Xi Jinping chega a Washington: confira a agenda do líder chinês nos EUA
O presidente da China, Xi Jinping, chega a Washington nesta quarta-feira, 23, para um encontro com o líder norte-americano Donald Trump. Com um relacionamento tenso marcado por diversos tarifaços, as duas maiores potências econômicas mundiais discutirão temas como IA, terras raras e a questão de Taiwan.
Xi terá uma agenda protocolar com o líder americano e a primeira-dama Melania Trump, além de um jantar de Estado com executivos de grandes empresas de tecnologia, de acordo com a própria Casa Branca e informações divulgadas pelas agências Reuters e Associated Press.
Com término nesta sexta-feira, 25, essa será a primeira visita de Estado de Xi aos Estados Unidos em mais de uma década e o terceiro encontro com Trump desde o início do segundo mandato do presidente americano.
O encontro ocorre ainda às vésperas do fim, em novembro, da trégua comercial firmada em 2025. Segundo o Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), embora os dois governos tenham interesse em preservar a estabilidade da relação, as expectativas de grandes avanços na cúpula são limitadas.
Qual é a agenda de Xi Jinping em Washington?
Quarta-feira, 23
- Chegada a Washington: Xi Jinping e sua mulher, Peng Liyuan, chegam à Joint Base Andrews, onde serão recebidos pessoalmente pelo presidente Donald Trump.
Quinta-feira, 24
- Cerimônia de Estado: Trump e a primeira-dama Melania Trump recebem Xi e Peng na Casa Branca. A cerimônia terá 479 militares, execução dos hinos nacionais, discursos dos dois presidentes, revisão militar e sobrevoo com um B-2 Spirit e quatro F-22 Raptors.
- Agenda de Melania e Peng: enquanto os presidentes tratam dos assuntos bilaterais, Melania Trump e Peng Liyuan visitarão o Smithsonian National Museum of Asian Art.
- Reunião entre Trump e Xi: os dois presidentes discutirão comércio, tarifas, terras raras, inteligência artificial, Taiwan, Irã, Ucrânia e outras questões da relação bilateral.
- Jantar de Estado: à noite, Trump e Melania receberão Xi e Peng no East Room da Casa Branca. Entre os convidados esperados estão executivos de grandes empresas de tecnologia, como Tim Cook da Apple, Jensen Huang da Nvidia e Sam Altman da OpenAI, segundo a Reuters.
Sexta-feira, 25
- Chá na Casa Branca: Trump e Melania receberão novamente Xi e Peng para um encontro privado.
- Visita aos Arquivos Nacionais: os dois casais seguirão para os National Archives, em Washington, onde deverão conhecer documentos históricos relacionados às relações entre Estados Unidos e China.
- Fim da visita: Trump e Melania se despedirão de Xi e Peng, encerrando a visita de Estado.
Essa será a primeira visita de Estado de Xi aos Estados Unidos em mais de uma década. A programação foi divulgada oficialmente pelo governo americano, enquanto detalhes sobre alguns compromissos e convidados também foram reportados por Reuters e AP com base em informações fornecidas por autoridades e pessoas familiarizadas com os preparativos.
Quais são os grandes temas do encontro com Donald Trump?
O comércio será um dos principais temas. A trégua firmada em outubro de 2025, que reduziu a escalada tarifária e flexibilizou restrições chinesas sobre terras raras e minerais críticos, expira em novembro. Segundo especialistas do CSIS, Washington quer manter o fluxo desses materiais e ampliar compras chinesas de produtos americanos, enquanto Pequim busca estender o acordo e obter autorização para cerca de US$ 30 bilhões em exportações com tarifas reduzidas ou zeradas.
A trégua comercial também esteve no centro das negociações desta semana.
A inteligência artificial será outro eixo da reunião. Além da disputa tecnológica, Estados Unidos e China avançam em modelos diferentes de governança da IA. Para o CSIS, o encontro pode servir para estabelecer parâmetros básicos de segurança e abrir caminho para futuras negociações internacionais.
Taiwan também deve gerar atritos. Segundo pessoas familiarizadas com os planos ouvidas pela Reuters, Xi deverá pressionar Trump a reduzir ou adiar vendas de armas à ilha. O CSIS também aponta a possibilidade de uma discussão sobre comunicação militar entre os dois países.
A guerra entre Estados Unidos e Irã pode levar Trump a pedir maior cooperação chinesa para pressionar Teerã e reabrir o Estreito de Ormuz. Xi, por sua vez, deverá tentar evitar novas sanções contra entidades chinesas ligadas ao comércio com o país.
Ucrânia e fentanil também estão entre os assuntos previstos. Trump poderá buscar o apoio de Xi para seus esforços por um cessar-fogo e cobrar novas medidas chinesas contra o tráfico da droga.
Pequim também deve pressionar por maior acesso a chips avançados e tecnologias americanas, além de defender investimentos chineses nos Estados Unidos.
Apesar da agenda extensa, o CSIS avalia que a cúpula deverá produzir avanços pontuais, funcionando sobretudo como um mecanismo para conter a rivalidade entre as duas potências e preservar a estabilidade da relação.
A disposição para manter o diálogo contrasta com a dimensão dos desafios que exigiriam uma atuação coordenada das duas maiores potências, incluindo mudanças climáticas, desequilíbrios econômicos e os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia.
A economia americana mantém forte aposta nos investimentos em inteligência artificial, enquanto Trump se aproxima das eleições de meio de mandato. A China, por sua vez, enfrenta dificuldades econômicas e busca preservar um ambiente internacional mais estável.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.