Habitação, bate-bocas e o drama de querer falar na televisão

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Vamos repor aqui algumas verdades. A primeira é para aquela gente, aqueles críticos das manifestações que temos visto contra a crise na habitação.
Não venham dizer que é só os esquerdistas, badalhocos, sujos, etc, que vêm para aqui manifestar. Porque eu também me banho, uso perfume caro e venho para aqui, portanto, menos.
Olha, fica aqui a verdade.
Caro. Perfume caro.
Mas para a casa não tem dinheiro.
Mas claro.
Vai tudo para o perfume.
Vá. Ainda sobre habitação. André Ventura, na entrevista de terça-feira, à SIC Notícias, esteve a tentar acabar as frases.
O André Ventura quer mais deduções ao IRS que toca às despesas de habitação. Como há dois milhões de portugueses que nem sequer ganham para pagar IRS, o que defende para isso? Apoi os direitos às rendas por parte do Estado.
Estou a tentar só ter uma entrevista, senão não é uma entrevista. A cada momento que eu começo a falar, vocês interrompem-me e tentam dizer outra coisa por cima. Deixem-me terminar o que eu ia dizer.
André Ventura bem tenta, mas estes jornalistas.
Se eu não conseguir a cada frase que tento dizer, terminá-la, porque vocês não gostam da frase, não vai dar. Ouvem lá, é que se não gostam do que eu estou a dizer, não me convidem. Se me querem convidar para eu dizer o que penso. Comparem isto com outras entrevistas, com outras pessoas. Não dá. Se a cada frase que a Ângela não gosta que eu diga, me interrompe, é impossível. Não está aqui como minha concorrente, está aqui a entrevistar-me. Não pode a cada dois minutos, a cada dois segundos interromper-me. Desculpem, não pode.
O Bernardo e a Ângela Silva a tentarem, mas isto são coisas do André Ventura. É porque não há nenhum outro político a pensar em não responder às perguntas dos jornalistas numa entrevista.
Antes de mais, boa tarde e muito obrigado pelo convite e por esta oportunidade de poder conversar um bocadinho sobre a TAP, uma empresa tão importante para nós e pela qual dei muito, fiz muito trabalho e levei muita pancada também.
Ora, aqui temos Pedro Nuno Santos, a saber que uma entrevista serve para conversar um bocadinho, mas ao fim de cinco minutos na CNN, a conversa já era outra.
Tem que me deixar eu poder-
Mas o tempo urge, eu preciso das suas respostas.
Mas é que tem que me deixar também dizer algumas coisas que eu quero dizer sobre o que aconteceu ontem.
Pedro Nuno Santos quer falar, quer muito falar, tanto que é preciso explicar-lhe o que é uma entrevista.
E há outra questão.
Vamos ficar sem tempo, Pedro Nuno Santos. Tem de haver aqui um compromisso, que é uma entrevista, não é apenas uma comunicação da sua parte. Eu gostava que nos dissesse, do seu ponto de vista, foi ou não um bom negócio aquilo que foi feito ontem, anunciado ontem?
Nos termos que apresentam, claro que aquilo é um bom negócio, que dá-nos razão. O que eu lhe quero dizer é que aquele resultado nunca teria sido possível sem o nosso trabalho.
Mas acho que isso já ficou muito claro nas suas respostas.
Não ficou.
Não ficou. Pelo menos para o ex-ministro não ficou claro. E é por isso que é preciso negociar com o jornalista até ao limite.
O contexto agora mudou. Acha que se deve vender 100% ou não?
Eu respondo-lhe a essa questão, se me deixar responder a mais uma mentira, que foi dita ontem.
Eu deixo responder a mais uma mentira, se me responder a esta questão.
Eu respondo. Então eu vou responder a mais uma mentira.
Não, vai-me responder a esta questão, porque quem gere a entrevista sou eu.
E depois respondo à outra mentira.
Sim, se tivermos tempo.
Não, tem que me deixar. Se acabarmos de falar aqui, cumprimos os dois.
E lá foi possível.
Difícil.
Mas nós temos que perceber, isto é muito stressante, falar com o relógio a andar. Uns querem dizer coisas, outros querem respostas. É muito stressante. Isto é muito melhor quando se está assim, só a olhar para o céu e a divagar.
Nós vivemos na Terra, somos os terrestres.
Exatamente.
Somos humanos terrestres.
Terrestres.
Humanos não, porque não vivem só humanos na Terra.
Claro, vivem seres vivos e seres não vivos.
Exato. E em Plutão vivem os plutônios, não é?
Mas não existe vida em Plutão.
Não sabes. Já foram lá?
Não.
Alguns já foram.
Mas não tem água.
Mas não sabes.
Em Marte são marcianos.
Não tem água, é como na Costa da Caparica.
Há vida em Marte, mas acho que não.
Ou marceneiros. Urbanos.
Urano.
Urbano?
Urano. São os uruanos.
Uranenses.
Uranenses?
Sim. Platão, plutônios. Vênios.
Vênus.
Vênus são venezianos.
Ou venenosos.
Isto deviam ser os gregos clássicos, deviam também ter este tipo de conversas.
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