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Wednesday, November 4, 2026

Trump diz que aceitará resultado das eleições e trabalhará com o Partido Democrata

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (3) que aceitará o resultado das eleições de meio de mandato, em meio às projeções de uma derrota expressiva de seu Partido Republicano no Congresso. Em entrevista ao jornal The New York Times, o americano também sinalizou disposição para negociar com os democratas, que avançavam na disputa pelo controle do Legislativo.

"Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados", afirmou. "Vamos trabalhar com os democratas e esperamos poder trabalhar com eles. Provavelmente chegaremos a algum acordo."

A declaração contrasta com o discurso adotado pelo presidente ao longo da campanha, quando questionou a confiabilidade do sistema eleitoral e condicionou o reconhecimento de uma eventual derrota à lisura da votação.

O tom conciliador também veio depois de Trump tentar se distanciar do desempenho republicano nas urnas. Em publicação na rede Truth Social, o presidente atribuiu parte do resultado à ausência de seu nome nas cédulas. "Se eu estivesse, teríamos vencido de lavada", escreveu.

Nas últimas semanas, porém, o próprio Trump havia pedido repetidamente que seus apoiadores votassem nos candidatos republicanos como se ele estivesse concorrendo. O presidente percorreu diferentes estados em comícios e transformou a eleição em um teste de sua popularidade.

Trump chegou às urnas com a aprovação próxima do menor nível de seus dois mandatos. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (2) mostrou que apenas 32% dos americanos aprovavam seu governo, em meio à insatisfação com o custo de vida e a condução da economia.

Na véspera da votação, o republicano já havia reconhecido a possibilidade de derrota. Durante um evento diante do Memorial de Lincoln, em Washington, lembrou que o partido do presidente costuma perder cadeiras nas eleições de meio de mandato.

"Normalmente, seja quem for o presidente, republicano ou democrata, bom ou ruim, por alguma razão, o partido do presidente não vence as eleições de meio de mandato. Mas nós nos esforçamos muito", afirmou.

No domingo (1º), em um comício no Kansas, Trump também havia recorrido ao histórico eleitoral americano para justificar a dificuldade enfrentada pelos republicanos. Segundo ele, nas últimas 25 eleições de meio de mandato, o partido do presidente havia vencido apenas duas vezes.

A disposição para aceitar o resultado representa uma mudança de tom em relação à postura adotada por Trump após sua derrota para Joe Biden em 2020. Na ocasião, o republicano denunciou uma suposta fraude eleitoral sem apresentar provas capazes de sustentar suas acusações.

Ainda durante a campanha deste ano, Trump manteve as dúvidas sobre seu compromisso com o resultado. Questionado pela imprensa em 27 de outubro sobre se reconheceria uma eventual derrota, respondeu: "Sim, se [os resultados] forem honestos."

A perspectiva de uma maioria democrata na Câmara dos Representantes abre caminho para investigações sobre o governo, convocações de autoridades e maior fiscalização das decisões da Casa Branca. Também poderia permitir a abertura de um novo processo de impeachment contra Trump.

O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, porém, evitou se comprometer antecipadamente com essa possibilidade. Questionado sobre o assunto, afirmou que o partido não havia decidido iniciar um processo, mas tampouco descartava a medida. Segundo ele, eventuais iniciativas deverão ser guiadas pelos fatos, pela legislação e pela Constituição americana.

Trump já enfrentou dois processos de impeachment durante seu primeiro mandato, em 2019 e 2021, mas foi absolvido pelo Senado nas duas ocasiões. Uma nova acusação poderia ser aprovada por maioria simples da Câmara, enquanto sua destituição exigiria o apoio de dois terços dos senadores presentes no julgamento.

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