Nasa monitora El Niño que pode ser o mais forte desde 1950; veja efeitos no Brasil
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Satélites acompanham o fortalecimento do El Niño no Pacífico. A NOAA calcula 83% de probabilidade de intensidade superior à dos eventos registrados desde 1950 no trimestre de outubro a dezembro. No Brasil, a previsão combina mais chuva no Sul e restrições hídricas em partes do Norte e do Nordeste.
Uma massa de água quente atravessou o Pacífico e elevou o nível do mar em até 40 centímetros em algumas áreas. Em outras, o oceano ficou mais azul, com a redução de organismos microscópicos que dependem das águas ricas em nutrientes. Vistos do espaço, esses sinais ajudam a Nasa a acompanhar um El Niño que pode se tornar o mais intenso desde 1950 — e alterar a distribuição das chuvas muito além do oceano onde se forma.
Em seu boletim de outubro, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) calculou uma probabilidade de 83% de intensidade histórica no trimestre de outubro a dezembro. O recorde ainda é uma possibilidade, mas o fenômeno já está estabelecido e se fortalecendo.
No Brasil, a preocupação envolve efeitos que podem ocorrer ao mesmo tempo, em regiões diferentes. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuvas acima da média no Sul e condições mais secas em partes do Norte e do Nordeste, com implicações para cidades, lavouras e o monitoramento de riscos.
O que os satélites estão observando?
O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento de partes do Pacífico equatorial. A mudança interfere na circulação da atmosfera e redistribui calor e umidade, alterando condições de chuva muito além da região onde começa.
Os satélites Sentinel-6 medem a altura da superfície dos oceanos a cada dez dias. Como a água se expande quando aquece, essas observações ajudam a acompanhar o deslocamento das massas de água quente e a evolução do fenômeno.
Outro satélite, o PACE, acompanha mudanças na cor do oceano. Em áreas do Pacífico equatorial, tons mais azuis indicam redução do fitoplâncton, conjunto de organismos microscópicos que depende da disponibilidade de nutrientes. Durante o El Niño, o enfraquecimento da subida de águas profundas pode reduzir esse abastecimento.
Por que ainda não é possível cravar o recorde?
A projeção da NOAA utiliza um índice relativo de temperatura do Pacífico, o RONI, calculado para períodos de três meses. A probabilidade de 83% se refere à intensidade prevista de outubro a dezembro, e não à chance de o El Niño existir.
O fenômeno já está estabelecido e se fortalecendo. A incerteza está no patamar que alcançará e na maneira como seus efeitos se combinarão com outras condições climáticas. Mesmo um evento muito intenso não determina, sozinho, o tempo em cada município.
O que esperar no Brasil até dezembro?
O boletim agroclimatológico do Inmet, publicado em outubro, prevê chuvas acima da média em toda a Região Sul, com destaque para Rio Grande do Sul, Santa Catarina e áreas do sul e do leste do Paraná. O excesso de umidade pode dificultar operações agrícolas e exige atenção a episódios de chuva intensa.
No Norte, predomina a previsão de chuva abaixo da média, com exceções locais. No Nordeste, o cenário também varia. A porção oeste tende a ter menos precipitação, enquanto áreas do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco e de Alagoas podem registrar volumes ligeiramente superiores à média.
No Centro-Oeste, a previsão separa condições mais secas no centro-norte de Mato Grosso, no norte de Goiás e no Distrito Federal de maior precipitação em Mato Grosso do Sul e no sul de Goiás. No Sudeste, há tendência de mais chuva em São Paulo, no Rio de Janeiro e no centro-sul de Minas Gerais.
Como o fenômeno pode chegar à economia?
A distribuição das chuvas interfere no calendário de plantio, nas condições de colheita e na disponibilidade de água. Seus efeitos sobre a produção podem alcançar o preço dos alimentos, embora uma previsão climática não permita calcular antecipadamente a variação que chegará ao consumidor.
O acompanhamento precisa combinar a tendência para o trimestre com os alertas meteorológicos de curto prazo. O mapa sazonal ajuda a planejar; a previsão dos próximos dias orienta decisões diante de uma tempestade, de uma onda de calor ou de um período de estiagem.
Perguntas frequentes
Este já é o El Niño mais forte desde 1950?
O recorde ainda não está confirmado. A NOAA atribui 83% de probabilidade a uma intensidade histórica no trimestre de outubro a dezembro.
Todo o Brasil terá menos chuva?
Não. A previsão indica efeitos diferentes entre as regiões, incluindo chuvas acima da média no Sul.
O El Niño pode afetar os alimentos?
Sim. Alterações nas chuvas e nas temperaturas podem interferir nas lavouras, mas não determinam antecipadamente quanto os preços vão variar.
A previsão para o trimestre indica o tempo de cada dia?
Não. Ela aponta tendências sazonais e deve ser acompanhada dos boletins e alertas de curto prazo.
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