Tencati assume culpa por nova má fase do Botafogo-SP e garante cargo: “Não sou covarde”


Tadeu faz lambança, mas se redime com gol na vitória do Goiás sobre o Botafogo-SP
A renovação ocorreu no primeiro turno, em meio a uma sequência de dez jogos sem perder. Agora, com a quinta derrota seguida, somado a um empate, o time não vence há seis partidas.
- Eu nunca e jamais vou deixar na mão o clube. Se o clube resolver, em algum momento, fazer a mudança, é o clube quem tem que jugar esse lado. Não sou de abandonar o barco, não sou covarde. Eu fiz parte da montagem do elenco, a responsabilidade é minha e a culpa está nas minhas costas também, sim. Quando a gente vive um momento bom, só evidencia o outro lado, o treinador não. Eu tenho coragem de falar que a responsabilidade é toda minha e vamos trabalhar para reverter – disse.
Cláudio Tencati, técnico do Botafogo-SP, em jogo contra o Goiás — Foto: João Victor Menezes de Souza/Agência Botafogo
O Botafogo estacionou nos 31 pontos e está na 16ª posição, apenas uma acima do Z-4. Na sequência de dez jogos do primeiro turno, o time chegou a frequentar a zona de rebaixamento.
- Temos condições de tirar mais dos atletas. Temos que tocar em alguns pontos para trabalhar mais, principalmente o emocional, que afetou. A gente não imaginava isso, chegou nesse patamar, agora é trabalhar o mental. Já sei alguns pontos, além do tático. Temos condições de tirar sim.
- Enquanto a direção tiver confiança em nós, vamos continuar o trabalho e dar sequência. Já passei por situações difíceis na carreira, sempre são desafios, e o treinador tem que estar preparado para isso. É muito fácil na hora boa e, na hora difícil, abandonar o barco, isso a gente não faz. Vamos lutar muito pelo clube e continuar lutando.
Bota perde para o Goiá — Foto: João Victor Menezes de Souza/Agência Botafogo
Cobrança do presidente
Após a partida, no vestiário, o presidente do Conselho Administrativo da Botafogo SA, Adalberto Baptista, foi ao vestiário e cobrou reação do elenco. Segundo Tencati, é um momento raro nos pós-jogos da equipe. Do lado de fora, torcedores protestaram, mas Polícia Militar conteve o grupo.
- Raramente ele fala e ele gerou que isso cabe a nós mudar o quadro. Ele está dando condições, transmitiu confiança e pediu algo diferente da nossa parte. Agora, quem tem que espremer o atleta somos nós. Se tem um cara mais chato, exigente do que eu...não tem. A cobrança existe. Talvez, você pode dizer: “Ah, se tivesse uma massa pegando fogo aqui você ia ver”. No futebol tem isso, não é o que a gente quer, essa pressão externa, agressão. A cobrança entre nós existe. Mas, muito mais que cobrança, vejo que agora tem que ser canalizada uma energia diferente.
- Depois do Atlético-GO, Náutico, Novorizontino, houve excessos. Acho que agora tem que tirar o pé do freio, tem jogador que não está correspondendo mais nessa cobrança e vamos ter que ir para outros viés. Alguns conseguem responder, outros não. Cabe a nós identificar isso pela nossa experiência, mas não há dúvidas que alguns precisam de puxões na orelha e alguns, entre eles, assumirem esse papel de gerenciamento dentro da equipe e nos ajudar no vestiário. Isso parte dos jogadores. Talvez a impressão de vocês, como não tem a participação frequente aqui, não tenham essa dimensão, mas a gente tem se cobrado bastante.
Lance de Bota x Goiás — Foto: Thiago Calil/AGIF
O jogo
No jogo desta segunda, o Botafogo abriu o placar com Hygor aos 17 minutos do primeiro tempo, mas oscilou e levou o empate ainda na etapa inicial. No segundo tempo, sofreu a virada.
- No momento, o impacto está no emocional. A equipe começa com postura interessante, no jogo anterior buscamos o empate, equilibrou e descaracterizou. Hoje fizemos 1 a 0, descaracterizou, tentamos equilibrar, mas tomar o gol muito rápido, e de pênalti como foi, impacta. Tentamos reagir e o terceiro foi um banho de água fria.
Yuri em Botafogo-SP x Goiás na Série B 2026 — Foto: João Victor Menezes de Souza/Agência Botafogo
Na reta final, o time perdeu três gols. Patrick Brey desperdiçou uma cobrança de pênalti e Thiago Moraes e Hygor erraram cabeceios cara a cara com o goleiro Tadeu.
- Temos três lances pontuais que têm que fazer o gol e, se fosse outro momento, era gol. Temos que fazer esse movimento conspirar a nosso favor de novo. Só tem um caminho, de juntar todo mundo. Já acendeu mais que a luz vermelha, roxa, laranja. Agora é ponto de reação. Todo mundo tem que assumir a responsabilidade e fazer as coisas acontecerem. É responsabilidade minha, da comissão, e de jogadores experientes que precisam bater no peito, como contra o Operário. Agora é reestruturar e reagir.
O próximo jogo do Botafogo-SP na Série B é fora de casa. O time enfrenta o Athletic-MG neste sábado, às 18h30, pela 29ª rodada.
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