Porto. Acampada desmobiliza e volta-se para Seguro

Nos primeiros minutos, foi aprovado o voto de condenação pelo incidente na véspera, fizeram um pedido ao Presidente da República e formalizaram a adesão da Acampada à manifestação organizada pelo Movimento Casa para Viver, prevista para esta terça-feira, dia 27 de outubro, que deverá começar às 18h30 na estação de metro da Trindade.
Cessadas as votações, deixando no ar se iriam ou não pernoitar mais uma vez na Praça D. João I, dezenas de manifestantes assumiram o microfone para partilhar as suas experiências da noite anterior. Todos, sem exceção, recordam um “abuso” das “forças policiais”, apontando para um “excesso” de meios destacados, com um especial enfoque nos cães que ficaram a olhar para os que dormiam em tendas durante várias horas.
Também aproveitaram a oportunidade para destacar os seis pontos que constam na lista de reivindicações e, ao mesmo tempo, criticar a governação, de uma forma geral. Nestas últimas, repetem-se sempre cânticos de “Demissão” direcionados ora a Pedro Duarte, ora a Luís Montenegro. Sobre o primeiro-ministro, soube-se ao microfone que a PSP tinha identificado e constituído como arguido o manifestante que terá incentivado um hipotético ataque à residência do líder do PSD, na sequência da primeira investida policial das manifestações no Porto.
A notícia foi recebida com desagrado e indignação pelos restantes manifestantes. Catarina dos Santos chega a dizer que é “anedótico” Luís Montenegro sentir algum tipo de insegurança. Segundo o relato da porta-voz, o jovem foi intercetado pela polícia enquanto se deslocava ao Instituto Superior de Engenharia do Porto, para votar nas eleições presidenciais do Brasil. De Paranhos, foi transportado para a Divisão de Investigação Criminal da PSP naquela cidade, onde foi interrogado e constituído arguido. À Lusa, fonte policial adiantou que está em causa o crime de instigação pública a um crime.
Ao fim de mais de uma hora de partilha que viu lágrimas, risos e cânticos de união, com um pano de fundo de imagens repetidas do 25 de abril, a Assembleia Popular terminou com várias questões ainda em cima da mesa. Na verdade, a mais importante acabou mesmo por nem ir a votos. Na noite anterior, todo o material de campismo foi levado pelas autoridades e pela higiene urbana do Porto.
Por esse motivo, e com a memória do que os manifestantes viveram nem 24 horas antes naquele mesmo local, a mesa da Assembleia Popular decidiu não introduzir a discussão sobre uma nova pernoita na Praça D. João I. Ao Observador, Pedro Manuel, um porta-voz da organização, disse que não estavam reunidas as condições de segurança para voltar a dormir ao relento. Não obstante, garantiu que a mobilização na praça irá continuar todos os dias.
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