8h. Mais de mil pessoas detidas nos protestos em França
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Na Rádio Observador. Jornal das 8, com edição do Miguel Gato. Miguel, os manifestantes pela habitação não arredam pé e pernoitaram nas cidades de Lisboa e do Porto.
São centenas de pessoas as que se encontram nesta altura na Praça do Rossio, na capital, e também na Praça Dom João I, na Invicta. Os manifestantes recusaram-se a abandonar as concentrações, apesar dos apelos da polícia, que acabou por abandonar o local das duas manifestações. Foi uma madrugada marcada por negociações entre a PSP e os grupos organizadores do protesto no Porto. A jornalista da Rádio Observador, Laura Figueiredo, relatava-nos esta madrugada como estava a situação na Praça Dom João I.
Os ânimos aqui na Praça Dom João I estão bastante calmos já desde as duas da manhã, hora a que a polícia saiu da praça, tanto a Polícia Municipal como a PSP, mesmo a carrinha de intervenção que aqui estava. Todos deixaram a praça depois de cerca de uma hora e meia, em que decorreram uma espécie de negociações entre os manifestantes e a polícia. Nestas negociações, começou por o advogado que representa o movimento falar com o subintendente que estava a liderar então estas conversas. A polícia começou por pedir que os manifestantes retirassem as tendas e que desmobilizassem. A ordem acabou por não ser acatada, até porque ainda continuam aqui as cerca de 50 tendas que foram sendo montadas desde o início da noite. E de fato, os manifestantes também não desmobilizaram. Ao fim, então, de cerca de 1h30, a polícia acabou por sair daqui. Nos momentos que se seguiram a isso, houve um silêncio na praça, também bastante incerteza. Falei com vários manifestantes que não sabiam o que ia acontecer, se a polícia iria ou não regressar, mas de fato não regressou, pelo menos até então, e os manifestantes mantêm-se desde aí em silêncio. Ainda formaram um cordão, durante algumas horas manteve-se aqui um cordão humano à frente das tendas. Os manifestantes que estavam mesmo na linha da frente tinham um capacete e também proteções nos braços. Falei com alguns que me deram conta de que era a preparação para o caso da polícia de intervenção aparecer aqui, isto já como cuidados depois do que aconteceu na madrugada de quinta-feira, mas até ver, nada disso se repetiu hoje. Continuam a passar de vez em quando aqui alguns carros-patrulha, mas é simplesmente isso, passam e não ficam.
O relato da Laura Figueiredo esta madrugada a partir da Praça Dom João I, no Porto. Na Praça do Rossio, em Lisboa, ambiente semelhante, como relatava também, por volta das 4h, o jornalista Miguel Pina Andrade.
O forte contingente policial que a certa altura, esta tarde e esta noite, se fez sentir aqui na Praça do Rossio, já desapareceu quase por completo. Já não se vê nenhuma daquelas carrinhas da Unidade Especial de Polícia. Estão apenas duas carrinhas da PSP, da Equipa de Intervenção Rápida, e um carro da Polícia de Trânsito, que vai fazendo rondas aqui pelo Rossio. Os manifestantes, esses sim, como disseste, mantêm-se em peso aqui na Praça do Rossio. São muitas dezenas de tendas. Os manifestantes, alguns já foram descansar, recolheram às tendas, outros mantêm-se aqui num clima de boa disposição e festa, vão cantando. Às vezes são entoados alguns cânticos que se foram ouvindo durante toda a noite e durante toda a tarde. Há pouco, um dos organizadores dava conta de que o objetivo é permanecer aqui durante alguns dias. No entanto, também ressalvou que se a polícia assim o entender, que os manifestantes estavam dispostos a sair. No entanto, a indicação que temos é de que eles vão continuar aqui na Praça do Rossio. Isto numa altura em que o maior momento de tensão da noite, por assim dizendo, já passou. Foi quando alguns elementos da Polícia Municipal tiraram as baias de ferro que os manifestantes usaram pra fazer um perímetro à volta das tendas. E também há pouco os organizadores da manifestação diziam aos manifestantes para se juntarem em grupos de afinidade, isto para alguns enquanto dormiam, outros vigiarem aqui as imediações da Praça do Rossio para se protegerem, precisamente contra uma eventual carga policial. Mas, como disse, neste momento o ambiente é de alguma tranquilidade. Os manifestantes vão cantando, a maior parte da polícia já desmobilizou e os manifestantes continuam aqui no meio da Praça do Rossio, com este aparato de muitas tendas, o que marcou o dia de hoje e que também marcou os últimos dias da cidade do Porto.
O relato do Miguel Pina Andrade, que esteve a acompanhar o protesto pela habitação noite dentro no Rossio. São centenas os que continuam ainda nesta altura em Lisboa e no Porto, nas acampadas, tanto em Lisboa como também no Porto.
O governo vê estes protestos com enorme preocupação, mas o ministro da Habitação diz que o Executivo da AD não pode ser responsabilizado pela crise na habitação.
Isto porque a subida dos preços, no entender de Miguel Pinto Luz, resultam das políticas do governo de António Costa. Em entrevista à Antena Um e ao Jornal de Negócios, o ministro das Infraestruturas e da Habitação diz que as medidas do atual governo precisam de tempo para fazer efeito no mercado, mas Miguel Pinto Luz diz-se ainda assim preocupado com a mobilização social que está a acontecer em torno da habitação.
Olho com enorme preocupação. Acho que a população quando se manifesta, manifesta-se com razão, porque sente, porque dói, porque há dor. Hoje, o problema da habitação é um problema que aflige muita gente. O governo está absolutamente ciente disso. E, portanto, este governo pode ser acusado de muitas coisas, mas não pode ser acusado de que as medidas de facilitação da vida dos senhorios, de diminuição da carga fiscal é que impactaram no valor das rendas. Não, porque elas não estão em vigor.
As declarações do ministro da Habitação, Miguel Pinto Luz, em entrevista à Antena Um e ao Jornal de Negócios este domingo.
E o governo francês diz que foram detidas mais de 1200 pessoas. Protestos que aconteceram ontem em todo o país.
O dia de ontem ficou marcado por violência, sobretudo nas cidades de Paris, Lyon e Marselha. Registro de pilhagens, patrimônio vandalizado e vários confrontos entre manifestantes e a polícia. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, acusa grupos de extrema-esquerda de tentarem impor uma agenda através da violência. Já o presidente francês, Emmanuel Macron, promete punir os responsáveis pelos distúrbios. O governo francês diz que estiveram nas ruas cerca de meio milhão de manifestantes, mais de 100 mil só em Paris. E só em Paris, foram precisamente cerca de 110 mil os protestantes que estiveram nas ruas.
E é assim que fechamos o Jornal das 8h com a edição de Miguel Gato. Está de regresso às 8h30. Miguel, até já.
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