Tarcísio chega favorito em SP após campanha com marasmo, e Haddad não supera limitações
Tarcísio de Freitas (Republicanos) chega a este domingo (4) como favorito ante Fernando Haddad (PT) após uma campanha monótona, na qual o atual governador, bem avaliado, limitou a exposição para evitar erros e o adversário não conseguiu superar limitações em um estado com maioria antipetista.
A expectativa é que a disputa se encerre no primeiro turno. Tarcísio contou com apoio de todos os partidos da direita e centro-direita, sem deixar espaço para uma alternativa nesse campo político, assim como Haddad aglutinou as maiores legendas da centro-esquerda, apesar de se manterem outras candidaturas mais à esquerda.
A campanha de Tarcísio recebeu mais financiamento que a do adversário. Até sexta-feira (2), segundo dados declarados ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o governador contratou R$ 25,1 milhões em despesas, 79% a mais que os R$ 14 milhões de Haddad.
O petista destinou R$ 7,9 milhões (57% do total) à produção de programas de rádio, TV e vídeo. Já o governador, R$ 10,2 milhões (41%) a serviços prestados por terceiros e R$ 4 milhões à produção de programas.
Maior colégio eleitoral do país, São Paulo concentrou a atenção das duas principais campanhas presidenciais. Enquanto o PT lançou Haddad para reforçar a campanha do presidente Lula (PT) no estado, Flávio Bolsonaro (PL) esperava encontrar em Tarcísio uma ponte para chegar ao eleitor paulista.
Um dos motivos para a instalação da sede da campanha do candidato do PL em São Paulo foi possibilitar as agendas públicas com Tarcísio. Elas, porém, não foram tão frequentes, o que gerou descontentamento entre aliados do presidenciável no estado.
A distância controlada em relação a Flávio se deveu, segundo aliados, à relação pouco próxima de ambos e ao receio de contaminação por polêmicas envolvendo a campanha presidencial. Em agenda no começo do mês, Tarcísio disse a interlocutores que daria apoio ao aliado, mas que não o abraçaria.
Do início da campanha, em 16 de agosto, até sexta-feira (2), o governador visitou 28 cidades e fez 75 eventos com correligionários. Em sete dias, Tarcísio esteve com Flávio.
Apoiadores da família Bolsonaro esperam que o titular do Palácio dos Bandeirantes entre de cabeça na campanha presidencial em um eventual segundo turno —especialmente se o governador conquistar a reeleição já neste domingo.
Ao longo da campanha, a principal preocupação do governador foi o desempenho abaixo do esperado de seus candidatos ao Senado, André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), nas pesquisas de opinião. Eles disputavam o voto da direita bolsonarista com Ricardo Salles (Novo), que concorria de forma independente.
Tarcísio construiu uma saída política: procurou Salles, com quem não mantinha boa relação, e selou um acordo, com termos não divulgados, que resultou em sua desistência.
Embora Tarcísio e Haddad tenham se enfrentado pelo mesmo posto em 2022, as circunstâncias foram diferentes. Há quatro anos, a disputa foi novidade no estado porque deixou de fora o PSDB pela primeira vez em quase 30 anos, com o avanço dos dois ao segundo turno.
Haddad manteve palanque semelhante ao da última eleição. Em 2022, ele contou com PT, PC do B, PV, PSB, PSOL e Rede e recebeu o apoio de PDT e Solidariedade no segundo turno. Neste ano, apenas o Solidariedade não está com o petista na disputa estadual.
O petista anunciou a pré-candidatura em março deste ano. Então ministro da Fazenda, ele resistia à ideia de se lançar novamente candidato após ter amargado derrotas consecutivas em eleições.
Lula e a cúpula do PT insistiram durante meses para que alguém do partido fosse o cabeça da chapa no estado. O grupo buscava repetir ou melhorar o resultado de 2022 em São Paulo, onde a campanha de Haddad a governador foi vista como um sucesso: apesar da derrota, o PT reduziu a diferença de votos para o bolsonarismo em comparação a 2018.
Tarcísio já liderava as pesquisas de intenção de voto, neste ano, quando Haddad decidiu se candidatar. Mesmo nesse cenário, o petista disse que não buscava apenas fornecer palanque a Lula, mas vencer.
Diante da distância entre Tarcísio e Flávio, Haddad buscou passar a ideia de um palanque unido no campo da esquerda e promoveu diversas agendas com as candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). O petista também deu amplo enfoque a Lula em suas falas e esteve junto do presidente em todas as idas dele a São Paulo —cinco, no primeiro turno.
Haddad também buscou o apoio de prefeitos do interior, alegando que estariam insatisfeitos com o governador, mas teve a campanha ignorada por 15 dos 18 prefeitos de sua coligação. Petistas disseram à reportagem que há um movimento favorável a Lula por muitos prefeitos, mas, por receio de se indispor com Tarcísio, eles declararam apoio público ao governador.
Desde 23 de março, Haddad passou por 45 cidades do estado, além da capital. O roteiro incluiu municípios de diferentes regiões de São Paulo, da Baixada Santista ao noroeste paulista. Considerando apenas os compromissos a partir de 16 de agosto, foram 24 cidades visitadas além da capital, de acordo com levantamento a partir da agenda oficial disponibilizada pela campanha.
Durante a eleição, Haddad criticou a privatização da Sabesp, mencionando falta de água em diversas cidades, problemas com adutoras e aumento nas tarifas, o que contrariaria a promessa de Tarcísio de reduzi-las com a desestatização. O petista também chamou atenção para o aumento dos feminicídios e os resultados abaixo de outros estados no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).
A principal aposta do petista foi a segurança pública —área considerada um desafio histórico da esquerda e que foi tratada como prioridade para a eleição.
Durante a campanha, os dois candidatos se enfrentaram diretamente apenas duas vezes: na Band, em 9 de agosto, e na Globo, na última terça-feira (29). Os presidenciáveis apoiados por eles não debateram nenhuma vez neste primeiro turno.
Em ambos os encontros, as discussões foram mornas. Ambos abusaram do economês para debater contas públicas e evitaram críticas mais duras sobre o adversário. Prevaleceram temas nacionais, com Tarcísio acusando o governo Lula de travar investimentos e empréstimos no estado e Haddad pleiteando que a gestão federal foi responsável por conquistas alardeadas pelo governador nos últimos três anos.
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