrência é grande, mas prefere concentrar a energia naquilo que pode controlar: o próprio desempenho.
— Estou trabalhando bastante, estou buscando muito evoluir, buscando muito estar preparada. Espero que eu possa ter a oportunidade, fazer a realização de um sonho. Não vai faltar entrega, não vai faltar raça, não vai faltar dedicação — promete a goleira.
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