'Eu fui salvo pelo gongo': Alex Escobar conta como episódio ao vivo levou à descoberta de doença rara e de um tumor

Antes do episódio, Escobar já sentia dificuldades para mastigar. Segundo o jornalista, os sintomas começaram cerca de dois meses antes da viagem para a Copa. Ele começava a comer normalmente, mas, ao longo da refeição, passava a apresentar uma limitação para abrir a boca.
No dia da transmissão, a dificuldade voltou durante o café da manhã. Mesmo assim, Escobar se posicionou para participar ao vivo do SportTV News. Quando começou a falar, percebeu que não conseguia pronunciar algumas palavras.
“Minha língua estava dura, que é um sintoma da doença, da miastenia”, relatou.
Durante a entrada, o jornalista repetiu a frase “Neymar treinou” na tentativa de conseguir falar corretamente e concluir a participação. Ele explicou que estava consciente durante todo o episódio e que a repetição das palavras não foi provocada por confusão mental, como alguns internautas chegaram a especular na internet.
“Eu estava completamente consciente do que estava acontecendo”, afirmou.
Veja a entrevista completa no vídeo acima.
Alex Escobar fala sobre retorno ao trabalho depois do diagnóstico de Miastenia Gravis — Foto: Reprodução/TV Globo
Suspeitas iniciais
Após deixar a transmissão, Escobar foi levado a um hospital e permaneceu internado por dois dias. Os exames descartaram um acidente vascular cerebral, o AVC. Nos Estados Unidos, os médicos levantaram a possibilidade de esclerose múltipla.
O jornalista enviou os resultados ao médico Emanuel, no Brasil. Segundo Escobar, o clínico descartou a suspeita de esclerose múltipla, mas identificou uma massa no mediastino, região localizada no centro do tórax.
Sem um diagnóstico conclusivo, Escobar retornou sozinho ao Brasil. Ele classificou a viagem como o momento mais difícil do processo.
“Eu peguei um avião sozinho, voltando para casa e no escuro. Eu não tinha a menor ideia do que eu tinha. Podia ser tudo”, contou.
No Rio de Janeiro, o jornalista foi encaminhado ao neurologista Felipe Schmidt, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a Uerj. Após avaliar o caso, o médico indicou a suspeita de miastenia gravis.
O que é a miastenia gravis
A miastenia gravis é uma doença autoimune. Isso significa que o sistema de defesa do organismo passa a atacar, por engano, a comunicação entre os nervos e os músculos. Os anticorpos impedem essa ligação, o que provoca fraqueza muscular.
Os primeiros sinais podem ser sutis. Entre os sintomas estão pálpebra caída, visão dupla e dificuldades para mastigar, falar, engolir ou segurar objetos. O esforço pode agravar o cansaço, enquanto uma pausa de alguns minutos pode aliviar os sintomas.
De acordo com especialistas, a doença, na maioria das vezes, não tem cura. No entanto, o tratamento pode controlar o quadro, levar à remissão ou reduzir os sintomas, permitindo que o paciente tenha uma vida normal ou próxima do normal.
Tumor no timo
Em parte dos casos, a miastenia gravis pode estar relacionada a uma alteração no timo. A glândula fica no meio do peito, atrás do osso esterno, e desempenha um papel importante na infância, quando ajuda no amadurecimento das células de defesa. Na vida adulta, perde função.
Alterações nessa glândula, como um tumor, podem fazer o organismo produzir células que atacam os músculos por engano. No caso de Escobar, os exames identificaram um tumor no timo, e os médicos decidiram retirá-lo por meio de uma cirurgia.
Ao comentar o diagnóstico, o jornalista disse que passou a encarar as dificuldades provocadas pela doença com gratidão, porque a investigação permitiu descobrir o tumor.
“Eu fui salvo pelo gongo. O gongo se chama miastenia. Então, tudo que eu tenho passado de perrengue, eu passo agradecendo”, afirmou.
Escobar também relatou uma conversa com o neurologista sobre os riscos que correria caso o tumor não tivesse sido diagnosticado.
“O doutor Felipe, neurologista, falou: ‘Você tinha, acho, mais um ano de vida. Poderia morrer de infarto sem saber que tinha um tumor’”, contou.
Retorno gradual à televisão
O jornalista afirmou que pretende retomar o trabalho de forma gradual. A primeira etapa será a gravação de textos em off, sem aparecer diante das câmeras. Depois, ele deverá gravar programas-piloto para avaliar como o organismo reage à rotina.
Segundo Escobar, o ajuste dos medicamentos ainda não eliminou completamente os sintomas. Por isso, uma nova dificuldade de fala ainda pode ocorrer durante as transmissões.
“Os médicos dizem que a gente vai chegar num momento em que vai haver um ajuste de medicamento em que eu não vou ter mais sintoma. Esse momento não chegou totalmente ainda”, afirmou.
O jornalista pediu compreensão do público caso volte a apresentar alguma limitação diante das câmeras. Ele explicou que, se isso acontecer, pretende continuar a transmissão e aguardar até que a fala volte ao normal.
“Eu só vou precisar de 30 segundinhos para que tudo volte ao normal. Então, não se assustem”, disse.
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