A aposta da Nike no sobrenome Arnault para sair da crise
A Nike anunciou nesta quarta-feira, 16 de setembro, a entrada de Alexandre Arnault em seu conselho de administração. A nomeação já valia desde o dia anterior, 15 de setembro. Aos 34 anos, o executivo é filho de Bernard Arnault, dono da LVMH, e hoje comanda como vice-presidente a Moët Hennessy, área de vinhos e bebidas do grupo francês de luxo.
Com a chegada dele, o conselho da Nike passou a ter doze integrantes. A empresa deu a Arnault um pacote de boas-vindas em ações no valor de 200 mil dólares, cerca de 1 milhão de reais. Se ele deixar o conselho antes de completar um ano no cargo, perde o direito a essas ações. Por enquanto, o mandato vai até a assembleia de acionistas de 2027.
Uma carreira feita dentro do mundo do luxo
Antes de assumir a Moët Hennessy, em fevereiro de 2025, Arnault passou quatro anos cuidando de produto e comunicação na Tiffany, ajudando a reposicionar a joalheria depois que ela foi comprada pela LVMH. Antes disso, liderou a compra da Rimowa e ficou quatro anos como CEO da marca de malas, período em que ela ganhou fama por parcerias com nomes como Supreme e Dior.
Ele também tem cadeira no conselho da LVMH desde 2024 e é curador do MoMA, em Nova York. Já passou pelos conselhos da Carrefour, da Birkenstock e da Moncler, marca de roupas de esqui na qual entrou depois de um acordo entre a LVMH e a companhia italiana. Em comunicado, o presidente do conselho da Nike, Mark Parker, disse que Arnault construiu fama por ajudar marcas grandes a se reinventar e crescer em mercados difíceis.
Um momento ruim para a Nike
A entrada do executivo acontece num período pesado para a fabricante de artigos esportivos. No ano fiscal de 2026, a receita da Nike caiu 2% em moeda constante, somando 46,4 bilhões de dólares, cerca de 238 bilhões de reais. O número veio a público em junho e mostra como está difícil colocar de pé o plano de recuperação chamado Win Now, criado pelo CEO Elliott Hill quando ele assumiu o cargo, em setembro de 2024.
No dia 21 de setembro a Nike sai do S&P 100 pela primeira vez em 18 anos, depois de suas ações caírem cerca de 80% desde o pico. Num encontro com investidores em 8 de setembro, Hill disse que a empresa não está sendo tocada pensando em trimestre a trimestre, e sim numa reconstrução pensada para a próxima década. Ele falou sobre o foco em inovação de produto, conexão emocional com o consumidor e presença forte da marca tanto nas lojas quanto no digital.
O que a Nike espera de Arnault
Ao explicar a escolha, Hill disse que Arnault entende como marcas importantes se mantêm relevantes e constroem uma relação de longo prazo com o público. Para o CEO, a bagagem do executivo em inovação, transformação digital e construção de marca pode ajudar a Nike a se aproximar do consumidor e ganhar competitividade lá fora.
O papel de Arnault no conselho é consultivo, sem participação direta nas operações do dia a dia nem em lançamentos de produto, que seguem sob responsabilidade de Hill como CEO da companhia. A Nike divulga o resultado do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 em 1º de outubro, quando o mercado deve ter mais pistas sobre o andamento da recuperação da marca.
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