Rede quer competir com Ibis no Nordeste e investe R$ 1 bi na construção de hotéis
A praia de Suape, em Pernambuco, vai ganhar o primeiro City Express do Brasil. O hotel com uma das marcas da Marriott está sendo construído pela Fábrica de Hotéis, do Grupo PGA, e entra em operação já no ano que vem. Em 15 anos, o plano é ter 30 hotéis da marca, com um investimento de R$ 1 bilhão. O grupo levanta recursos para a empreitada e até fez uma primeira captação na B3.
No mês passado, o PGA emitiu a primeira nota comercial do Regime Fácil em hotelaria – modalidade para que pequenas e médias empresas de até R$ 500 milhões de faturamento bruto anual acessem o mercado de capiais. Foram captados R$ 25 milhões, que serão utilizados para o desenvolvimento dos projetos.
Segundo Eduardo Malheiros, CEO do PGA, a ida ao mercado de capitais foi uma oportunidade. “É trazermos um dinheiro mais barato e que permite acelerar o plano de expansão. Nosso projeto é de R$ 1 bi, então nossa meta é buscar isso. Pretendemos ir mais vezes à bolsa”, comenta.
Outros cinco hotéis do City Express já estão no pipeline: eles vão ser construídos em Porto de Galinhas (PE), Natal (RN), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB) e Maceió (AL). Os demais ainda estão em prospeção. O plano inclui focar em capitais do Nordeste num primeiro momento para depois ir para o interior.
Hotéis padronizados

Tarcysio Malheiros, CEO da Fábrica de Hotéis (Fábrica de Hotéis/Divulgação) (Fábrica de Hotéis/Divulgação)
A Fábrica de Hotéis não tem esse nome a toa. A empresa do Grupo PGA trabalha com o racional fabril de construir dezenas de hotéis padronizados voltados para o público midscale. Tarcysio Malheiros, CEO, diz que a ideia é competir com modelos como o Ibis. A proposta é trazer o público executivo que está viajando a negócios. Mas com um diferencial em relação a concorrência.
“É um hotel executivo com toda a estrutura de lazer. Como lazer é nosso DNA, trouxemos isso para fazer com que o hóspede fique no hotel”, aponta Tarcysio.
O empreendimento segue um padrão: sete andares, mezanino e um anexo, que juntos somam 209 apartamentos. As áreas comuns têm piscina, quadra de beach tennis, duas salas de reunião, com capacidade de 100 pessoas cada, praça de alimentação e espaço para eventos. Os quartos variam de 22 m² a 26 m², na modalidade single (uma cama de casal) ou duplo (duas camas de solteiro). A inauguração na Praia de Suape está prevista para fevereiro de 2027 e as diárias vão custar a partir de US$ 100.
A Fábrica de Hotéis teve licença para operar a bandeira Marriott em 2025. Em Porto de Galinhas, o PGA também é dono de um resort all inclusive de alto padrão da marca The Westin, também da Marriott.
Proximidade com o porto e o complexo industrial
O hotel fica em localização estratégica, a cerca de 15 minutos das principais praias do litoral Sul pernambucano. “O hotel mais próximo está a 15 km, no Cabo de Santo Agostinho, e é do nosso principal concorrente”, comenta Tarcysio.
“Eu brinco que se tivesse mais três hotéis desse, lotaria os três, porque tem espaço e tem demanda”, acrescenta, dizendo que há um déficit muito grande de oferta na região. “Todos os estudos foram feitos com base de 70% de ocupação, mas não vejo porque não conseguir alcançar 90%.”
O City Express fica próximo à retroárea, que engloba o Porto de Suape, sexto maior porto do Brasil construído em 1978, e o complexo industrial, que engloba mais de 90 indústrias, a 40 km de Recife.

Porto de Suape, na praia de Suape, em Pernambuco (Porto de Suape/Divulgação) (Porto de Suape/Divulgação)
Lá, trabalham 30 mil pessoas e 24 mil vem e vão todos os dias da capital pernambucana. Suape acumula R$ 74,5 bilhões em investimentos privados desde sua implantação. Se o City Express abocanhar 1% de tudo isso, segundo Tarcysio, vai faltar leito.
“Temos aqui essa característica importante que é essa zona industrial, que tem uma série de indústrias, dentre elas a refinaria, que está em processo de dobrar sua capacidade, também temos a fábrica da Coca-Cola, Campari, Acche. Todas elas se aproveitam dessa infraestrutura portuária”, diz Armando Peixoto, diretor de desenvolvimento e gestão industrial.
O porto tem uma área de 17,3 mil hectares, dos quais quase 60% são zona de preservação. Desse montante, ao todo ainda há 4,6 mil hectares disponíveis para expansão. “Em Santos, por exemplo, para acontecer alguma coisa nova, alguém tem que sair para o outro entrar, aqui ainda tem muita área para crescer, esse é o diferencial”, afirma Peixoto.
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