Execuções públicas são praticadas, sobretudo, por países com governos autoritários e por grupos terroristas

A porta-voz da ONU para o Alto Comissário de Direitos Humanos afirmou que a transmissão ao vivo da execução equivaleria a uma forma de tortura. A diretora da Anistia Internacional disse que ficou chocada e que a decisão do governo americano “transforma algo tão desumano em um espetáculo público, um teatro da barbárie”.
Na quinta-feira (8), o secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou o plano:
“O condenado vai enfrentar um pelotão de fuzilamento, e vamos garantir que as pessoas possam assistir, que seja público. As pessoas precisam entender que existem consequências graves para esse tipo de coisa”.
Correspondente Raquel Krähenbühl perguntou ao presidente Donald Trump se ele autorizou a decisão de transmitir a execução ao vivo — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Em 2009, o ex-major e psiquiatra do Exército Nidal Hasan abriu fogo e matou 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas. Ele também deixou 32 feridos e foi condenado à pena de morte em 2013. Hegseth afirmou que os Estados Unidos não usam o pelotão de fuzilamento contra um militar desde a Segunda Guerra Mundial:
Se o plano for levado adiante, no dia 3 de dezembro, essa será a primeira execução pública nos Estados Unidos desde 1936 e a primeira na história do país a ser transmitida ao vivo. A correspondente Raquel Krähenbühl perguntou ao presidente Donald Trump se ele autorizou a decisão de transmitir a execução ao vivo. O presidente respondeu:
"Com certeza".
A outro repórter disse que ainda não havia tomado uma decisão. Já o vice-presidente J.D. Vance disse ter dúvidas de que a execução será realmente transmitida e avisou que, se acontecer, não vai assistir.
Execuções públicas são praticadas, sobretudo, por países com governos autoritários e por grupos terroristas — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O fuzilamento é um método de execução raro nos Estados Unidos. Em 2026, o governo Trump voltou a incluí-lo entre os métodos permitidos para os crimes federais mais graves, ao lado da cadeira elétrica e a asfixia por gás. O anúncio de que a execução será transmitida ao vivo rompe com décadas de práticas estabelecidas em torno da pena de morte.
Execuções públicas são praticadas, sobretudo, por países com governos autoritários e por grupos terroristas, como o Estado Islâmico. Em 2025, 17 pessoas foram executadas em público no Afeganistão e no Irã, de acordo com a ONG Anistia Internacional. Em outros anos, também houve execuções desse tipo na Somália, Arábia Saudita e Coreia do Norte.
O sargento Alonzo é um dos sobreviventes do ataque na base militar do Texas. Ele foi baleado sete vezes no massacre do Texas e lamentou a decisão de transmitir a execução:
“Não deveríamos transformar isso em um espetáculo. Não deveríamos transformá-lo em um mártir”, disse.
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