Cátia Azevedo quer voltar ao melhor nível e continua a sonhar com Los Angeles
Após 18 anos ao serviço dos ‘leões’, a recordista nacional dos 400 metros ao ar livre diz que o facto de não continuar no Sporting “mexe um bocado com a dinâmica pessoal”, mas que o seu foco “é treinar, competir ao mais alto nível, honrar o nome de Portugal”.
“Muda muito em termos financeiros, na minha estabilidade, mas é algo em que eu e o meu marido [o lançador Tsanko Arnaudov] estamos a trabalhar, [em] como conseguimos ir mais longe e como conseguimos os nossos objetivos”, disse à agência Lusa, garantindo que, neste momento, não pensa colocar os ‘leões’ em tribunal.
Cátia Azevedo garante que “nunca iria sair de um clube de 18 anos se tivesse sido honrada, respeitada, e se estivesse tudo normal, como era expectável”, adiantando que vai competir como individual, pelo menos até à reabertura das transferências em janeiro.
“[Agora, quero] Voltar ao ritmo competitivo, ter uma presença assídua em competições continuadamente, que é para conseguir sentir que aquilo é o meu palco outra vez. A forma já está bastante equilibrada, com umas boas expectativas, mas é um ano de reaprender a correr, basicamente, e desfrutar muito com estabilidade”, assumiu.
Depois de ter já estado em três Jogos Olímpicos, Cátia Azevedo diz que “não é cedo” para pensar em Los Angeles2028, pois “uma atleta que foi três vezes quer ir uma quarta”.
“Eu nasci para isto, esta é a minha profissão, este é o meu talento, portanto quero honrar Portugal com mais uma participação nos Jogos Olímpicos, e é esse o meu objetivo, tanto para 2027 como para 2028”, referiu.
Sobre a situação com o Sporting, a olímpica portuguesa referiu que tinha um contrato de dois anos, com mais dois de opção, que o clube não exerceu, porque, segundo a própria, não cumpriu “com nada nesses dois anos”.
“No primeiro ano, estive lesionada e, no segundo, fui mãe. Entretanto, [dizem que] já tenho uma atleta que é melhor do que eu e que, por causa disso, iriam reduzir-me o ordenado. A proposta era reduzir com um ano [de contrato], ao que eu disse que nem queria saber o valor, porque não faz parte dos meus planos, porque precisava de estabilidade, uma vez que estou a regressar de ser mãe e de uma lesão que demorou muito tempo a ser curada”, referiu.
Cátia Azevedo diz que explicou aos responsáveis que “precisava desses dois anos também pela estabilidade”, mas que o diretor do atletismo Paulo Reis lhe disse que “era quase impossível”, porque era “um tiro no escuro” depois de ter sido mãe.
“Se eu escolhesse um ano, tanto a contrato ou a recibos verdes, mantinha o meu contrato anterior, se eu quisesse os dois anos teria que ser uma redução”, revelou.
A atleta acrescentou que nunca houve uma conversa sobre o seu “valor humano, o que é que representava para o clube, tudo o que tinha dado”.
“Só falávamos daquilo que eu corri, não corri, e que tinha que me cortar, e que não dava mais, e pronto. Quando eu disse que não, todas as quatro propostas eram quatro propostas que me deixavam mal, e ele ‘ok, então não assinamos, não chegamos a acordo’”, detalhou.
A também enfermeira, de 32 anos, preferiu não fazer uma comparação com Auriol Dongmo, que renovou com o Sporting depois de ter sido mãe, pois não sabe a proposta que a lançadora do peso, recentemente campeã mediterrânica, recebeu, se “aceitou a redução”.
“Não sei o caso dela, e o que eu posso falar é somente sobre mim. E eu não aceitei a redução, porque eu não estava para a redução. E eles foram muito irredutíveis e intransigentes, somente tinham aquelas opções, e não havia outro tipo de manobra no nosso contrato”, lamentou.
A última prova de Cátia Azevedo foram as repescagens dos 400 metros nos Jogos Olímpicos Paris2024, em 06 de agosto de 2024.
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