FAM x SCP. " A jogar com 10, o Famalicão empata com mérito."

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O relatório do jogo. Famalicão 1, Sporting também 1. Jogo da sexta jornada do Campeonato Augusto Inácio, em que o Sporting deixou, como no jogo da primeira, fugir mais dois pontos, mais um empate desta feita em casa do Famalicão, numa primeira parte em que, como fomos ouvindo os treinadores, o Sporting teve dificuldades em implementar o seu jogo. Apesar de muita bola, a solidariedade defensiva da equipe do Famalicão fez com que o Sporting poucas ou nenhumas oportunidades tivesse.
Sim, é verdade, mas quer queiramos, quer não, e ninguém falou nisso, ainda bem que os treinadores não falaram nisso, porque podia soar a desculpa, mas quem andou lá dentro sabe fetamente bem que quando tens um jogo a meio da semana, ainda por cima da Champions, no outro jogo a seguir, as energias nunca são as melhores, ou seja, não estão tão frescas. E o Rui Borges por isso é que fez ali algumas alterações. O Zalazar foi pro banco, que era o jogador principal daquilo que é a equipe do Sporting. Diria também que o Pires Neda jogou do lado direito e o Dubaste substituiu o Quaresma. O Sporting ficou com o Flávio Gonçalves a jogar juntamente com o Luís Guilherme. O Sporting ficou uma equipe diferente. E quando iniciou a partida, viu-se um Famalicão com energia, com garra, com vontade, determinado, mas aquilo foi só pouca duna. Aquilo foi por aí cinco minutos, o Sporting aos poucos começou a roubar esse entusiasmo ao Famalicão e começou a ficar dono e senhor do jogo, mas não ficou dono e senhor da baliza do Famalicão.
É mais dono e senhor da bola.
Da bola.
Para ser dono do jogo é preciso estar a vencer.
Exatamente. E o Sporting não conseguiu realmente criar aquelas oportunidades que se esperava. O jogo tornou-se lento, tornou-se enfadonho em certos momentos.
Previsível até, em alguns momentos.
Muita previsibilidade em relação àquilo que era as intenções dos jogadores. Mesmo individualmente, num contra um, pouca inspiração. Diria que foi um jogo que estavas a dizer: "É um jogo de paciência". Pois, mas a paciência também tem que ter qualidade pra teres paciência. Eu não vi qualidade, vi muitos replões, muitos duelos individuais.
Normalmente, quando não há qualidade, o resto é a paciência.
Muita luta, muita determinação, muita raça. Ok, isso é tudo muito bonito, mas depois faltam os outros ingredientes. Mas na segunda parte as coisas mudaram. As coisas mudaram e o Sporting retificou ali algumas coisas e o Sporting ficou mais perto da baliza do adversário, porque começou a criar outro tipo de problemas à defensiva do Famalicão que antes não tinha tido. E o Rui Borges, quando começou a perceber que não fazia gols, fez as substituições que tinha que fazer.
E acabou por fazer uma coisa que não é muito habitual, acabou por deixar em campo juntos, Suárez e Yoannis, e isso acabou até por levar um gol. Depois já vamos saber se deviam ter terminado os dois o jogo. Mas, por favor, continua.
Fez aquilo como o meu mike dito diz, carne toda nossa dor, é verdade. Mas atenção, se o Yoannis deu qualquer coisa a mais na frente do ataque, em que libertou também um pouquinho o Suárez, já o Zalazar não acrescentou realmente nada de novo à equipe do Sporting, a não ser que o Sporting estivesse à espera de um livre pra ele poder marcar e se podia marcar esse gol ou não. Diria que o Sporting depois fez mais difícil, através de uma grande penalidade. E o que é certo é que o Sporting, depois dessa grande penalidade e depois de estar a jogar com mais um jogador, porque um jogador do Famalicão foi expulso, esperava-se que realmente o Sporting continuasse a manter o mesmo nível e continuasse a colocar os jogadores do Famalicão muito atrás do seu meio-campo. Diria que o Sporting quando começou a perceber que o Famalicão estava a ter mais intencionalidade ofensiva, com a entrada, por exemplo, do Abubakar, eu disse cá pra comigo e o João Caixa também disse a mesma coisa, que convinha que o Sporting não deixasse alimentar as alas pra haver cruzamentos e tinha que estancar ali o jogo. Não era na defesa, era realmente no meio-campo, que o Sporting tinha um homem a mais. E o que é certo é que o Rui Borges não fez isso, o Zalazar praticamente também não defendeu. E depois faltou aquilo que eu às vezes costumo dizer, que se tu tens fome, comes alguma coisa, mas já te sentes contente e satisfeito, tu tens que continuar a ter essa fome.
Era larica, não era fome.
Pois, tens que ter essa larica para realmente tu poderes depois saíres dali e dizeres assim: "Poxa, agora já estou alimentado". E tu só te alimentas com pontos, com vitórias. E acho que faltou também um bocadinho mais dos jogadores em relação àquilo que era o querer ganhar o jogo. Mas sinceramente, eu não gosto muito de falar de treinadores nesse sentido apreciativo, mas também faltou um bocadinho mais a Rui Borges pra poder também ajudar a equipe a segurar a vitória.
Faltou, nomeadamente, fazer essa quinta substituição, sendo que o Sporting estava a vencer por 1 x 0, estava com dois avançados na frente, manteve em campo Luís Suárez e Yoannis, e o que é certo é que o Sporting acaba por sofrer numa altura, e isto é importante dizer-se, em que jogava com mais um, depois de expulsão. Imediatamente a seguir a marcar o gol, foi também expulso um homem do Famalicão por falta de Soumar, Max e Araujo. Essa falta de fome também fica latente aqui.
Sim, mas eu não quero tirar o mérito, nunca.
Ao Famalicão.
Ao Famalicão, nunca. Até porque o Famalicão, se reparar, o Aranga, de um livre, mandou a bola pro poste e depois teve o gol. Com felicidade ou não, tiveste o gol. Ou seja, jogares contra 10, contra o Sporting, estás a perder por 1 x 0, ainda teres a oportunidade de chegares lá à frente, das duas, uma: ou é muito mérito do Famalicão, ou é porque o Sporting o permitiu. E nessa perspectiva, eu vou sempre mais pro lado daquilo que é o mérito do adversário. Acho que sim, acho que o Sporting deixa dois pontos importantes para o futuro. Já tinha deixado dois no Amador depois de estar a ganhar por 2 x 0. Rui Borges diz que a equipe está a crescer. É verdade que é uma equipe também remodelada. Às vezes é preciso passar por estes processos, mas o Sporting não tem tempo pra perder estes pontos, sob pena depois ficar atrasado em relação ao título.
Do lado do Sporting, apesar de não ter havido grandes exibições, fomos falando ao longo do jogo e mais uma vez muitíssimo forte na forma como recupera a bola e conduz o jogo do Sporting. Altimira está a ganhar uma tração grande neste meio-campo do Sporting. Pode já receber o epíteto de patrão ou ainda tem trabalho a fazer?
Esse estava na minha agenda para aquilo que foi o positivo do jogo. As pessoas diziam muito bem do Altimira desde o início da época, mas eu gosto de dar mais tempo para tentar perceber, às vezes, o contexto, os terrenos que pisa, a personalidade, quando a equipe está apertada ou não, quando a equipe está mais folgada ou não. Gosto mais de apreciar o jogador e dar uma opinião mais concreta e pelo menos mais assertiva para não me precipitar nessa minha análise. E hoje sim, depois destes jogos todos que o Altimira fez, já sei que vão dizer: "Mas não se via logo, estava na cara que o Altimira era grande jogador".
Mas não é na cara que essas coisas estão, é nas pernas, não é?
Exato. E o Altimira realmente tem sido um grande suporte neste meio-campo do Sporting. Acho que o Doumbia ainda não conseguiu atingir aquilo que prometeu no início da temporada, até porque está a jogar também numa posição diferente. E até porque o João Castro fala muito nisso e tem razão, o Doumbia, se calhar, não marca tanta diferença num jogo e não vai tanto à frente, precisamente por causa das movimentações do Maxi Araújo e obriga o Doumbia a ficar mais no plano tático, um pouco mais rigoroso. Mas diria que o Altimira tem sido realmente aquele jogador, que eu já disse isto do Porto, do Benfica ainda não disse, mas vou dizer um dia, e do Sporting também eu vou dizer. Acho que o Altimira é mais do que um jogador dentro do campo. Acho que vale por dois jogadores. Não tem nada a ver com o nível físico, não tem a ver com aquilo. Tem a ver com a sua presença, com a sua perspectiva, com a sua forma como entra no jogo.
É um candidato à braceadeira?
É o capitão daquilo que é o jogo do Sporting. É aquele que realmente joga de cabeça levantada, está sempre no caminho certo, não perde bolas, já está a tentar ir algumas vezes à frente. Está a ser um jogador muito interessante, o Altimira, e por isso é um dos meus destaques pelo positivo.
Se quiseres já prosseguir com algum outro destaque pela positiva, antes de irmos ao negativo, Augusto Inácio. Força, vamos. Mais alguma coisa a destacar pelo positivo? Do lado do Famalicão, houve aqui algumas coisas interessantes. Gil Dias esteve bem até depois sair. Tivemos também Georgios Kostas, que nos pareceu um jogador interessante. Mathias de Amorim também com grande toque de bola e ainda aqui Rufino, que não deixou Suárez trabalhar. Ficaram boas indicações da equipe de Carlos Carvalhal.
Eu indico dois jogadores, que na minha opinião foram aqueles que eu mais gostei. O Mathias Amorim foi a espaços que apareceu, não foi no jogo todo. Agora, no jogo todo, foi o Vítor Rufino, que eu diria que quando o Famalicão contratou este jogador à União de Leiria, está há três anos na União de Leiria, veio do Real Murcia para a União de Leiria. E eu quando vi essa contratação, eu disse assim: "O Famalicão de certeza que viu alguma coisa, que eu não conheço bem o jogador". Eu não o conhecia. Comecei a ver este jogador a jogar e no jogo de hoje, é verdade que é um bloco baixo, e nós temos que sintonizar como é que os jogadores jogam, em que tipo de equipe jogam e em que sistema jogam e, acima de tudo, se é uma equipe mais para frente, se tem pernas para acompanhar os avançados. No bloco baixo, este jogador fez um excelente jogo, como o Pedro Bondo, que na minha opinião secou completamente o Gianluca Catani, que me pareceu um jogador um pouco desgastado também. O Gianluca Catani teve ali uma outra assistência e um outro remate à baliza que o guarda-redes defendeu, mas o Pedro Bondo não deixou o Catani brilhar e, por isso, merece aqui realmente o destaque também, que fez uma excelente partida.
E para terminarmos, hoje invertemos aqui um bocadinho a lógica, para terminar em nota negativa, o que é que foi o pior esta noite em Famalicão, na tua opinião, Augusto Inácio? Ou os piores?
Eu diria que os piores, quando eu falo de Sporting, já estou a incluir aqui treinadores, jogadores, porque eu acho que o Sporting nunca poderia ter perdido estes dois pontos depois de estar a ganhar. Se tivesse zero a zero e acabasse o jogo zero a zero, ok, poderíamos fazer uma crítica aqui ao club por isto ou por aquilo. Mas depois estás a ganhar um a zero e deixaste empatar com um jogador a mais, deixar crescer o Famalicão, que mandou uma bola ao poste e que teve o gol, embora na própria baliza, é verdade, eu diria que o aspecto mais negativo é realmente o Sporting no seu todo. Jogadores, treinadores, porque estes pontos agora ainda se diz estamos a crescer, estamos a criar uma equipe, estamos ainda na luta. Isso é tudo verdade. Daqui a mais uns tempos, vamos ver se esses pontos fazem imensa falta àquilo que é as ambições do Sporting.
Fica aqui com algumas dificuldades também nessa antecâmara do clássico entre Porto e Benfica. O Sporting poderia ter aproveitado, pelo menos, para manter essa igualdade pontual com o Benfica. O que é certo é que neste momento está em terceiro lugar, em igualdade pontual com o Santa Clara, que tem feito um belíssimo campeonato. Não é só deste ano, mas este ano está a fazer um campeonato muito interessante. Pode ficar aqui também já, de alguma forma, afastado de uma luta pelo título, ainda é mesmo demasiado cedo. Sendo que o foco do Porto, bem sabemos, é uma equipe muito pragmática, que dificilmente abrirá mão destes pontos.
Sim, ainda vai haver Porto-Sporting, Sporting-Porto, Benfica-Sporting, Sporting-Benfica, o Braga também, mas começa a ser preocupante o Sporting com as equipes mais pequenas, que é aquilo que o Porto não tem dado aquelas avarias e que o Benfica já deu uma, o Sporting dá a segunda. Ou seja, estás a quatro pontos. É verdade que nós estamos aqui a falar já do dérbi, que o Sporting podia tirar pontos. Atenção, o Sporting vai já a Coruche e vamos ver se ganha o jogo, porque os jogos não estão ganhos antes das partidas começarem. Por isso o Sporting, é verdade, tem que olhar para si. Matematicamente, depende de si, essa é que é a grande verdade, porque tem jogos com os grandes ainda por fazer, tanto em casa como fora, só que já há quatro pontos de atraso. E se o Porto ganhar ao Benfica, eu diria que o Sporting, para mezclar esses quatro pontos para o Porto perder, vai, se calhar, demorar algum tempo, embora no futebol haja sempre surpresas, de momento o Porto também pode perder pontos como perdeu o ano passado, por exemplo, com o Casa Pia e que este ano não deu hipótese ao Casa Pia e, por isso, tem nesta altura seis jogos, seis vitórias.
Está feito e entregue o relatório do jogo do Augusto Inácio. Empate do Sporting e Famalicão à sexta jornada do campeonato, depois de ter estado a vencer por 1 x 0, deixou-se empatar. Aliás, já o Famalicão jogava com menos um unidade. O que é certo é que, nas palavras do Augusto Inácio, isso não tira de nenhuma forma o mérito do empate do Famalicão, até acrescenta algum mérito. Fica feito o relatório desta jornada. Um grande abraço, Augusto. Até à próxima.
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