Juíza dos EUA bloqueia início da construção do “Arco do Triunfo” de Trump
Um juiz bloqueou temporariamente o início da construção do "Arco do Triunfo" de 76 metros de altura proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington, logo após o projeto ter obtido uma aprovação importante.
A juíza distrital dos EUA, Tanya Chutkan, emitiu uma ordem judicial temporária de 14 dias, após a Comissão de Planejamento da Capital Nacional (National Capital Planning Commission) aprovar o projeto por 8 votos a 4, depois de ouvir cerca de 100 opositores, incluindo legisladores democratas.
A administração Trump sustenta que o Congresso aprovou o arco há mais de 100 anos, quando também autorizou a construção de uma ponte sobre o rio Potomac.
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"A absoluta improbabilidade de que uma lei com 100 anos de existência contenha uma autorização — desconhecida por todas as administrações anteriores — para erguer um arco de 250 pés em um local de destaque na capital do país, demonstra o quão longe [o governo] precisa ir para justificar este projeto", escreveu Chutkan.
Ela afirmou que a aprovação resultaria em uma obra com duração de cerca de três anos, "que causará transtornos ao tráfego, gerará ruído, envolverá escavações em larga escala, entre outros impactos".
O Departamento de Justiça havia informado anteriormente que, caso o projeto fosse aprovado, esperava-se um período inicial de seis a oito meses de obras — concentradas em escavações e fundações — que poderiam começar já na quinta-feira. A construção da estrutura acima do solo teria início, no mínimo, em maio de 2027, com uma duração total estimada entre 33 e 39 meses.
"Isso causará engarrafamentos por anos, afetará o aeroporto próximo e apresentará ameaças ainda mais graves à segurança pública — questões que esta comissão se recusou a reconhecer ou enfrentar", declarou o deputado Don Beyer, um democrata que representa o norte da Virgínia.
O Serviço Nacional de Parques (National Park Service) também informou, na noite de quinta-feira, que havia aprovado o projeto.
O arco faz parte de uma série de projetos dispendiosos que Trump tem promovido em Washington, apesar da oposição de autoridades locais e defensores da preservação. Entre eles estão a reconstrução do espelho d'água (Reflecting Pool) no Memorial Lincoln, a construção de um enorme salão de festas na Casa Branca e uma ampla reforma no Kennedy Center for the Performing Arts.
O projeto do arco tem enfrentado forte oposição nos tribunais. O estado da Virgínia e o Distrito de Colúmbia entraram com uma ação judicial, no sábado, contra o Serviço Nacional de Parques e o Departamento do Interior, buscando impedir o início da construção; eles classificaram o projeto como "juridicamente indefensável" e argumentaram que o Congresso não o aprovou.
Também foram levantadas diversas preocupações quanto ao impacto do projeto no tráfego.
Em um evento realizado na segunda-feira para destacar melhorias no espelho d'água do Memorial Lincoln, Trump afirmou que o arco também serviria como um recurso militar, com capacidade para abrigar drones e atiradores de elite.
"Ele fica bem no meio de tudo, sendo, portanto, muito importante para as nossas forças armadas. Mas, do ponto de vista estético, será o arco mais bonito do mundo", disse Trump.
O arco — que incluiria uma chama eterna e refletores para torná-lo visível aos pilotos — seria erguido do outro lado do rio Potomac em relação ao Memorial Lincoln, em uma rotatória próxima à entrada do Cemitério Nacional de Arlington.
A estrutura lembraria o Arco do Triunfo, em Paris, mas seria mais de 80 pés (aproximadamente 24 metros) mais alta. Teria, ainda, uma altura próxima à do Capitólio dos EUA que, com cerca de 88 metros, pode ser visto de grande parte de Washington.
O local situa-se próximo à trajetória final de aproximação das aeronaves que pousam no Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington.
Uma representação visual do projeto mostrava a chama sendo sustentada por uma figura feminina alada, dourada e com 60 pés (cerca de 18 metros) de altura, posicionada no topo do arco e ladeada por águias douradas em voo.
Críticos apontam que a estrutura projetaria sombra sobre alguns túmulos no Cemitério Nacional de Arlington, enquanto a administração Trump sustenta que o monumento serviria para homenagear os veteranos.
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