Datafolha torna debate da Globo tão estratégico quanto arriscado


A penúltima rodada do Datafolha sugere que a campanha de Lula pode ter soluçado positivamente na reta final. Às vésperas do segundo turno, ele obteve um empate numérico com Flávio Bolsonaro em votos válidos. Ambos aparecem com 50%. O equilíbrio transforma o debate da TV Globo, nesta sexta-feira, na última chance de seduzir os eleitores não convertidos.
O Datafolha revela que 94% dos eleitores já escolheram um lado na sucessão. Fechados com Flávio ou Lula, não cogitam trocar o voto. Apenas 6% admitem que ainda podem mudar. Os dois grupos se comunicam e se informam dentro das respectivas bolhas. Compartilham opiniões, preconceitos, medos e ódios. São movidos por uma fé quase dogmática.
O ingrediente da dúvida está excluído dos credos bolsonarista e petista. Não importa o que os candidatos digam ou façam. A fidelidade desse voto devoto parece inquebrantável. Mas um deslize no debate pode empurrar os não convertidos para o voto nulo ou a abstenção.
Segundo o Datafolha, a taxa de desaprovação do trabalho de Lula oscilou dois pontos para baixo. Está em 48%. O índice de aprovação variou um ponto para cima. Bateu em 49%. É a primeira vez na campanha em que a popularidade de Lula saiu do vermelho.
Oscilou positivamente também a avaliação do governo. Em uma semana, a reprovação ao governo escorregou de 41% para 39%. A aprovação variou de 35% para 36%. O saldo negativo caiu de seis pontos para três pontos percentuais.
Na pergunta sobre em quem jamais votariam, 46% apontaram Flávio. Rejeitaram Lula 45%. No primeiro Datafolha após o segundo turno, a rejeição ao filho de Bolsonaro era de 43%. Oscilou para 44%. Após a repercussão do debate na Band, chegou a 46%.
A eleição nunca esteve tão aberta. Tende a ser definida por um fio de cabelo. Convém aos candidatos evitar a repetição na Globo da várzea encenada na Band. O último debate tornou-se tão estratégico quanto arriscado.
Opinião
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